Diario do Sul

Pelas quatro partidas do mundo numa rota cada vez mais global e dentro de uma faixa que fala e lê português

A publicação de um livro sobre a imprensa portuguesa na China é um momento que deve ser assinalado com o maior reconhecimento e agradecimento ao seu autor e ao seu editor.

Autor :João Palmeiro *

05 Fevereiro 2019 | Publicado : 16:22 (05/02/2019) | Actualizado: 16:25 (05/02/2019)

Por isso, as primeiras linhas deste prefácio são dirigidas a Luís Lee e ao seu editor, que quiseram levar ao público chinês importante informação sobre a imprensa portuguesa, o que seguramente muito ajudará a estreitar as relações de comunicação entre os dois povos sem esquecer a importante contribuição para o objetivo «uma rota uma faixa».
Este livro surge também no momento em que, na Europa, se celebra o ano Europeu do Património Cultural, no qual se insere o reconhecimento da imprensa centenária portuguesa como património imaterial da humanidade. Será, também, um inestimável contributo para esse reconhecimento.
A imprensa portuguesa, rica dos seus mais de 1500 títulos tem, neste século XXI como expoente maior do seu legado cultural, as 33 publicações periódicas que se editam há mais de 100 anos sem interrupção ou descontinuidade.
Esta realidade atesta bem a relação de confiança e de reconhecimento que populações e comunidades, cidades, vilas e organizações, profissionais e culturais, têm com as publicações periódicas que tornam conhecidos os seus pontos de vista, as suas concretizações, as suas ansiedades e os seus sonhos.
Sem esquecer os momentos de alegria e tristeza (como recentemente reportaram os terríveis incêndios do verão passado em Portugal) e eventos e manifestações, desportivas ou religiosas.
São 33 jornais e revistas que em diferentes formatos de papel, a cores e a preto e branco e agora também no incontornável mundo digital, levam as histórias de Portugal e dos portugueses aos quatro cantos do mundo onde, tantos outros portugueses, estabeleceram as suas vidas e assim não esquecem Portugal. Na China também, dos que agora estudam em Pequim aos que há longas gerações vivem em Macau.
Macau, território chinês que ao longo de séculos viu nascer importantes jornais, onde passaram grandes vultos das letras portuguesas e onde vivem jornalistas portugueses que marcam também a língua e a cultura de Portugal e das nações que connosco as partilham, sob a lembrança de Luís de Camões e de São Francisco de Xavier.
Macau que viu nascer jornais como a «Abelha de Macau» em 1822, ou «o Correio» em 1890, o «Português» em 1913 ou os ainda em publicação «Tribuna de Macau» e «Macau Hoje», como do outro lado do Atlântico a cidade do Recife (Pernambuco) continua a ler todos os dias e há mais de cem anos a «Folha» e o «Commercio».
O livro que em boa hora Luís Lee decidiu escrever – e que em nome de todos representados na Associação Portuguesa de Imprensa muito agradeço – lembrará aos seus leitores toda esta história da imprensa portuguesa e da imprensa em português, do seu passado e dos desafios que o seu futuro oferece, sejam as modalidades de adaptação ao novo mundo digital, a sua inteligência artificial e modelos de respeito pelos direitos de autor, sejam as oportunidades de expansão e crescimento que a língua portuguesa a todos vai oferecer, sejam os centenários ou como o «Expresso» (Lisboa) que este ano completa 45 anos de edição, ou o «Notícias» de Maputo (Moçambique) ou o «Jornal de Angola» (Luanda), tornando-se na alavanca de conteúdos jornalísticos que ajudarão os povos do mundo a melhor entender o mundo global em que vivemos.
Como Luís Lee está a fazer levando notícias da imprensa portuguesa para a China.

* Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa e Professor convidado CITI-Universidade Nova de Lisboa, IJC-FDUCoimbra e Coimbra Business School - Instituto Politécnico de Coimbra.

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