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Diario do Sul

Monforte

Município projeta Museu para valorizar azulejos

Da igreja do antigo convento do Bom Jesus, em Monforte, demolida na década de 40 do século XX, salvou-se um conjunto de painéis de azulejos da oficina lisboeta de Valentim de Almeida, que datam de 1745 e constituem o mais extenso e notável acervo iconográfico sobre a vida e milagres da Rainha Santa Isabel existente no mundo.

06 Fevereiro 2019

O espólio, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Monforte, encontrava-se acondicionado em 59 caixotes de madeira e estava à guarda dessa instituição desde que foi retirado do edifício original.

Com o objetivo de valorizar o conjunto azulejar, foi assinado, em 2006, um Protocolo de Colaboração entre a Santa Casa da Misericórdia e a Câmara Municipal de Monforte, ao abrigo do qual a transferência dos materiais seria feita para instalações da autarquia, de modo a que se procedesse aos trabalhos de montagem de painéis, registo e reacondicionamento dos azulejos.

Em janeiro de 2012, e porque se considerou estarem finalmente reunidas as condições necessárias quanto ao espaço e segurança, foi iniciado, então, o projeto de valorização dos azulejos.

Numa primeira fase, procedeu-se à abertura dos caixotes e remontagem dos painéis e inventariação e, segundo a arqueóloga Paula Morgado, a técnica do Município responsável pela intervenção, “esta foi uma fase de diagnóstico e avaliação, atendendo a que não se conhecia com exatidão o conteúdo de cada caixote, sabendo-se, agora, com mais certeza, que o espólio é constituído por azulejos originalmente organizados em painéis figurativos alusivos à vida e milagres da Rainha Santa Isabel e a milagres de S. Francisco e em painéis não figurativos, com motivos seriados e figurações repetidas.

São 16 os painéis figurativos, de grandes dimensões, distribuídos pelas duas paredes laterais e pela parede do fundo da nave central da igreja, dos quais 13 abordam a temática isabelina.

A organização do conjunto azulejar respeitou uma lógica de três níveis horizontais, que se desenvolvem do chão até ao topo de cada parede. No nível inferior situam-se os pedestais, painéis não figurativos que suportam visualmente os restantes dois níveis de painéis com composições narrativas.

Estima-se a totalidade do conjunto em cerca de 16000 azulejos, encontrando-se por concluir o inventário geral do espólio”.

Entretanto, e depois de terem sido equacionadas formas de valorização do conjunto, decidiu o atual executivo do Município requalificar para museu a antiga Igreja do Espírito Santo, um imóvel propriedade da autarquia, onde, então, todo este acervo azulejar será acondicionado, dispondo-o conforme se encontrava no convento. Portanto, a recolocação do conjunto não deverá ser feita alterando a ordem dos painéis ou expondo-os isoladamente pois é sempre desejável que a sua sequência original seja respeitada.

No decurso dos trabalhos de investigação e no âmbito do processo de candidatura ao “Programa Valorizar - Linha de Apoio à Valorização do Interior” do Projeto Monforte Sacro, que se enquadra no âmbito da Estratégia de Desenvolvimento Urbano (EDU) integrada em Área de Reabilitação Urbana (ARU), foi feita uma apresentação em 3D do projeto do museu na última reunião realizada com técnicos dos organismos parceiros, nomeadamente Maria de Lourdes Cidraes e Vitor Serrão, ambos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, José Meco, da Academia Nacional de Belas-Artes, Rosa Morgado, Conservadora Restauradora da área do azulejo, e, em representação do Município, Gonçalo Lagem, o Presidente do Executivo, Mariana Mota, a Vereadora da Cultura, Paula Morgado, Ana Junceiro, também arqueóloga, Patrícia Cutileiro, Conservadora/Restauradora, e Fátima Moura, da área do Desenvolvimento.

O projeto Monforte Sacro é um exemplo de uma operação integrada para a reabilitação de edificado associado a um programa de revitalização de património material e imaterial. Assim, o objetivo é a reabilitação de edificado atribuindo “novas” funções ou recuperando as anteriores permitindo a valorização patrimonial através de um equipamento para a atração de novos públicos, diversificando a oferta no âmbito do Turismo Cultural.

O projeto integra duas componentes: a Reabilitação do Edificado da Antiga Igreja do Espírito Santo e o Programa do Centro Monforte Sacro, um Centro Temático sobre a Rainha Santa Isabel, a partir da remontagem do revestimento azulejar da antiga igreja do Convento do Bom Jesus de Monforte.

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