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Diario do Sul
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Exposição na Casa da Cultura

O mundo mágico dos triciclos mostra-se em Elvas

Joaquim Mira é um conhecido colecionador de motos e automóveis de Estremoz, mas um dia visitou um ferro velho e encontrou um triciclo. Comprou-o. Estávamos em 2014. Havia de o recuperar para "ficar de recordação", diz.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

13 Fevereiro 2019 | Publicado : 18:11 (13/02/2019) | Actualizado: 18:12 (13/02/2019)

Porém, tempos depois, encontrou outro triciclo que também viria a comprar. E mais outro. E outro ainda. Foi comprando mais e mais. Hoje tem 30 exemplares que atravessam as décadas, entre os anos 30 e 70. Estão em exposição na Casa da Cultura de Elvas até final do mês.
"Tenho paixão pelos clássicos e percebi que os triciclos também têm alguma importância na nossa história. Veja-se que nesta exposição os mais novos vêm ver como era no tempo dos mais velhos, enquanto os mais velhos vêm recordar o que foi a infância deles", sublinha Joaquim Mira ao Diário do Sul, alertando que "se ninguém quiser saber disto e não se fizer nada para preservar, vamos perder esta memória."
Segundo o colecionador é, sobretudo, por este conceito que começa a ser muito solicitado na região para fazer exposições dos seus triciclos, avançando que tenciona continuar a aumentar o espólio sempre que houver oportunidade.
Numa visita guiada à exposição, o próprio autor começa por exibir dois exemplares dos anos 30 em madeira e ferro. "Conheço a dona deste aqui. A senhora ainda é viva", revela. "A família sabia que eu fazia coleção e ofereceu-me o triciclo", diz, mostrando como todos os exemplares expostos estão operacionais e prontos a usar.
Também na "ala" dedicada à década de 40, onde os triciclos já surgem mais elaborados e já com plástico nas estruturas, um dos veículos tem dona conhecida. Isto, enquanto nos anos 50 se exibem duas marcas francesas muito raras em Portugal. "Eram triciclos utilizados na Suíça", explica Joaquim Mira, antes de avançar para as principais celebridades portuguesas. Os mesmos veículos que têm a capacidade de nos transportar até às décadas de 60 e 70.
Exibem a chancela da Sobrinca e Sá & Portela. Explica o autor da exposição que estes "já apresentam outro tipo de acabamentos, com umas rodas mais elaboradas", exemplifica, antes de pegar na estrela da companhia. Trata-se de uma lambreta, com quatro rodas, que será da década de 70.
Revela que este exemplar andava pela internet e que o encontrou em Fronteira. "Nunca pensei que me viesse parar às mãos e estivesse tão perto de mim", admite, relatando que um dia se deslocou a Alter do Chão e deu de caras com a lambreta no vizinho concelho de Fronteira. "Fui ter o dono e fizemos negócio. Já me ofereceram mais de 2 mil euros por ela", revela, tratando-se de um exemplar que à época não estava ao alcance de qualquer bolso.
Por entre os triciclos, a maioria comprados por aí, está ainda um cavalo em pasta de papel, com quatro rolamentos, datado do século XVII, além de carros a pedais, que já ilustram tempos mais recentes.

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