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Diario do Sul

Em dia de greve dos funcionários públicos

Todas as escolas de Évora estiveram sem aulas e as dos concelhos vizinhos também

Todas as escolas da cidade de Évora estiveram encerradas e sem aulas na passada sexta-feira, devido à greve dos funcionários públicos. Este foi um cenário transversal a todo o distrito de Évora. A nível da saúde, no Hospital do Espírito Santo de Évora, a adesão oi igualmente significativa, o mesmo acontecendo a nível das autarquias que se encontravam a meio gás. Os dados foram avançados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Sul e Regiões Autónomas.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

18 Fevereiro 2019

À porta da Escola Básica 2,3 Conde Vilalva, em Évora, a dirigente sindical Mariana Recto mostrava o seu descontentamento com o braço de ferro do Governo, denunciando casos em que o aluno é o que mais sofre em todo este processo. A existência de uma escola pública com qualidade é a grande reivindicação destes trabalhadores.

A Direção de Évora do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Sul e Regiões Autónomas convocou a comunicação social para fazer o balanço da greve agendada para o final da passada semana. Mariana Recto afirmou que todas as escolas de Évora foram encerradas. “Todas as escolas dentro da cidade estão fechadas, ou seja, não há aulas e os alunos foram reencaminhados para casa. Fora da cidade, nos concelhos do distrito, a maioria está também fechada: Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Arraiolos, Redondo, Borba, Viana do Alentejo, Vila Viçosa e a Secundária de Reguengos de Monsaraz”, garantiu.

A dirigente sindical lembrou que as reivindicações dos trabalhadores da função pública são antigas: “os aumentos dos salários, a falta de trabalhadores não docentes nas escolas, a continuação da precaridade e o sistema de avaliação”. A seu ver, o Governo “continua a teimar não resolver o problema. Continua a fazer contratos precários porque estão abertos concursos para três horas e meia. Isto leva a que existam dois trabalhadores para haver um horário completo. Continua a fazer contratos pelo desemprego e isto não resolve nada”.

Como tal, os trabalhadores asseguram que vão continuar em luta até serem ouvidos nos direitos que exigem.

No que concerne às escolas, este sindicado continuou a alertar para a “grande falta de trabalhadores nos estabelecimentos de Évora”, adiantando que “estamos no ponto de partido igual ao que se viveu no início do ano letivo”.

Mariana Recto considerou que toda esta situação tem impacto nos alunos em termos de segurança, pois denunciou continuar a não haver vigilância, ao ponto de “termos um trabalhador para os dois pisos. As crianças e jovens acompanhados por quem? As bibliotecas estão encerradas e os ginásios a funcionar com um único trabalhador que tem que assegurar a vigilância dos dois balneários”.

A sindicalista lamentou que “haja má qualidade na escola, onde o ano curricular está em atraso, em que os professores têm que cumprir o programa e quem padece são os alunos”. E acrescentou: “Devíamos ter uma escola pública de qualidade e não é isso que se está a verificar porque os serviços estão cada vez mais degradados”.

Falta de funcionários coloca em causa “bem-estar” dos alunos

Maria de Lurdes é funcionária na Escola Básica Santa Clara, em Évora, e criticou o facto de os “miúdos não terem vigilância nenhuma”. Na primeira pessoa explicou que “ tenho tomar conta de um primeiro e de um segundo andar ao mesmo tempo sozinha e tenho de limpar salas também. Há uma briga e não há um funcionário para dirimir o conflito. Temos cinco colegas de baixa, a da Biblioteca tem que ir para a cozinha e os miúdos ficam sentados nos corredores”.

Outro problema denunciado é o acompanhamento dos alunos com necessidades educativas especiais que “estão a ser auxiliados por pessoas sem formação. Não é qualquer um que vai trabalhar e que sabe lidar com um menino autista, por exemplo”.

A Direção de Évora do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Sul e Regiões Autónomas indicou ainda que também no setor da saúde a greve se fez sentir. No Hospital do Espírito Santo de Évora, a adesão à greve também foi “significativa”, com cerca de 80 por cento. Quanto às autarquias, a maioria encontrava-se a “meio gás”.

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