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Diario do Sul

Moradores enviaram exposição ao secretário de Estado das Infraestruturas

Traçado Évora-Évora Norte “impede acesso direto dos residentes para as suas casas”

O traçado ferroviário Évora-Évora Norte, no âmbito do Corredor Internacional Sul Sines-Elvas (Caia), continua a ser contestado pela população e órgãos autárquicos. Face à opção do Governo pela opção dois que tem uma extensão de dez quilómetros afastando-se do centro da cidade de Évora.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

21 Fevereiro 2019

Os moradores dos bairros de Santa Luzia, quintas do Evaristo, Monte Novo e Montinho de Ferro fizeram uma exposição ao secretário de Estado das Infraestruturas, com conhecimento ao primeiro-ministro e ao ministro do Planeamento e Infraestruturas. Os signatários do documento solicitam que sejam revistas as opções que foram apresentadas e que o secretário de Estado mande proceder “a um esclarecimento público das respetivas conclusões a que os munícipes e eleitores de Évora têm direito”.

Para além de todos os procedimentos jurídicos que estes moradores estão a promover, deram também conhecimento desta exposição ao presidente da Câmara Municipal de Évora e ao presidente da Assembleia Municipal.

No documento a que o “Diário do Sul” teve acesso é garantido que nenhum cidadão responsável deste país poderá contestar o esforço em curso para aumentar a capacidade exportadora e dotar o país de infraestruturas adequadas ao crescimento económico. Não obstante, cabe a estes residentes chamar a atenção para “o grave impacto humano que tem no Bairro Chafariz d’El Rei e Av. Pedro Álvares Cabral e nos bairros periféricos da cidade de Évora – os bairros de Santo António, Santa Luzia, Garraia a outros – o traçado, designado opção 2, da ligação ferroviária Évora-Évora Norte”.

Os signatários desta exposição denunciam que nestas áreas, englobadas na malha urbana, além do nível de ruído “inaceitável”, a via-férrea vai “cortar o acesso de moradores aos logradouros das suas casas ou impedir a passagem direta para as mesmas, afetando a vida de cerca de 1.500 pessoas”.

Face à gravidade destas consequências, o executivo camarário e a Assembleia Municipal tomaram por diversas vezes posição contra a referida opção 2, “apresentando construtivamente propostas para minorar o impacto humano da construção desta infraestrutura, propostas que constituem a opção 3 ou opção 4”. E acrescentam: “Também organizações de cidadãos, delegações de serviços e os media locais e nacionais têm alertado para a gravidade da situação que virá a ser criada pelo traçado 2”.

Os motivos de descontentamento assentam no fato de “ter sido preterida a opção 3 ou a opção 4 com um traçado mais afastado da concentração populacional da cidade, que além de ser muito menos intrusiva poderia aproveitar alguns quilómetros de linha férrea já existente, expropriações já realizadas e obras de arte construídas”, adiantando que “nem sequer são sustentáveis os argumentos de menor custo ou maior rapidez da construção relativamente à opção 2”.

O anterior ministro do Planeamento tinha garantido

que haveria “mitigação dos impactos negativos”

Recorde-se que o ainda então ministro do Planeamento, Pedro Marques, garantiu durante a comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas (subjugada a um requerimento do PCP) que o Governo “vai mitigar os impactos negativos da obra referente ao atravessamento da linha ferroviária no concelho de Évora, no sub-troço Évora-Évora Norte, no âmbito do Corredor Internacional Sul Sines-Elvas (Caia)”.

Pedro Marques explicou que o plano consistiria no “enterrar da linha cerca de três metros adicionais para ficar praticamente enterrada no seu atravessamento”, lembrando que cerca de dois metros do traçado “é feito em vala” e acrescentando ainda que as passagens desniveladas existentes “serão repostas com rebaixamento/enterramento da linha. Os efeitos do ruído dos comboios serão, assim, muito mitigados”.

Apelidado de “elo perdido”, este troço completará o puzzle ferroviário e fará a conexão entre o Porto de Sines e a fronteira espanhola, tendo o concurso público sido apresentado no final de Março de 2018. A conclusão da obra está programada para o primeiro trimestre de 2022, num custo de 509 milhões de euros.

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