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Diario do Sul
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Galeria da Casa de Burgos em Évora acolhe exposição de Artur Pastor

Um dos maiores fotógrafos do séc. XX “não viu ainda o seu mérito reconhecido”

Algumas obras do enorme acervo deixado por Artur Pastor, um dos maiores fotógrafos portugueses da segunda metade do século XX, estão patentes na exposição intitulada “Paisagens Urbanas no Alentejo”.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

21 Fevereiro 2019

A mostra foi inaugurada no final da semana passada na Casa de Burgos de Évora e vai estar patente ao público até ao próximo dia 18 de abril. Esta iniciativa é uma parceria da Direção Regional de Cultura do Alentejo, do CIDEHUS - Universidade de Évora e do Arquivo Municipal de Lisboa. Pretende ser um reconhecimento da importância do legado de Artur Pastor para o património fotográfico do século XX.

“Sabemos bem e lamentamos que Artur Pastor não tenha nas páginas da história da fotografia em Portugal o lugar que merece”. A afirmação é da diretora regional de Cultura do Alentejo que salientou que poucos fizeram um trabalho tão sistemático, tão dedicado e tão bonito para nos deixar em imagens o Portugal do Seculo XX e que esse trabalho tem um potencial inesgotável para o estudo, o conhecimento e a contemplação de um tempo passado.

“Estas paisagens urbanas no Alentejo de Artur Pastor, que agora mostramos em Évora, são as possíveis dentro do universo com que nos foi dado trabalhar e por essa razão, provavelmente, não apresentam todas as cidades, vilas e aldeias alentejanas fotografadas pelo autor”, frisou.

Ana Paula Amendoeira evidenciou o trabalho do fotógrafo que “numa altura em que não era considerado importante fazer um registo, ele o fez. É graças a ele que hoje temos o registo de uma série de práticas, de núcleos urbanos”. Em seu entender, Artur Pastor não teve e não continua a ter o reconhecimento devido tendo em conta o valor do seu trabalho. “Além de fazer levantamentos e registos, inventários sistemáticos havia um sentido de estética notável. O seu trabalho é de uma beleza impressionante”, acrescentou.

Diretora de Cultura desafiou parceiros

para realizar itinerância da mostra de Artur Pastor

Daí que a diretora regional de Cultura tenha desafiado o Arquivo Municipal de Lisboa para, em conjunto, dar a esta exposição uma itinerância por todo o Alentejo e por Portugal.

Este projeto de mostra começou a ser delineado num seminário do mestrado em Gestão e Valorização do Património Histórico Cultual, da Universidade de Évora, e evoluiu depois para uma colaboração entre o Arquivo Municipal de Lisboa- Fotográfico.

Agora, este conjunto de 50 imagens onde se documenta a vivência no Alentejo: a paisagem, a atividade económica, as “gentes” e as tradições desta região do país vai ser interpretada por cada uma das pessoas que visitar esta exposição, como afirmou Pedro Cordeiro, representante do Arquivo Municipal de Lisboa. “Pretendemos dar a projeção de um artista alentejano, de um filho da terra e é com grande orgulho e honra que saímos de Lisboa para estar presente aqui em Évora”. O mesmo responsável explicou que foi em 2001 que uma grande parte do espólio de Artur Pastor foi adquirida pelo Arquivo Municipal de Lisboa, depois da família ter mostrado interesse em partilhar o trabalho do fotógrafo.

A relevância do legado de Artur Pastor para o conhecimento da história, da morfologia e da identidade de centros urbanos da região foi igualmente salientada pela reitora da Universidade de Évora. “De salientar o trabalho que os alunos fizeram demonstrando interesse por coisas que são do Alentejo e esteticamente tão bonitas, tendo escolhido Artur Pastor para trabalhar, contribuindo para o merecido reconhecimento que ainda tarda”, frisou.

Ana Costa Freitas lembrou ainda a ligação do fotógrafo à agricultura que foi “o que esteve na génese desta universidade”, como tal, disse ser “um enorme gosto estarmos associados a esta exposição pelo valor que tem, dando a conhecer à cidade o trabalho deste autor”.

Artur Pastor nasceu em Alter do Chão, a 1 de maio de 1922 e faleceu em Lisboa, a 17 de setembro de 1999. O engenheiro e fotógrafo fez a sua formação académica na Escola de Regentes Agrícolas de Évora.

Na sua vida profissional conciliou estas duas atividades passando, a partir de 1953, a desempenhar funções como regente agrícola fotógrafo da Direção Geral dos Serviços Agrícolas. A sua vastíssima obra – mais de dez mil imagens - serviu de base à fototeca ministerial, documentando todo o tipo de trabalhos, cenas agrícolas, ou equipamentos técnicos do Estado. Mas a sua atividade como fotógrafo não se esgotou nessa dimensão.

Legado contribui para o conhecimento

da história e vivência da região

Percorreu todo o país e legou-nos uma vastíssima e relevante obra fotográfica que é um contributo notável para a história do nosso país. Participou em inúmeras exposições em Portugal e no estrangeiro, em salões internacionais, em concursos e colaborou em inúmeras publicações nacionais e internacionais.

Para a família, mais precisamente para o filho que herdou o nome, o gosto e a arte da fotografia, “é uma honra esta exposição estar na cidade de Évora”. Artur Pastor disse que já devia ter sido há mais tempo, tendo contado que “já várias vezes tinha sugerido isso porque o início da vida artística e profissional do meu pai começou aqui”.

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