feria san juan
Diario do Sul
MaloSaraMatos

Para responder à escassez de mão de obra agrícola

Ferreira do Alentejo quer aumentar população com luso-descendentes

A Câmara de Ferreira do Alentejo, com a parceria de algumas empresas da região, está a tentar fixar luso-descentes no concelho para aumentar a população e responder à falta de mão-de-obra no setor agrícola.

Autor :Roberto Dores

29 Março 2019

Neste momento decorre o levantamento de casas devolutas ou abandonadas para ali serem alojados os futuros trabalhadores. Nos últimos tempos têm chegado dezenas de luso-venezuelanos à freguesia de Alfundão.

Segundo avançou o presidente da Câmara de Ferreira do Alentejo, Luís Pita Ameixa, vários técnicos da autarquia estão a percorrer o concelho, rua a rua, para fazerem o levantamento dos imóveis abandonados ou desocupados. “Depois iremos falar com os proprietários para promover a colocação das casas no mercado de arrendamento ou de venda”, explicou o autarca, acreditando que as casas poderão ajudar, mais facilmente, a convencer a mão de obra luso-descendente a fixar-se no concelho.

Serão centenas os lares envolvidos neste projeto. Pita Ameixa explicou que a autarquia tenciona criar um fundo financeiro que permita reabilitar as casas degradadas, em conjunto com as empresas que estão interessadas nestes trabalhadores “e com outras entidades, como o próprio Governo”, ressalvou, revelando que se está a tentar uma fórmula jurídica que obviar este processo.

Pita Ameixa explica a estratégia do município que perdeu metade da população nos últimos 50 anos, tendo hoje pouco mais de 8 mil habitantes: “As pessoas que aqui se instalem terão depois a possibilidade de serem recrutadas para trabalharem nas empresas da região, que hoje está carenciada de mão de obra especializada para várias tarefas agrícolas”, justifica o presidente da Câmara, acrescentando que os trabalhadores sazonais “nunca chegam a especializar-se”.

Já as pessoas que ficarem no concelho poderão ter formação em vários setores, viabilizando uma rotatividade, por exemplo, entre as campanhas da uva, azeitona ou amêndoa e laranja nas várias épocas. Uma solução que, segundo o edil, “poderá segurar as famílias no concelho durante todo o ano.”

Pita Ameixa encara a chegada dos luso-venezuelanos ao concelho, nos últimos meses, como uma mais-valia para a terra, admitindo que a requalificação das casas e os futuros habitantes iriam ajudar a recuperar as ruas do concelho, onde a degradação avança à medida que os anos passam sobre os imóveis.

Este projeto de Ferreira do Alentejo começou a ganhar forma com a chegada dos primeiros 40 luso-venezuelanos à Herdade do Vale da Rosa, tratando-se de trabalhadores que o empresário António Silvestre Ferreira foi buscar à Madeira. Contudo, faz falta mais mão-de-obra numa empresa que chega a empregar uma média de 600 pessoas, chegando às mil durante o período de colheita da uva.

Vale da Rosa produz na ordem de 6 mil toneladas de uva de mesa gourmet entre 250 hectares de terra, embora no horizonte esteja o investimento na duplicação da vinha, o que abre portas a mais luso-venezuelanos que queiram trabalhar por estas paragens.

Foi o próprio empresário, também com uma vida ligada à emigração no Brasil, que arriscou ir à Madeira convencer luso-venezuelanos a trabalharem na sua herdade. A primeira tentativa, que contou com o apoio do governo madeirense, não colheu frutos, mas teria repercussões tempos depois, quando os primeiros 40 luso-venezuelanos rumaram até ao Baixo Alentejo para garantirem vida melhor nos campos agrícolas da região.

“São bons trabalhadores, aprendem depressa e são dedicados ao serviço que prestam”, resumiu António Silvestre, admitindo ter a portas aberta a mais cem luso-venezuelanos para que fiquem a tempo inteiro na herdade, assegurando especializações em várias áreas.

Dê-nos a sua opinião

NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.