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Diario do Sul
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Atenção a Alqueva

O duro combate no Guadiana contra o jacinto-de-água

Os funcionários da Confederação Hidrográfica do Guadiana (CHG) e da Unidade Militar de Emergências (UME) retiraram 60.000 toneladas de jacinto-de-água do rio Guadiana nos últimos meses.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

10 Abril 2019

Trata-se de uma planta invasora que é "uma grande ameaça" para o reservatório de Alqueva, como já admitiu o presidente da EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva), José Pedro Salema.

Desde o início dos trabalhos no combate ao jacinto-de-água, em 2004, foram retirados "mais de um milhão de toneladas" e desde que se incorporou a UME em outubro do ano passado a extração superou as 60.000 toneladas, segundo avançou o presidente da Confederação Hidrográfica do Guadiana, Samuel Moraleda. Cerca de 300 funcionários da CHG e cerca de 120 militares da UME, trabalharam na remoção da planta invasora perante uma superfície afetada de cerca de 170 quilómetros, entre Villanueva de la Serena, Mérida e Badajoz. 

Entretanto, o alerta máximo já tinha sido acionado na albufeira de Alqueva perante a multiplicação da planta invasora oriunda do Amazonas, que já está em Portugal, próxima do Caia (Elvas), ameaçando a qualidade da água. José Pedro Salema revelou que o combate a esta espécie "está a ser feito a tudo o custo", justificando que se a albufeira for colonizada pelo jacinto-de-água "teremos um desastre ambiental".

A invasora começou por dar sinais de vida no troço espanhol do Guadiana há mais de uma década, onde chegou - por descuido ou propositadamente, segundo os ambientalistas - pela mão humana, mas, apesar do intenso combate feito pelas autoridades do lado de lá da raia e dos 30 milhões de euros investidos, a planta propagou-se ao longo do rio "pintando" o leito de verde até águas nacionais.

"Há cinco anos que fazemos trabalho de prevenção, com instalação de barreiras entre as duas margens do rio. Em outubro já instalámos a quarta linha de defesa" revela José Pedro Salema, admitindo que a instalação das barreiras - feitas em tela e sustendo cerca de meio metro de rede habilitada a travar a passagem da planta - tem sido determinante, mas a EDIA também colocou no terreno uma equipa que durante o verão batia o troço internacional do Guadiana duas vezes por semana. 

O calor - temperaturas acima dos 27 graus - agrava a proliferação do jacinto de água e era preciso ter a certeza que as barreiras estavam a recolher todas as plantas. Por vezes há algumas que escapam. Quando isso acontece os técnicos têm que ser radicais no combate, saltando mesmo para a água e apanhando as plantas à mão.

O jacinto-de-água é flutuante, exibindo uma bolsa oca como se fosse o casco de um barco, com condições para facilmente se multiplicar, viajando em longos cursos de água. O troço espanhol do rio chegou a ser coberto pela praga em cerca de 175 quilómetros, havendo zonas em que a água não se via, tal era densidade ocupada pela invasora. 

A Confederação Hidrográfica do Guadiana estima que durante o verão tenham sido retiradas do troço espanhol cerca de 2 mil toneladas diárias de plantas pelas equipas de combate à infestação, com recurso a maquinaria pesada, como ceifeiras aquáticas. Uma espécie e trator flutuante que precisa apenas de uma profundidade próxima dos 30 centímetros de água para conseguir laborar, retirando as plantas do rio.

O jacinto- de-água impede a entrada de luz solar e a oxigenação das águas, com consequências na fauna e flora. Segundo os especialistas, a evaporação de água também passa a ser muito maior que o normal, além de que a decomposição da planta aumenta os níveis de procura química e biológica de oxigénio.

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