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Diario do Sul
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Vespa asiática também tem influência

Produção de mel cai no Alentejo por causa da seca

A produção de mel no Alentejo está em queda desde 2017, segundo revelam dados do Instituto Nacional de Estatística e que foram confirmados ao Diário do Sul por apicultores da região que se juntam aos colegas espalhados pelo país para reclamarem mais ajudas.

Autor :Roberto Dores

17 Abril 2019

Na origem da crise estão os sucessivos anos de seca, os incêndios e também a vespa asiática. Isto numa em que o número de produtores até tem aumentado.
As queixas são transversais aos produtores que integram a Associação dos Apicultores do Nordeste do Alentejo (Apilegre) e a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP), sublinhando que de 2016 para 2017 houve grandes quebras na produção de mel, com Manuel Gonçalves, diretor da FNAP, a dizer que a origem da queda está na prolongada seca e graves incêndios que afetaram Portugal há dois anos.
Sublinha que Portugal “é um país com bastante diversidade climática e de ecossistemas, o que justifica as diferenças de produtividade verificadas nas explorações apícolas das diferentes regiões”, regista, acrescentando que os fenómenos meteorológicos são preocupantes.
Isto porque a apicultura que se pratica por cá é feita em áreas naturais e de flora silvestre, o que implica uma elevada dependência do clima, ainda segundo Manuel Gonçalves.
Os especialistas indicam que a indefinição das estações anuais, com os períodos de seca prolongada e vagas de calor, por exemplo, têm consequências graves no efetivo apícola nacional. Quer isto dizer que perante a diminuição das épocas de floração aumentam as dificuldades do desenvolvimento das colónias.
No Alto Alentejo a produção de 2018 foi idêntica à de 2017, tendo sido marcada pela aplicação de fitofármacos, para combater e evitar pragas e doenças agrícolas face às condições climáticas. Ainda não estão totalmente apurados os números relativos à produção de 2018, mas os apicultores estimam que cada colmeia terá perdido, em média nos últimos dois anos, uma produção na ordem dos oito quilos de mel, baixando de 20 para 12 quilos.
Mas não é só pelo clima e pelos pesticidas que a produção de mel tem caído. Também a vespa asiática tem contribuído para agravar a crise, tendo chegado ao Alentejo em 2017. A vespa velutina ataca colmeias, tendo obrigado os bombeiros a destruir vários ninhos do inseto invasor no distrito de Portalegre. Há cerca de um ano o avistamento dos ninhos de vespa asiática começou por surpreender as corporações da região, mas hoje está confirmado que o inseto proveniente do Índia, China e Indonésia tem vindo a estender-se ao Interior do País.
A preocupação agrava-se, sobretudo, no verão quando a vespa regista máxima atividade e ataca colmeias em massa, tendo os bombeiros começado a receber chamadas de zonas onde nunca se tinha verificado a presença do inseto, como foi o caso de Portalegre.
A vespa velutina tem a cabeça preta com face laranja e amarelada. O corpo é castanho escuro ou preto, aveludado e delimitado por uma faixa amarela. As asas são escuras e as patas castanhas com pontas amarelas. Já os ninhos têm forma redonda ou tipo pera com uma abertura. Cada ninho pode albergar entre 2 mil a 13 mil vespas e mais de 150 fundadoras, que no ano seguinte poderão vir a criar seis novos ninhos.
A vespa asiática é um predador de outras vespas e abelhas, constituindo há algum tempo uma das maiores pragas das colmeias. Ainda assim, não é considerada mais perigosa para os seres humanos face à vespa europeia.

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