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Diario do Sul

O Festival de Mérida participa na Mostra Espanha 2019 em Portugal com a exposição 'Theatrum Mundi'

A mostra, que formou parte da programação da 64 edição analisa a arquitectura do Teatro Romano emeritense e estará no Museu de Lisboa de 1 de julho a 30 de agosto

08 Maio 2019

A arquitectura do Teatro Romano de Mérida, como cenário vivo e universal com mais de 2.000 anos de antiguidade, é o arquétipo arquitectónico de como eram os edifícios de teatro na época romana. A exposição Theatrum Mundi, que acolherá de 1 de julho até 30 de agosto no Museu de Lisboa, no âmbito da Mostra Espanha 2019, permite conhecer esta arquitectura e apreciar ainda mais a jóia patrimonial que é este monumento emeritense e que acolhe ainda as representações teatrais para as quais foi concebido. O projecto, que se inaugurou o ano passado na 64 edição do Festival de Mérida, é a contribuição da 65 edição a sua consolidada relação com a cultura lusitana e o nosso  passado comum romano.

O director do Festival, Jesús Cimarro, e a conselheira da Cultura e Igualdade da Junta de Extremadura, Leire Iglesias, acompanhados por diversas autoridades espanholas e lusas, apresentaram hoje em Lisboa esta colaboração, assim como a programação da 65 edição do Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida num acto no qual foi destacado a colaboração entre as instituções culturais de ambos os países.
Jesús Cimarro realçou o papel da cultura como "arma poderosa para romper fronteiras" e colocou o Festival de Mérida e o seu cenário principal, o Teatro Romano de Mérida, objeto da exposição que acolherá o Museu de Lisboa, como baluarte do passado e da história que Espanha e Portugal compartilham.
Mostra Espanha é um programa de actividades culturais que se desenrolam em diferentes localidades de Portugal e têm como finalidade principal mostrar o dinamismo e a creatividade das indústrias culturais espanholas no momento actual. A sua finalidade é oferecer experiências para o diálogo entre os dois países que permitam criar projectos comuns num futuro imediato.
A exposição é o resultado de sete anos de trabalho de uma equipa de pessoas dirigidas pelos arquitectos Jesús Martínez Vergel e Rafael Mesa Hurtado, que participaram nas últimas restaurações a que foi submetido o monumento e que deu como resultado um livro que, de igual modo que a exposição, copia dados históricos, projectos e fotografias inéditas do teatro que permitem recriar como foi a sua origem. Também desenhos de secções e plantas do estado actual do edifício separando as partes originais das partes que foram restauradas.
Tomando como base o estado actual e suas restaurações, a equipa de trabalho fez uma análise crítica para saber como era o teatro na época romana quando ainda tinha todo o seu revestimento de estuque vermelho. Isto criou uma imagen muito diferente da que se tinha actualmente do teatro como ruína arqueológica.
A exposição organiza-se em 3 níveis: O inferior com os planos da realidade actual e os das diferentes restaurações; o nível intermédio das palavras onde se explica as partes do teatro e o nível superior onde estão as imágens em computador que recriam como era o Teatro na época romana.
O título Theatrum Mundi faz referência à dupla condição do Teatro de Mérida como arquétipo de teatro romano, e o tópico literário que entende a realidade de onde vivimos como um cenário onde todos somos actores representando os nossos diferentes papéis e não importa o que somos senão o papel que representamos.
A edição mais internacional
O Teatro Romano da capital extremenha acolherá, entre os dias 27 de julho e 25 de agosto, a 65 edição do Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida com um total de nove grandes espectáculos, seis de teatro (todas estreias absolutas), duas de dança e uma ópera no seu cenário principal: o Teatro Romano de Mérida. A este cenário há que somar os teatros romanos de Medellín, Regina e Cáparra e os diversos espaços da cidade de Mérida onde se desenrolam a ampla programação Off com mais teatro, cine, conferências, exposições, oficinas e mostras de rua, entre outras actvidades.
Esta edição do Festival Internacional do Teatro Clássico de Mérida, a oitava consequtiva que dirige Jesús Cimarro através da Pentación Espectáculos, prosegue com a sua aposta pela nova criação, com textos inéditos e originais nunca representadas neste cenário, como Viejo amigo Cicerón ou Pericles, príncipe de Tiro.
Desta edição destacamos o arranque com três funções, os dias 27, 29 e 30 de junho, da o?pera Sanso?n y Dalila, dirigida por Paco Azori?n, a mu?sica emdirecto da Orquesta de Extremadura e o Coro de Ca?mara de Extremadura e a presença em palco de mais de 400 pessoas de associações como Plena Inclusio?n, ADABA, ONCE, Secretari?a del Pueblo Gitano, Down Extremadura, FEDER, COCEMFE, APNABA, FEXAS.
Junto com a o?pera, esta edição aposta também pela dança pela mão de Rafael Amargo e su Dionisio (16 e 17 de julho) e a Anti?gona dirigida por Vi?ctor Ullate e Eduarlo Lao (de 19 a 21 de julho), que representam a programação mais internacional, pensada para atrair pu?blico fora das nossas fronteiras.
Internacional é também a co-produção com Iberescena, o Festival Internacional de Artes ce?nicas do Uruguai e o Festival do Mercosur de Argentina dePericles, pri?ncipe de Tiro, de William Shakespeare, dirigida por Hernán Gene?, de 10 a 14 de julho.
Um texto original de Ernesto Caballero, Viejo amigo Cicero?n, sob a direção de Mario Gas (de 3 a 7 de julho); Prometeo, con Lluis Homar, dirigido por Jose? Carlos Plaza (de 24 a 28 de julho). E Metamorfosis, com Concha Velasco, dirigida por David Serrano (de 31 de julho a 4 de agosto e de 7 a 11 de agosto)enchem de estrelas o teatro de Me?rida. As propostas extremenhas da 65 edição são a obra musical La corte del farao?n, dirigida por Ricard Reguant (de 14 a 18 de agosto), e outro Shakespeare, Tito Andro?nico, dirigido por Antonio C. Guijosa, com Jose? Vicente Moiro?n, entre outros (de 21 a 25 de agosto).
O festival contará uma vez mais com nomes emergentes e consolidados do teatro contemporâneo e da dança nacional como os actores e actrizes Concha Velasco, José María Pou, Lluís Homar, Pepe Viyuela, Amaia Salamanca, Edu Soto, Adrián Lastra, Fran Perea, Ernesto Arias, Ana Fernández, María Isasi, Rafael Amargo, Pilar Castro, Lucía Lacarra, Alberto Iglesias, Belén Cuesta, Itziar Castro, Paco Arrojo, José Vicente Moirón, Gabriel Moreno o Josué Ullate, entre outros. Dramaturgos e adaptadores como Ernesto Caballero, Joaquín Hinojosa, Luis García Montero, Ricard Reguant, Juana Escabia y Nando López, e directores como Paco Azorín, Mario Gas, Hernán Gené, José Carlos Plaza, David Serrano, Ricard Reguant e Antonio C. Guijosa. Todos eles procurarão emocionar o público emeritense e repetir o êxito de assistência e repercusão que acolheu ao Festival nos últimos anos.
Agosto em Mérida: mais teatro em bairros, cinema e conferências
No Off desta edição, cujas intervenções servem para divulgar a cultura clássica através de ações lúdicas e artísticas, voltará a desenrolar-se comrepresentações teatrais de pequeno formato em outros cenários da cidade, projecções cinematográficas, conferências, exposições, campo de voluntários, teatro para as crianças, uma série de aulas de mestrado, oficinas formativas e o segundo Encontro Internacional sobre jornalismo Móvel e Cultura.
A programação Off Agosto em Mérida é uma iniciativa, co-produzida e dirigida por TAPTC? Teatro e o Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida, que contribuie para revitalizar espaços arqueológicos da cidade como o Templo de Diana, o Pórtico del Foro e as Termas de calle Pontezuelas, devolvendo a estes cenários a cultura clássica greco-latina durante os meses de julho e agosto, e também estender o festival a outros bairros da cidade maisafastados do centro.
Aliás, o Festival de Mérida contribui este ano para impulsionar a inclusão na cultura com a representação da comédia Afrodita, uma obra de teatro inclusivo que levará a cena a companhia canária Antígona, formada por invisuais e pessoas com incapacidade visual graças à colaboração com o Grupo Social ONCE. A representação terá lugar dia 7 de agosto no Templo de Diana.
E dentro da programação Cinema Aestas, estará dedicada às Heroicas. Serão projectadas no Pórtico del Foro todas as segundas-feiras as películas Mary ela flor de la bruja, Carmen e Lola, Girl, La batalla de los sexos, Comandante Arian, Función de noche, Alma mater e Alien, o 8º pasajero.
Também, se celebrará o oitavo Ciclo de Conferências Encontro com os clássicos, que um ano mais será coordenado pelo catedrático da Universidade da Extremadura Santiago López Moreda. Las conferências terão lugar de 10 a 19 de julho no Museu Nacional de Arte Romano.
Nesta edição, o terceiro encontro de criadoras cénicas levará por título El efecto Telémaco e as romanas rebeldes. 

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