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11º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo realizou-se em Évora

Futuro passa por apostar em castas resistentes às alterações climáticas

O futuro e a sustentabilidade do setor do vinho em termos económicos, sociais e ambientais foram os temas em foco na 11.ª edição do evento internacional promovido pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA). De acordo com o presidente, Francisco Mateus, o encontro, realizado de três em três anos, pretende divulgar o conhecimento técnico e científico ligado ao mundo da vinha e dos vinhos e promover a troca de experiências e o contacto direto entre investigadores e técnicos desta área. O balanço foi

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

23 Maio 2019

O balanço foi positivo e o dirigente considerou que o setor, apesar de alguns constrangimentos, tem caminho a percorrer, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região.

O Alentejo é responsável por 13 por cento do total da área nacional de vinha e, na última campanha, a região produziu 18 por cento da produção de vinho do país. Estes e outros dados foram avançados neste simpósio que decorreu em dois dias da passada semana e que terminou com uma mensagem de esperança para o setor.
O presidente da CVRA salientou o facto desta edição ter tido mais participantes do que a de há três anos. “É muito bom estar a olhar para a plateia e ver muita gente nova, nomeadamente técnicos e investigadores novos, isto significa que estamos a rejuvenescer”, frisou.
Francisco Mateus afirmou que outra das razões que levou a esta maior adesão foram os temas abordados. “A atualidade dos assuntos que foram discutidos, olhando para o futuro e tentando ser melhores do que temos sido até aqui foi decisiva”, sublinhou, adiantando que a região tem que estar “sempre com um pé no futuro e acompanhar os tempos próximos. É esta uma marca que o Alentejo tem”.
Do simpósio, o dirigente da organização destacou ainda a intervenção do professor alemão Reinhard Töpfer que considerou que os viticultores devem apostar em “castas mais resistentes para se adaptarem às alterações climáticas”, tendo desafiado os produtores em Portugal, sobretudo no Alentejo, a testarem novas variedades.
O investigador lembrou que os desafios que enfrentamos são ambientais, devido às alterações climáticas e de sustentabilidade. Logo, defendeu que os produtores têm que se adaptar a estas mudanças e participar em algumas experiências, dando o exemplo de que “as castas tradicionais existentes têm pontos fortes e pontos fracos e que, nesta preparação para o futuro, os viticultores devem começar a experimentar novas coisas que, se calhar, estão melhor adaptadas a determinados ambientes e condições climatéricas”.
Um testemunho que, na opinião de Francisco Mateus, merece toda a atenção. Igualmente importante foram as reflexões sobre a gestão da água. “A vinha consegue viver e produzir sem uma quantidade brutal de água, portanto, nós temos que saber fazer essa gestão da água. Temos que lhe dar a água que ela necessita para poder dar o fruto e para sobreviver”, alertou.
A importância da reciclagem e do enoturismo que “é importante para trazer pessoas ao Alentejo” foram outras das temáticas mais relevantes abordadas. “Há que salientar que as intervenções que foram feitas foram relevantes, pois é sempre bom que haja alguém que nos abane e que nos diga que somos capazes de fazer melhor na nossa região”, vincou.

Digitalização das plantas é uma inovação mais-valia para o setor

Um outro assunto que mereceu destaque foi a digitalização da vitivinicultura. “Imagine-se o que é percorrer quilómetros de vinha e recolher dados sobre cada planta, poder tratá-los, trabalhá-los, poder tomar decisões com base em informação real. Isto mostra que o futuro passa precisamente por aqui”, garantiu.
Face a isto, o dirigente da CVRA concluiu que os participantes saíram da iniciativa com uma perspetiva de que o futuro para o setor vitivinícola “não vai ser fácil, mas há objetivos que nós conseguimos cumprir. Há um caminho e nestes dois dias foi possível defini-lo”.
O simpósio contou também com a colaboração da Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo (ATEVA), Universidade de Évora, Direção Regional de Agricultura e Pescas e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA).

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