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Diario do Sul

Monumento megalítico no concelho de Évora está em situação de “pré-colapso”

Anta Grande do Zambujeiro precisa “com urgência” de um projeto de restauro e conservação

O concelho de Évora é “povoado” por diversos vestígios do período Megalítico e muitos têm relevância a nível internacional, destacando-se antas, menires e cromeleques entre esses achados arqueológicos.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

21 Junho 2019 | Publicado : 18:12 (21/06/2019) | Actualizado: 18:24 (21/06/2019)

Um desses patrimónios é a Anta Grande do Zambujeiro, classificada como Monumento Nacional e situada em Valverde, na União de Freguesias de Nª Sª da Tourega e Nª Sª de Guadalupe.

De acordo com a autarquia, “este é monumento funerário único a nível mundial, quer pela sua antiguidade (cerca de 5000 anos antes de Cristo), quer pelas suas excecionais dimensões, sendo bastante procurado pelos turistas”.

No entanto, a sua degradação é evidente, alertando esta união de freguesias que “é especialmente preocupante a situação de pré-colapso da Anta Grande do Zambujeiro, ameaçando já a própria integridade física dos visitantes”.

A mesma autarquia referiu que, “apesar dos sucessivos alertas para esta situação, que culminaram recentemente na aprovação por maioria de uma 'resolução' na Assembleia da República, por iniciativa do Grupo Parlamentar do PSD, não se perspetivam ainda quaisquer medidas interventivas por parte da administração competente, quer da Direção Geral do Património Cultural, quer da Direção Regional de Cultura do Alentejo”.

Acrescentou que “a circunstância deste monumento nacional se encontrar em propriedade privada, tem servido de justificação para tal inoperância”.

Nesse sentido, “convidámos a Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP) a verificar 'in loco' a grave situação em termos conservação em que o monumento se encontra, no sentido de alertar, por meio dessa entidade, as autoridades competentes para se poder, o mais breve possível, elaborar um projeto de intervenção”, explicou António Silva, presidente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Nª Sª da Tourega e Nª Sª de Guadalupe.

Essa visita aconteceu na passada quinta-feira, contando com a presença do vice-presidente da AAP, Luís Raposo. Seguiu-se uma conferência de imprensa na sede do Grupo Pró-Évora, que se associou a esta causa.

Em declarações aos jornalistas, António Silva realçou duas possíveis intervenções que podem ser feitas na Anta Grande do Zambujeiro.

“Uma solução passa por, depois de recuperar e de consolidar as pedras do monumento, repor-lhe a cobertura original, que é terra, fazendo uma mamoa, ou seja, uma colina artificial que proteja o monumento”, esclareceu o mesmo responsável, frisando que “a visita ao monumento seria feita a partir de um corredor”.

Apontou ainda outra opção. “Apenas uma parte da anta é coberta, o que permitiria observar o tamanho fantástico que estas pedras têm, sendo feita uma estrutura de proteção artificial”, salientou.

António Silva evidenciou também “a existência de um passadiço bastante degradado que dá acesso ao monumento”, explicitando que “foi construído pela Câmara de Évora há 20 ou 30 anos”.

Como tal, admitiu que “teoricamente o município terá a responsabilidade da sua recuperação, mas, neste momento, estamos, a união de freguesias, em conjunto com a câmara, a tentar encontrar meios para proceder à recuperação antes que ocorra algum acidente”.

No final da visita, o vice-presidente da AAP avançou que “verifica-se aquilo que em grande parte já se sabia, ou seja, a Anta Grande do Zambujeiro encontra-se numa situação de degradação que é crescente, mas já é antiga”.

Para Luís Raposo, “o estado de abandono em que se encontra o monumento envergonha-nos a todos, comunidade nacional, mas também em termos internacionais, e como tal, alguma coisa tem de ser feita”.

Na sua opinião, “isso passa por um projeto que, eu penso, que será profundo, e até pesado financeiramente, de restauro e de preparação para visitação, com vista também à sua consolidação e reforço estrutural”.

Adiantou que “várias opções técnicas poderão ser decididas, mas para isso há uma primeira fase que é realmente estudar, optar e fazer uma ou mais propostas de projeto, que possam ser deduzíveis depois em caderno de encargos para obra, para que não continuemos neste impasse”.

Luís Raposo considerou que “não há razões, sequer financeiras, para que esta fase inicial não seja feita, pois é uma questão das diferentes partes, com especial responsabilidade do Estado (Ministério da Cultura, Direção-Geral do Património Cultura e Direção Regional de Cultura do Alentejo), se coordenarem”.

Focou que “apesar de teoricamente a lei atribuir responsabilidades aos proprietários do terreno, isso é uma coisa totalmente inconsequente, dado a natureza do património em questão, não podendo o Estado demitir-se das suas responsabilidades”.

Em paralelo, o vice-presidente da AAP sugeriu que “se desenvolvam candidaturas a fundos europeus para a concretização da intervenção”.

Segundo Luís Raposo, “ao mesmo tempo, seria importante que, sobretudo as autoridades locais, avançassem com 'pequenas grandes' obras, como a reparação de uma ponte de acesso ou a delimitação mais evidente das zonas de não acesso, até por questões de segurança”.

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