Diario do Sul

Arquivo Distrital de Évora apresenta exposições sobre profissões antigas e sobre a Ibero América no Alentejo

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

26 Junho 2019

Quatro concelhos do distrito de Évora, através de cinco entidades, assinalaram o Dia Internacional dos Arquivos, comemorado a 9 de junho, organizando exposições diferenciadas.
Trata-se da segunda edição da Festa dos Arquivos, um projeto dinamizado pela Rede de Arquivos do Alentejo - Distrito de Évora.
As entidades que desenvolveram iniciativas foram o Arquivo Distrital de Évora, os arquivos municipais de Évora, Estremoz e Redondo e ainda o CECHAP, Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património (Vila Viçosa).
No caso do Arquivo Distrital de Évora, foram inauguradas, no dia 6 de junho, duas exposições. Uma retrata "40 Profissões Antigas”, a outra intitula-se “Ibero América no Alentejo: Margens da Memória".
Ambas ficam patentes até ao próximo dia 31 de outubro e podem ser visitadas de segunda a sexta-feira, das 9 às 12h30 e das 14 às 17h30. A entrada é gratuita.
Em relação à exposição das profissões antigas, Jorge Janeiro, diretor do Arquivo Distrital de Évora, salientou que, “ao longo dos últimos três anos, temos vindo a divulgar mensalmente, através do Facebook, essas descobertas que fazemos”.
Explicou que, “muitas vezes, estamos a tratar a documentação e aparece-nos determinada profissão”, esclarecendo que, “às vezes, é reconhecida facilmente, mas na maior parte das vezes não sabemos o que é”.
De acordo com Jorge Janeiro, “algumas deixaram de existir devido à evolução tecnológica, por exemplo; noutros casos, foram os nomes que deixaram de estar em uso”.
Uma das profissões retratada é “bufarinheiro”, ou seja, um vendedor ambulante de bugigangas. Mas há também um “burzigueiro”, isto é, “alguém que fazia um determinado tipo de sapato”, referiu o mesmo responsável, frisando que “não havia só o sapateiro”.
Quanto à outra exposição, Jorge Janeiro realçou que “está também enquadrada na programação do Ano Iberoamericano dos Arquivos para a Transparência e Memória, uma iniciativa da Comunidade Iberoamericana, à qual nos associámos”.
Um dos aspetos que assinalou foi “o facto do Atlântico não ser uma barreira que separa, mas uma estrada que une e que uniu a América do Sul, sobretudo, à Península Ibérica e ao Alentejo, em concreto”.
Segundo o diretor do Arquivo Distrital de Évora, “temos uma presença em especial do Brasil na nossa documentação, com povoadores que foram do Alentejo para o Brasil e que depois, com os seus descendentes, regressaram a Portugal”.
Constatou que, “neste contacto, há transformações para os dois lados, os portugueses que foram daqui para o Brasil deixaram de ser uns portugueses metropolitanos; por outro lado, encontram no Brasil um mundo diferente e ao regressarem transportaram essas vivências, sendo isso visível na documentação”.
Ao mesmo tempo, Jorge Janeiro recordou que, “já no século XX, temos a onda de emigração para vários países sul-americanos e não só para o Brasil”.
Evidenciou que “existiam livros de registo de passaporte e cada pessoa que queria sair tinha de pedir autorização”, contando que “além dos dados pessoais e de haver uma descrição física, a pessoa tinha de dizer para onde é que ia, o que é que ia fazer e se ia acompanhado”.
O diretor do Arquivo Distrital de Évora mencionou ainda que “era muito comum as pessoas saírem em negócios, mas também viajavam a lazer, sobretudo, quem tinha mais posses”, lembrando que “as viagens de caráter religioso eram muito comuns”.

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