Diario do Sul
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ICNF prorroga prazo

Correção de densidade de javali alargada até setembro para prevenir peste suína

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vai prorrogar até dia 30 de setembro o prazo de licenciamento para as entidades titulares ou gestoras de zonas de caça interessadas em realizar medidas de correção de densidade de javali.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

17 Julho 2019

É uma medida especial que visa aumentar o abate da espécie – em crescimento descontrolado no país - para tentar reduzir o risco de contaminação da peste suína africana.
Como o Diário do Sul já avançou , a doença afeta nove Estados Membros da União Europeia (Bélgica, Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Itália, Hungria, Polónia e Roménia), tendo o próprio ministro da Agricultura, Capoulas Santos, admitido que se Portugal tiver “a infelicidade da doença entrar aqui isso vai-nos impedir de exportar, o que pode provocar um desastre muito grande”.
Os javalis são uma das maiores ameaças na propagação da peste suína africana, colocando em risco Portugal e Espanha face à elevada população que avança sem controlo na Península Ibérica. A preocupação chegou a ser manifestada pelo presidente da Associação de Criadores do Porco Alentejano, Nuno Faustino, para quem é chegada a hora de fazer o controlo do javali em Portugal, com recurso à caça, como forma de procurar reduzir, ao máximo, o perigo de contágio.
A resposta foi agora dada pelo ICNF. Segundo o Edital N.º 2/2019, é considerada a “necessidade de continuar a realização de medidas para controlo de efetivos populacionais de javali com vista à prevenção da peste suína africana assim como o reforço de medidas para a diminuição de danos causados em culturas agrícolas e florestais”, poder ler-se no documento.
O mesmo edital sublinha ainda a importância de ser promover “mais ações de âmbito nacional que conduzam a uma maior eficiência no controlo daquelas populações”.
É na linha de fronteira com Espanha, na larga extensão entre Idanha a Nova e Moura, que reside o maior risco epidemiológico de javali, que pode chegar aos animais domésticos, já que os javalis se movimentam sem controlo à procura de comida, estando as maiores populações concentradas entre as bacias do Tejo, Sorraia e Sado, procurando ainda os regadios do Alto Alentejo, abrangidos pelo perímetro da barragem de Alqueva.
Aliás, é no Alentejo e Ribatejo que conseguem encontrar pivôs de milho que têm a comida, água e a cobertura ideal que a espécie procura.
A correção de densidade de javalis pode ser feita pelo processo de espera e ainda de batida com recurso a cães e ou armas de fogo, revelando o ICNF que a autorização para correção da densidade de javalis deve ser pedida pelas entidades titulares ou gestoras de zonas de caça, preenchendo o modelo 1 anexo ao Edital N.º 2/2019. O pedido deverá ser entregue diretamente nos serviços do ICNF, ou através de uma das organizações do sector da caça de 1.º nível.
A peste suína africana não é transmissível aos seres humanos – embora seja mortal para os animais – mas a sua entrada em Portugal teria implicações “muito graves” na economia do setor, sobretudo no Alentejo, onde as estimativas apontam para cerca de 35 mil porcos de montanheira.

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