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Diario do Sul

Património imaterial classificado pela Unesco está em destaque

Paço dos Henriques, em Alcáçovas, acolhe exposição permanente dedicada à arte chocalheira

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

09 Agosto 2019

Há cerca de três anos, o Paço dos Henriques, em Alcáçovas, foi alvo de um projeto de requalificação, podendo ser usufruído de uma forma mais plena pela população e visitantes.
No dia 26 de julho, ganhou mais um motivo de atração, com a inauguração de uma exposição permanente dedicada ao fabrico de chocalhos, classificado pela Unesco, em 2015, como Património Cultural Imaterial da Humanidade com Necessidade de Salvaguarda Urgente.
Segundo Bernardino Bengalinha Pinto, presidente da Câmara de Viana do Alentejo, “o que nós pretendemos é dar continuidade ao Plano de Salvaguarda do Fabrico dos Chocalhos e continuar a promover e divulgar o nosso património, particularmente o imaterial, valorizando os chocalheiros e a arte chocalheira”.
Para além disso, “também queremos dar vida a este edifício, requalificado no âmbito de uma candidatura a fundos comunitários”.
Na sua perspetiva, “será mais um meio de divulgação de todo o património do nosso concelho, quer material, quer imaterial”.
O autarca frisou que “a exposição permanente está mais virada para a arte chocalheira, mas não se restringe ao fabrico de chocalhos, mas um pouco ao património imaterial português que foi classificado pela Unesco”.
Assegurou que, “desde a classificação da arte chocalheira, nota-se de facto uma maior visita por parte dos turistas”.
Bengalinha Pinto assumiu ainda que “o nosso concelho tem potencialidades para um futuro risonho e sustentado se aproveitar todos os pequenos projetos que vão acontecendo, como é o caso da Estrada Nacional (EN) 2”.
Exemplificou que “há muitas pessoas a percorrerem a EN2 e quando passam por aqui querem ver o que há de maior relevo, como o Paço dos Henriques ou o fabrico dos chocalhos”.
A exposição permanente que agora está no Paço dos Henriques tem como suporte uma plataforma digital, www.pagus.pt, o que aumenta a interatividade com os visitantes.
Em declarações ao Grupo Diário do Sul, Paulo Lima, diretor do programa Pagus, explicou que “esta é uma exposição que se divide em três partes”, adiantando que “somos convidados a conhecer desde logo um pouco mais sobre o Paço dos Henriques”.
Recordou que “este é um edifício histórico e cuja memória histórica está associada a alguns acontecimentos importantes não só a nível local, mas também para a história europeia e mundial porque foi aqui que, em 1479, foi assinado o Tratado das Alcáçovas, que é a primeira divisão do mundo”.
De acordo com o mesmo responsável, “depois temos três salas dedicadas ao fabrico dos chocalhos, uma explicando o que é e como se faz; outra a explicar para que é que serve e quem o usa (humanos e não humanos); e uma última sobre quem o faz e quem o fez”.
A esse respeito, evidenciou que, “ao longo deste processo de investigação, fizemos o levantamento de todos os chocalheiros desde 1740 até aos dias de hoje que trabalharam em loja aqui em Alcáçovas, mas também noutros locais”, especificando que “só nas Alcáçovas foram uns 150 chocalheiros, mas depois também existiam alguns esquilaneiros”.
O diretor do programa Pagus referiu ainda que “nas Alcáçovas, atualmente, há três casas de chocalheiros e uma de esquilaneiros, uma das últimas em Portugal”.
Relativamente à exposição, focou que “há também uma outra sala sobre o património imaterial”, apontando que “neste edifício tudo tem a ver com a memória coletiva e, por isso, temos mais uma sala dedicada à história oral, na qual convidamos as pessoas a depositarem uma memória”.
Outro ponto salientando por Paulo Lima foi que “um dos grandes investimentos neste projeto é a plataforma Pagus, onde, pela primeira vez em Portugal e não só, temos apenas numa plataforma desde o património natural, cultural (imóveis, objetos e imateriais) e documental, totalizando cerca de 30 mil registos, de um território que vai entre Évora e Beja, entre Barrancos e Sines, tendo o seu epicentro nas Alcáçovas”.
Em nota de imprensa, o município local destacou que, “nessa plataforma, os conteúdos podem ser acedidos de forma autónoma, pela exposição em mesas digitais ou em QR-Codes (código de barras) no exterior”.
É ainda realçado por Paulo Lima que “dotámos o Paço dos Henriques de meios para poder acolher exposições temporárias e houve uma nova 'roupagem' ao nível da iluminação no Jardim das Conchas”.

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