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Diario do Sul

Projeto Alentejo Saúde 2019

Campanha sobre testamento vital tem contribuído para esclarecer população

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação DS

19 Agosto 2019

Foi no passado mês de julho que começou uma campanha informativa sobre o testamento vital, realizada no âmbito do Alentejo Saúde 2019, um projeto apoiado pelo Orçamento Participativo Portugal (OPP).
Esta campanha tem decorrido no distrito de Évora e consiste no envio, via CTT, de um folheto para divulgar a existência do testamento vital.
Segundo o mesmo folheto, “o testamento vital é uma manifestação do cidadão, na qual pode expressar a sua vontade, referindo os cuidados de saúde que quer, ou não, receber se estiver numa situação clínica sem autonomia para expressar a sua decisão”.
Relativamente ao Alentejo Saúde 2019, lembrar que este projeto foi proposto pelo médico interno de Formação Geral João Figueira, cabendo a gestão e acompanhamento à Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) - Direção de Serviço Região do Alentejo. Quanto à implementação, é da responsabilidade da Inforensino - Ensino de Informática.
Realçar também que o projeto prevê, no total, a realização de dez iniciativas (oito palestras, um workshop e uma campanha informativa) que decorrem entre março e novembro deste ano.
Dar ainda nota de que a próxima palestra está agendada para setembro, cuja temática vai ser sobre a gripe e constipação – vacinação.
Em relação à campanha que está a decorrer, o Grupo Diário do Sul entrevistou o proponente do projeto para conhecer com mais pormenor o que está em causa quando falamos do testamento vital.
No que diz respeito à escolha deste tema para ser abordado no âmbito do Alentejo Saúde 2019, João Figueira explicou que “desde o início o projeto tinha um objetivo muito claro, o de aumentar a literacia em saúde da população, com o fim de a tornar mais consciente e participativa nas decisões sobre a sua saúde”.
Nesse sentido, constatou que “o testamento vital, mais que um documento, é um direito, desconhecido infelizmente pela maior parte da população e, por isso, quisemos aproveitar as circunstâncias para divulgá-lo”.
De acordo com mesmo médico interno, “o testamento vital é um documento onde podemos manifestar as nossas vontades relativamente aos cuidados de saúde que queremos ou não receber no caso de ficarmos impossibilitados de expressar a nossa opinião”.
Exemplificou que, “no caso de padecermos de uma doença incurável e em estado terminal, quando estejamos já impossibilitados de expressar a nossa opinião, é nos permitido deixar determinado que não queremos ser reanimados”.
Na sua opinião, “mais importante que todos expressem a sua vontade, é que todos conheçam a existência deste documento, que é um direito e que permite colocar em prática um dos princípios éticos da medicina, o da autonomia do doente”.
Considerou que, “certamente, não terá a mesma importância para todos, mas para algumas pessoas será determinante na sua vida”.
João Figueira salientou que “quando a pessoa não tem um testamento vital, as decisões são discutidas em conjunto com a equipa médica”, esclarecendo que, “no caso de o doente estar inconsciente, a opinião dos familiares mais próximos também é obviamente considerada”.
Disse ainda que “se a equipa médica for informada da existência de um testamento vital ativo, este será consultado e serão respeitadas as decisões do doente”, frisando que, “em contexto de urgência, nem sempre é fácil verificar a existência ou não deste documento, já que podem existir cuidados a prestar inadiáveis”.
O testamento vital prevê que seja possível nomear um procurador de cuidados de saúde. O médico interno focou que “é a pessoa escolhida pelo doente para decidir por ele quando a situação clínica o justificar”.
A esse respeito, adiantou que “é necessária uma declaração de aceitação por parte do procurador com assinatura presencialmente reconhecida por um notário ou por um funcionário do Registo Nacional do Testamento Vital, desde que devidamente habilitado”.
Para João Figueira, “um documento desta importância pode e deve ser previamente discutido com o médico de família ou outro próximo”, garantindo que, “com certeza, conseguirão elucidar algumas questões e contribuir com o seu ponto de vista mais experiente”.
Não obstante, recordou que, “de qualquer forma, a palavra final é do cidadão e, apesar de ser recomendado, não é obrigatório”.
Em jeito de conclusão, o médico mencionou que “os folhetos ainda se encontram em distribuição, sendo por isso cedo para avaliar o balanço da atividade”.
Na sua perspetiva, “futuramente, talvez fosse interessante investigar se esta campanha teve, ou não, um real impacto no número de pedidos de testamentos vitais”, assegurando que, “de qualquer forma, é certo que finalizada a ação teremos uma população mais consciente, informada e conhecedora dos seus direitos”.
No que se refere ao próprio projeto Alentejo Saúde 2019, o proponente evidenciou que “está a cumprir e a superar todas as expectativas, pois, inicialmente, o medo da pouca adesão era grande, uma vez que se tratam de temas delicados e pesados dos quais temos tendência a fugir”.
Garantiu que “as salas praticamente cheias e o interesse demonstrado por aqueles que participaram falam por nós e deixam-nos com uma sensação de dever cumprido”.
João Figueira destacou que “queremos continuar um bom trabalho sempre com o objetivo de conseguir cidadãos mais informados, conscientes e participativos, fundamentais para uma sociedade com futuro”.
No Portal do SNS ou na página da Direção-Geral da Saúde é possível encontrar mais informações sobre o testamento vital e de quais os procedimentos a tomar para ativar este documento.

VOX-POP

O que sabe sobre o testamento vital?

1 - Recebeu recentemente um folheto informativo sobre o testamento vital?

2 - Já sabia o que era?

3 - Ficou mais esclarecido/a?

4 - Ainda tem dúvidas sobre o assunto?

5 - Tem um testamento vital ou alguma vez ponderou fazer? Porquê?

6 - Considera importante este tipo de campanhas?

José Alberto Oliveira, 52 anos, Bencatel

1 – Sim, recebi o folheto na caixa do correio.

2 - Sim, já tinha ouvido algo sobre o assunto.

3 - O folheto trouxe alguns esclarecimentos, mas também criou curiosidade sobre o assunto.

4 - As dúvidas são sobretudo pela novidade da problemática. Contudo, considero a opinião médica mais capaz de avaliar as necessidades de cuidados e tratamentos perante a incapacidade pessoal de predeterminar o que poderá ser adequado.

5 - Não tenho testamento vital pelas razões atrás apontadas.

6 - Considero qualquer campanha que seja para acrescentar conhecimento aos direitos de cidadania muito importante.

Luísa Gomes, 31 anos, Évora

1 - Não recebi o folheto, mas já tive acesso ao mesmo.

2 - Sim.

3 - Sim.

4 - Não.

5 - Não tenho testamento vital e também ainda não ponderei fazer. Penso que tem de ser algo muito ponderado, de forma a abranger as várias situações pelas quais poderíamos vir a passar em caso de doença.

6 - Sim. É importante dar a conhecer previamente as várias possibilidades que há em caso de doença que nos incapacite de expressar a nossa vontade.

Daniela Marques da Silva, 30 anos, Évora

1 - Não me apercebi de ter recebido o folheto via correio na minha morada, no entanto tive acesso à informação pela página do Facebook do Alentejo Saúde 2019.

2 - Por acaso, não sabia ao certo do que se tratava.

3 - Sem dúvida que fiquei mais esclarecida.

4 - Achei a informação bastante explícita e objetiva, pelo que não tenho dúvidas quanto ao tema em questão.

5 - Não tenho nenhum testamento vital e confesso que até então não pensava no assunto. No entanto, após ter acesso a esta informação mais detalhada, acho um tema bastante pertinente e que certamente vai merecer a minha reflexão mais profunda. Não vou excluir a hipótese de fazer o testamento vital, até porque considero crucial ir ao encontro das nossas vontades perante a nossa própria vida, mesmo quando a nossa saúde, seja por que motivo for, não nos deixa expressar ou tomar decisões momentâneas. Se existir algo escrito onde esteja explícito os nossos desejos poderemos ficar em paz com a nossa própria consciência. Será a nossa vontade que prevalecerá e não a vontade do outro.

6 - Considero bastante importante este tipo de campanhas, pois desta forma a população fica mais consciente e mais esclarecida sobre temas tão fulcrais como é o caso do testamento vital.

Pedro Branco, 41 anos, Évora

1 - Não me recordo de ter recebido o folheto.

2 - Já tinha alguma noção sobre o testamento vital.

3 - Foi com a página da Direção-Geral da Saúde que fiquei mais esclarecido sobre o testamento vital e a diretiva antecipada de vontade.

4 / 5 - Ainda não fiz um testamento vital, mas pondero fazê-lo. Tenho algumas dúvidas pessoais sobre o assunto e preciso de refletir sobre algumas das hipotéticas situações limite.

6 - Este tipo de campanha é importante, no sentido de promover o esclarecimento das pessoas e a reflexão sobre estes assuntos.

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