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Diario do Sul

No âmbito do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

Alentejo volta a aderir à “Campanha Setembro Amarelo”

O Dia Mundial da Prevenção do Suicídio celebra-se no dia 10 do próximo mês, mas esta efeméride assinala-se ao longo de todo o mês de setembro. O objetivo é consciencializar a população para a prevenção do suicídio, uma problemática que tem particular incidência na região Alentejo.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção «Diário do SUL»

26 Agosto 2019

Esta campanha de sensibilização dá pelo nome de “Setembro Amarelo” e teve início no Brasil, em 2015, quando um grupo de psiquiatras da Associação Brasileira de Psiquiatria decidiu alargar a comemoração do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e realizou atividades ao longo de todo o mês de setembro, tornando-se uma campanha a nível nacional.

Por terras lusas, foi em 2017 que o projeto começou a ter expressão, através da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA). No ano passado, já decorreram ações em diversos pontos do país, nomeadamente no Alentejo, promovidas pelos serviços de Psiquiatria de Beja, Portalegre, Évora e Santiago do Cacém, com o apoio de outras entidades.

Este ano, estão a ser preparadas novas atividades, com o objetivo de despertar a população para este problema.

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), na informação disponibilizada na sua página de internet, “o Programa Nacional Para a Saúde Mental da DGS associa-se ao Projeto ARIS, desenvolvido pela ARIS da Planície - Associação de Promoção da Saúde Mental do Baixo Alentejo, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, uma vez que esta associação adotou o conceito da 'Campanha Setembro Amarelo' e implantou-o no Alentejo”.

É ainda sublinhado que neste território “o suicídio tem uma expressão significativa”, adiantando, que “de acordo com os dados conhecidos, é nesta região que existe a maior taxa de suicídio a nível nacional, sendo na sua maioria homens com idade superior a 65 anos”.

A mesma fonte explicou que o projeto “'Setembro Amarelo' é uma campanha internacional de consciencialização sobre a prevenção do suicídio, que comporta diversas iniciativas formativas, culturais e desportivas, e que decorre durante o mês de setembro, com o propósito de chamar a atenção da população para esta problemática, combatendo o estigma e promovendo a saúde mental”.

A propósito desta campanha, numa entrevista realizada no ano passado na Rádio Telefonia do Alentejo, o psiquiatra José Palma Góis, diretor do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) explicitou que “muitas vezes podemos não compreender o que leva alguém ao suicídio, mas poderemos explicar o processo que levou a esta prática”.

Realçou que “cerca de 90 por cento das pessoas que se suicidam terão uma doença psiquiátrica que seria passível de ser diagnosticada, ou que até já foi diagnosticada, e, destes, cerca de metade sofre de depressão grave”.

No entanto, o mesmo responsável garantiu que “há outras situações que levam ao suicídio, como a esquizofrenia, doenças do foro ansioso, stress pós-traumático, pessoas que têm doenças de pânico complicadas, o consumo de drogas e de álcool em excesso, pessoas com um historial de abuso no passado ou situações complicadas que estejam a passar no momento, como um divórcio ou o desemprego, por exemplo”.

Palma Góis frisou que “muitas vezes, os sinais de alerta só são percebidos a posterior, mas devemos estar atentos a alguns, como a pessoa começar a falar mais na morte e no suicídio ou tomar decisões que mostram que está a 'arrumar' a sua vida”.

O psiquiatra alertou que “um erro que não devemos cometer é pensar que quem diz que se mata, não o faz”, assegurando que “todas as ameaças devem ser levadas a sério”.

Na sua opinião, “devemos pedir ajuda a um profissional o mais depressa possível, como o médico de família, psicólogo, psiquiatra ou na emergência hospitalar”.

Na mesma ocasião, a psiquiatra Ana Matos Pires, diretora do Serviço de Psiquiatria da ULSBA, esclareceu que “o suicídio é uma problemática particularmente marcada na região Alentejo, apesar de, em Portugal, não termos dados confiáveis sobre o suicídio”.

A mesma especialista referiu que “os últimos dados a nível nacional apontam para 13 a 14 suicídios por cada 100 mil pessoas, sendo que no Alentejo o valor será três vezes superior”.

Relativamente à “Campanha Setembro Amarelo”, estão a ser ultimadas as iniciativas que vão acontecer no próximo mês, um pouco por todo o país, no âmbito deste projeto, devendo estar disponível em breve o programa completo.

De qualquer modo, é possível adiantar que vai decorrer o Cycle Around the Globe, um evento de ciclismo a interligar as capitais alentejanas. No caso de Évora, o Templo Romano será novamente iluminado por luzes amarelas durante o mês de setembro.

Destacar ainda que está previsto que o programa da Rádio Telefonia do Alentejo Saúde Mental sem Tabus, feito em parceria com a MetAlentejo, tenha uma edição especial dedicada à temática do suicídio.

Dar nota ainda de que o Projeto Setembro Amarelo: Mês da Prevenção do Suicídio, da responsabilidade da Aris da Planície, através dos médicos internos do Serviço de Psiquiatria da ULSBA, Sónia Farinha da Silva e Paulo Barbosa, conquistou a segunda melhor classificação no concurso Comunicar Saúde.

Em nota de imprensa, a ULSBA focou que “os resultados foram anunciados no passado dia 14 de junho e, naturalmente, recebidos por toda a equipa com grande satisfação e euforia”.

Destacou ainda que, “com o concurso Comunicar Saúde, a Ciência Viva, entidade promotora, 'pretende apoiar projetos que respondam de forma efetiva e inovadora à necessidade de melhorar a comunicação da informação médica como forma de promover a literacia em saúde dos cidadãos'.”

Nesse sentido, “o Comunicar Saúde reconheceu o caráter inovador e o grande contributo do Projeto Setembro Amarelo: Mês da Prevenção do Suicídio para a promoção da literacia em saúde dos cidadãos e para a aquisição de competências de comunicação entre a comunidade de profissionais e o público em geral”, evidenciou a ULSBA.

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