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Diario do Sul

MORA

Exposição (per)cursos…. na Casa da Cultura

A exposição (per)cursos… foi inaugurada no dia 21 de Setembro na Casa da Cultura de Mora com a presença da vereadora Mafalda Lopes em representação da autarquia, que na ocasião se congratulou com a possibilidade de poder apresentar os trabalhos de Isa Duarte Ribeiro e Maria José Palla, um percorrido gesto generoso e interessante pelos mistérios da vida.

25 Setembro 2019 | Publicado : 11:35 (25/09/2019) | Actualizado: 11:41 (25/09/2019)

Este é um sinal em como a cultura está viva na cidade de Mora.

A exposição pode ser visitada até ao dia 27 de Outubro.

Maria José Palla, na ocasião afirmou que os trabalhos expostos, quase todos muito recentes, são o resultado de novas experiências. Não com colagens, mas uma intervenção nas fotografias com coisas diferentes, como por exemplo: plissar ou cozer fotografias.

A artista intitula-se como uma viajante que se desloca pelo mundo num ritual de passagem. Fotografar é expor-se, revelar-se, mostrar o interior de si próprio, o seu pensamento, os seus gostos, os seus sentimentos.

“Também ultimamente tenho efectuado uma reflexão sobre a vida e a morte, o auto-retrato é uma metamorfose é uma hiper imagem, uma linguagem dentro da linguagem.  Eu não desejo transformar-me noutro, mas o outro inunda a película, alaga a superfície da chapa. Torno-me um objeto duplo, uma imagem do que já foi.  Assim, quando me vejo estou reduzida à categoria de natureza morta. O modo recorrente desses auto-retratos , uma forma de assinatura, é uma sombra projectada, que se une ao corpo, um corpo negativo, esculpido na realidade e capaz de tornar o presente ausente.”

Isa Duarte Ribeiro expõe trabalhos nos quais está presente o ciclo de vida, seres que já foram vivos mas que já não o são, como borboletas, bichos de seda ou abelhas. E materiais de origem biológica, fragmentos de entidades vivas, como vagens, fios de cabelo, ou materiais por elas produzidos como citónias, fios de seda, favos de mel, ou mesmo cera pura.

É como que uma cristalização do momento da passagem da vida para a morte, uma pesquisa que efectua há muitos anos.

“Nesta exposição eu caso a joalharia, a que me dedico há muitos anos, com a pintura a que ultimamente me tenho dedicado pouco. É o que mostro no trabalho que tem uma aranha em metal pousada na teia, construída em seda e pura lã e que mimetiza o seu habitat, e outro com uma vagem em bronze.

O meu renovado interesse pela pintura foi despertado por uma exposição que vi recentemente em Paris – “La fabrique du vivant” – em que os trabalhos, que eram lindíssimos, eram feitos com coisas vivas. A realização desses projetos surgiram a partir de pesquisas para substituir os plásticos. Estavam expostas cadeiras construídas em micélio de cogumelos cuja utilização não pode interromper o nascimento de novos cogumelos destinados a alimentação e revestimentos para paredes com favos de mel que têm uma dupla função, a decoração e o isolamento.

A minha pintura sempre teve preocupações ambientais, eu não trabalho com tubos de tinta mas com pigmentos em pó. O acrílico resulta de junção de pigmentos com acetato de polivinilo e neste caso também misturado com cera.”  

Este trabalho não procura apenas a originalidade mas como uma forma de consciência ambiental, ética e política pretende ser crítico face aos efeitos perigosos para a vida do desenvolvimento assustador das tecnologias desnaturalizadoras.

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