Diario do Sul

Com a inauguração de três exposições no dia 12 de outubro

Novo ciclo de exposições do Centro de Arte e Cultura

O Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, inaugura, no dia 12 de outubro, três novas exposições: Fahrenheit, a consagração de Babel, de Luis Costillo, Boundless Objects [Objetos sem limites] e Arquiteturas Pintadas – figuração pós-conceptual espanhola.

10 Outubro 2019

Neste segundo ciclo expositivo de 2019, mantém-se a tónica nas expressões primordiais da linguagem e manifestação artística. Depois do desenho, é agora o objeto o foco e o mote de uma programação que se vai prolongar até 29 de março de 2020, e que representa uma aposta forte da Fundação Eugénio de Almeida na internacionalização do seu Centro de Arte e Cultura, através de parcerias institucionais e de colaborações diretas com curadores e artistas estrangeiros. Pretende-se, assim, criar mais oportunidades de aproximação do público ao universo da criação artística contemporânea internacional, dando a conhecer o trabalho de alguns dos seus protagonistas.

Em parceria com o MEIAC - Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo apresenta-se Fahrenheit, a consagração de Babel, uma significativa série de livros de artistas, coleções de trabalhos encadernados, pastas e caixas de conteúdos diversos reunidos por Luis Costillo – um dos mais importantes artistas extremenhos do final do séc. XX, início do séc. XXI.

A Fundação Eugénio de Almeida associa-se ao programa da Mostra Espanha 2019, uma iniciativa do Governo Espanhol, e acolhe a exposição Arquitecturas Pintadas, que propõe uma aproximação ao importante papel que a imagem arquitetónica desempenha na obra de pintores que renovaram o conceito da figuração nestas últimas três décadas, em Espanha.

Boundless Objects [Objetos sem limites] é um projeto próprio da Fundação, para o qual Monika Bakke, a curadora convidada, convocou práticas artísticas contemporâneas que questionam o modo como os objetos emergem nas suas constantes transfigurações.

 

Fahrenheit, a consagração de Babel

Apresenta-se uma seleção de trabalhos realizados pelo artista extremenho Luis Costillo desde 2005 até pouco tempo antes da sua morte (abril de 2019), com curadoria de José Ángel Torres.

Embora envolvendo diversas tipologias de criação artística, o núcleo fundamental da exposição compõe-se de uma extensa série de livros de artista, coleções de trabalhos encadernados, pastas e caixas com formas e conteúdos muito diversos.

Costillo usou os livros para formular propostas para as quais não conseguia encontrar expressão adequada sob a forma de obras para parede. E as palavras, que já estavam presentes na sua obra pictórica, encontraram uma nova via, na qual o literário se cruza com o plástico.

Para Luis Costillo, o livro de artista não era simplesmente uma coleção de trabalhos em papel encadernados, uma mera acumulação de folhas ilustradas. O livro é concebido desde o início como um todo, como uma entidade que deve ser apreciada na sua plenitude, um conjunto formado pelas inter-relações de todos os seus elementos, tanto formais quanto conceituais, temáticos e materiais.

Isso faz com que o relacionamento das obras com o público seja muito intenso. Para o espectador que tome um destes livros nas suas mãos, o processo íntimo de descoberta torna-se a base da experiência da visita; os livros podem ser explorados, folheados ou lidos de várias maneiras, indo para além das convenções da linguagem e da lógica. Não há regras ou instruções para nos embrenharmos neles. Nesse mundo de Babel, cada leitor é livre de seguir o seu caminho e construir sua própria narrativa, implicando nela todos os sentidos.

A exposição Fahrenheit, a consagração de Babel insere-se no Projeto Campo Abierto, uma parceria entre o MEIAC - Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz (Espanha) e a Fundação Eugénio de Almeida, visando a cooperação para a promoção e conhecimento do trabalho dos artistas originários das respetivas regiões, bem como o aprofundamento do diálogo e da cooperação transfronteiriços.

 

 Boundless Objects [Objetos sem limites]

O que são os objetos e de que forma ganham existência? Vivos e não-vivos, os objetos nunca são completos, estáveis ou inertes; eles surgem apenas em relações complexas e sempre dentro de contextos específicos.
Situada no cruzamento entre arte, filosofia, geologia, ecologia, física e tecnologia, esta exposição, com a chancela da Fundação Eugénio de Almeida tem como objetivo reunir práticas artísticas contemporâneas que questionam o modo como os objetos emergem nas suas constantes transfigurações.

Com curadoria da polaca Monika Bakke, apresentam-se obras de: Ana Leonor Madeira Rodrigues, Ana Rewakowicz, André Sier, Erica Seccombe, Izabella Gustowska, Jennifer Robertson, Kathy High, Marek Wasilewski, Marta de Menezes, Nikolaus Gansterer, Piotr Bosacki e Renata Rosado.

Todos os trabalhos exploram a natureza dos objetos enquanto realidade instável. Desde a bio-arte de Marta de Menezes, a objetos mais experimentais ou até de invenção científica como os de Ana Leonor Madeira Rodrigues; há também objetos enigmáticos como os de Ana Rewakowicz, outros de experimentação musical, e ainda os que virtualizam a sua existência, como os de Nikolaus Gansterer.

 

Arquitecturas Pintadas - figuração pós-conceptual espanhola

A Fundação Eugénio de Almeida associa-se ao programa da Mostra Espanha 2019 - produzida pelo Ministério da Cultura e Desporto Espanhol, em colaboração com a Direção Geral de Cultura e Património da Região Valenciana – e acolhe em Évora a exposição Arquiteturas Pintadas – figuração pós-conceptual espanhola, apresentada em Berlim, Varsóvia, Praga e Bucareste entre 2017 e 2018.

Trata-se de uma exposição coletiva, comissariada por Juan Cuéllar e Roberto Mollá, e inclui trabalhos de 17 artistas contemporâneos, pertencentes ou com afinidades à Figuração Pós-conceptual. É também um exercício sobre o papel da imagem arquitetónica na obra dos vários pintores espanhóis presentes. São eles: Ángel Mateo Charris, Marcelo Fuentes, Dis Berlin, Damián Flores, Carlos García Alix, Paco De la Torre, Teresa Tomás, Joël Mestre, Roberto Mollá, Jorge Tarazona, Fernando Martín Godoy, Elena Goñi, Juan Cuéllar, Guillermo Peñalver Fernández, Nelo Vinuesa, Gonzalo Elvira, Chema Peralta.

Estes artistas reivindicam a superfície pictórica como espaço de liberdade e como suporte adequado para realizar o que conceberam, com toda a independência, servindo-se habitualmente da pintura como moldura, objeto ou cenário das suas ideias.

Uma boa parte da estratégia criativa deste grupo de artistas baseia-se na fricção e no diálogo com linguagens e épocas diversas. A arquitetura, o desenho, o urbanismo e a pintura percorrem habitualmente um mesmo caminho olhando-se, como corredores de fundo, sempre de soslaio. Nesta exposição mostra-se um pouco desse caminho percorrido em conjunto, através de pinturas e desenhos, além de uma instalação tridimensional do artista Nelo Vinuesa e de uma videoprojeção da artista Teresa Tomás.

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