capital humano
Diario do Sul

Projecto INTREPIDA

Parcerias entre mulheres empresárias saem reforçadas em Évora

Construção de pontes, de parcerias, de colaborações, de desafios e de amizades. Tudo isto aconteceu em três anos do projeto INTREPIDA - Internacionalização das Mulheres Empresárias de Espanha e Portugal para a Inserção, Desenvolvimento e Alianças – e uma vez mais fez-se história na 4.ª edição do Fórum na cidade de Évora.

Autor :Organização / NERE

20 Fevereiro 2020

Organizado pelo Núcleo Empresarial da Região de Évora (NERE), parceiro oficial do projeto na região do Alentejo, em colaboração com o coordenador do projeto - a Fundação Três Culturas do Mediterrâneo – este fórum mostrou a simbiose que nasce da vontade de ir mais além e lançar-se em novos caminhos que visam a internacionalização.

A Capote’s Emotion conta que a sua presença na exportação assenta no “mercado da saudade”. Delfina Marques, gerente da empresa explica que a internacionalização é feita pelos clientes, “através dos nossos emigrantes. Quando vêm a Portugal fazem as encomendas e nós mandamos. No mundo onde houver um português nós vendemos os nossos capotes”. Mas a cooperação já foi também vivenciada pela empresária que lembra que foi convidada por empreendedoras espanholas a participar, o ano passado, numa mostra ligada à indústria da moda em Sevilha e “foi um sucesso”.
O ateliê e loja desta empresa foram um dos locais de visita das empresárias durante a realização da iniciativa, onde tiveram oportunidade de ver que “tudo é feito por medida e todos os materiais são nacionais, desde o botão até ao tecido e à pele”.

Susana Mendes, sócia-gerente da Pepe Aromas, agricultura orgânica certificada de figos da índia, ambiciona satisfazer as necessidades de consumo interno, bem como apostar na exportação, salientando a importância de parcerias nacionais e internacionais para uma otimização da rentabilidade, estudo e potencial da cultura. A empresária considera que “para que as exportações sejam, cada vez mais, os produtos devem ser de qualidade” e este desafio tem sido alcançado pela empresa.

A seu ver, o projeto INTREPIDA permite criar sinergias entre empresas portuguesas e espanholas, partilhar experiências e estabelecer connects de trabalho e de negócio. “No caso da Pepe Aromas, o projeto já nos valeu várias parcerias comerciais”, assevera, adiantando que um dos exemplos são as viagens de comboio que a empresa disponibiliza e que permite ao turista ficar a conhecer todos o processo desde a origem, da plantação, até ao produto final, os figos da índia. Esta experiência foi vivida pelas participantes deste fórum hoje à tarde.

Neste evento foram partilhados outros casos de sucesso também ao nível dos benefícios alcançados pela existência de parcerias e da internacionalização.

Paula Leitão tem a empresa Água Mole, em Cabeço de Vide, Alto Alentejo, sendo uma marca de produtos aromáticos. Para a empresária, o INTREPIDA tem sido “muito importante” para conhecer outras realidades, aceder a formações online, tendo como fim último “entrar mais longe e chegar à internacionalização”. A empresária afirma que já houve vários contactos de empresárias espanholas, aguardando-se a concretização das parcerias. “Os laços comerciais são decisivas, mas também as relações afetivas ajudam-nos também a crescer enquanto mulheres e empreendedoras”.

Joana Garcia tem a queijaria Monte da Vila, no Vimieiro, Alentejo Central, produzindo um produto feito a partir de ovelha, sal e cardo, completamente orgânico. “Sou nova no projeto, mas penso que é fundamental porque serve para partilharmos experiências e é inspirador”. E adianta: “Desde ontem, surgiram imensas sinergias com muitas empresas espanholas que enfrentam as mesmas dificuldades. Estes momentos permitem-nos aproximar e agregarmo-nos e acredito que se nos ajudarmos mutuamente podemos ir mais longe”. .

Do Algarve, mais precisamente de Loulé, é a empresária Sílvia Rodrigues que tem uma empresa de criação, produção e comercialização de joias ecológicas denominada Sigues. “As peças são feitas com papel de jornal e na última coleção introduzi o cobre. Trouxe das cataplanas o cobre, descontextualizei-o e trouxe-o para a ourivesaria”, explica. A empresária está no projeto INTREPIDA desde o início e afirma que ele tem-lhe aberto janelas de internacionalização. “É um grande contributo para empresárias como eu conhecer outras empresárias porque abrem-se perspetivas diferentes que nos permitem progredir”. A empresária participou na maior feira de moda flamenca para a qual criou uma coleção inspirada na cultura andaluz e que “foi muito bem aceite. Este ano, em fevereiro, estive na semana da moda de Sevilha onde voltei a apresentar a coleção em desfile”.

Da Andaluzia surgem Las delicias del Palacio del Dean de Natalia del Aguila Garcia, uma empresária que confeciona marmeladas e conservas naturais, artesanais e com sabores diferentes como o pimento e o gengibre, limão e canela. É a primeira vez que a empreendedora participa no projeto e diz estar “encantada” com as iniciativas, considerando ser “gratificante por ter adquirido conhecimentos com a troca de experiências, por se terem criado redes e por se terem ouvido diferentes opiniões”. Natalia del Aguila Garcia anuncia que já fez uma parceria com uma empresária alentejana, de queijos, para estarem presentes juntamente numa feira em Sevilha.

A 4.ª edição do fórum INTREPIDA - Internacionalização das Mulheres Empresárias de Espanha e Portugal para a Inserção, Desenvolvimento e Alianças – terminou hoje, em Évora, e contou com o apoio financeiro do programa Interreg POCTEP Espanha-Portugal, bem como dos restantes parceiros: Núcleo Empresarial da Região de Évora – NERE, Associação Empresarial da Região de Portalegre – NERPOR-AE, Ninho de Empresas de Loulé – REGIOTIC, Diputación de Huelva e FUECA em Cádis.

Dê-nos a sua opinião

NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.