capital humano
Diario do Sul

Covid-19: situação sem precedentes com impacto no consumo

Os efeitos da pandemia Covid-19 são já visíveis em Portugal, contribuindo para um aumento das vendas do retalho alimentar.

Fonte: Nielsen Portugal

25 Março 2020 | Publicado : 11:20 (25/03/2020) | Actualizado: 11:25 (25/03/2020)

A primeira edição do Barómetro semanal da Nielsen sobre este tema, relativo à semana 9 de 2020 (de 24 de fevereiro a 1 de março), aponta para um crescimento das vendas nos Hipers+Supers que totalizou 14% entre as categorias de alimentação, detergentes e produtos de higiene e frescos, quando desde o início do ano a tendência se situava nos 6%.

Preocupações dos consumidores ditam consumo
A avaliação realizada pela Nielsen revela uma reação no comportamento do consumidor perante esta
pandemia, em linha com a própria evolução desta situação no continente europeu e em território
nacional. A Nielsen identifica as seis etapas de adaptação do consumidor perante esta nova realidade: a compra proativa de Saúde, a gestão reativa da Saúde, a preparação da despensa, a preparação para
quarentena, a vida com restrições e a vida sob uma nova normalidade.

O início da semana em análise foi marcado pelo alerta para o risco de pandemia anunciado pela
Organização Mundial da Saúde, num período em que o número de casos diários registados na Europa
ultrapassou os da China. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde dirigiu um aviso às empresas para a
necessidade de definição de planos de contingência.

Neste contexto, constata-se uma preocupação acrescida entre os portugueses com a Saúde e o
armazenamento de produtos alimentares, exemplificado nos valores mais elevados registados para as
conservas (+42%), os produtos ricos em vitamina C (Kiwi +39%, Laranja +37%, Tangerina/Clementina
+37%) e produtos básicos (+36%). Preocupações com a Saúde e a limpeza estão também no topo do
crescimento entre detergentes e produtos de higiene, observável para os Cuidados de Saúde (+40%) e
Acessórios de Limpeza (+38%), onde estão incluídas as luvas.

O peso do fator geográfico
A reação dos portugueses não foi igual em todo o território: Lisboa, Setúbal, Leiria e Santarém foram
os primeiros a reagir e foi nestas zonas geográficas que o consumo mais disparou. Para Lisboa, o
consumo de 18% registado nesta semana triplicou a tendência de 6% verificada desde o início do ano;
saltos no consumo aparentes também para Setúbal, Leiria e Santarém.

As próximas semanas podem demonstrar uma situação diferente, uma vez que os primeiros casos
positivos de Covid-19 foram registados no Norte do país.

A procura por diferentes tipologias de oferta
O momento é de adaptação, devendo marcas e retalhistas tentar responder às necessidades
identificadas entre os consumidores neste período de desafios originais.
Notam-se já tendências entre as distintas tipologias de lojas: com um sortido mais alargado, os Hipers
destacam-se com um crescimento de 20%, acima dos incrementos registados para os Super Grandes
(+18%) e Super Pequenos (+5%). Mas é expetável que, com o decorrer das semanas, a questão da
proximidade conquiste um maior dinamismo.

Informação vai sustentar novas estratégias de marcas e retalhistas
É ainda cedo para compreender, na totalidade, de que modo esta pandemia vai afetar os padrões de
consumo, alterar comportamentos e ditar novas tendências.
Como explica Patricia Daimiel, Diretora-Geral da Nielsen para Espanha e Portugal, “vivemos hoje uma
situação verdadeiramente sem precedentes. Em todos os mercados e negócios, a nível mundial, a
pandemia Covid-19 veio abalar a forma como vivemos, como consumimos e como trabalhamos. Todos
seremos impactados, sem exceção. Por essa razão, é fundamental que, agora mais do que nunca, nos
mantenhamos informados sobre todas as mudanças e novas tendências que vêm impactar cada um
dos nossos mercados. É essencial estar alerta e tomar decisões assertivas que vão ao encontro de um
panorama que é novo para todos, em todo o mundo.”

Dê-nos a sua opinião

NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.