Diario do Sul

COVID-19

Confinamento: Pandemia em Portugal pode atingir o pico esta semana

A COTEC acaba de lançar um novo Dashboard, COVID-19 Insights, com indicadores de natureza prospetiva de apoio à decisão da comunidade empresarial, comunidade académica e público em geral. Este projeto resultou de uma parceria entre a COTEC Portugal e a NOVA Information Management School (NOVA IMS) da Universidade Nova de Lisboa.

Fonte: First Five Consulting, SA

13 Maio 2020 | Publicado : 16:38 (13/05/2020) | Actualizado: 16:59 (13/05/2020)

O projeto integra múltiplas variáveis representativas de diferentes aspetos económicos, sociais e epidemiológicos, as quais são analisadas a partir de métodos analíticos avançados.

O COVID-19 Insights fornece informação, atualizada diariamente – ou com frequência semanal,
para alguns indicadores – sobre a situação internacional, a situação em Portugal, análise
económica (brevemente disponível), índice de risco, mobilidade e modelos epidemiológicos.
Todos os indicadores estão disponíveis tanto em valor absoluto, como relativizados pela
população dos vários países.

“É seguramente o dashboard mais completo e avançado a nível nacional, e um dos mais
inovadores mesmo a nível mundial”, afirma o Diretor-Geral da COTEC, Jorge Portugal.

Número de pessoas infetadas atinge o pico em Portugal esta semana

De acordo com os dados projetados neste modelo, a prevalência da infeção em Portugal – ou
seja, o número total de pessoas infetadas simultaneamente – atingirá o pico esta semana, com
um máximo de 27.837 infetados. Uma realidade que se espera assimétrica a nível nacional. Nas
regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, o pico da prevalência da infeção está previsto apenas
para 15 de maio, enquanto regiões como os Açores e o Algarve já terão ultrapassado este
período.

Projeções que pressupõem a ausência de alterações muito significativas no comportamento de
risco dos portugueses, o que dilataria o pico da prevalência da infeção no tempo. Ainda assim,
com uma atualização diária, o modelo terá a capacidade de adaptar-se a uma eventual alteração
de comportamentos.

“A incidência da infeção tem sido um indicador muito destacado nas últimas semanas mas a
prevalência da infeção é, atualmente, tão ou mais importante. Quanto maior for o stock de
pessoas infetadas, maior será o risco de ressurgimento da propagação da doença,
principalmente no momento atual de alteração de comportamentos, com a retoma gradual da
economia”, explica Pedro Simões Coelho, professor catedrático da NOVA IMS e um dos
coordenadores do projeto. “Acresce que o tão falado coeficiente de reprodução da infeção, o
famoso R0, não atinge ainda os valores de segurança, desejavelmente abaixo de 1, o que pode
induzir a qualquer momento uma subida súbita do número de infeções se os comportamentos
adequados não forem uma constante”. E adianta: “Da relação entre os indicadores de
mobilidade e a infeção, percebemos também que o comportamento que adotamos quando não
estamos confinados é tão ou mais importante que o próprio confinamento na contenção da
propagação da doença. Quando comparamos Portugal com outros países que estiveram menos
confinados, o sucesso não é, em vários casos, superior. Da mesma forma que, se nos
compararmos com outros países que estiveram mais confinados, o sucesso também não é muito
menor. O que faz realmente a diferença é o comportamento que as pessoas adotam uma vez
fora de casa, como o uso de máscaras ou o respeito pelas distâncias de segurança. E é essencial
que as pessoas se consciencializem disso neste momento”.

Portugueses quebram confinamento ao fim-de-semana

Além dos dashboards dedicados os modelos epidemiológicos, o COVID-19 Insights permite
perceber as tendências de mobilidade dos portugueses, utilizando, para isso, os dados de
histórico de localização da Google. O aumento da permanência nas zonas residenciais, face ao
período de normalização (dados de janeiro e fevereiro), situa-se na casa dos 20% a cada fim de
semana, quando durante a semana permanece acima dos 30%. É à segunda e sextas-feiras que
os portugueses mais ficam em casa por comparação com o período de referência. Os dados
disponíveis permitem ainda ler as tendências de mobilidade dos portugueses nos locais de
trabalho; transportes públicos; parques de estacionamento; supermercados e farmácias; e
retalho e diversão e também por distrito. Face à média nacional, Bragança, Beja e Portalegre
foram os distritos que menos respeitaram o confinamento na residência. Por seu lado, Lisboa,
Madeira e Setúbal foram aqueles onde se registou maior redução da presença física nos locais
de trabalho.

Norte e Centro apresentam o maior índice de risco

Outra novidade do COVID-19 Insights é o Índice de Risco em Portugal. Uma medida que reflete
o risco das regiões do país tendo simultaneamente em conta a taxa de infeção e um conjunto de variáveis sociodemográficas - como o índice de dependência de idosos, a densidade
populacional ou o rendimento per capita – que refletem o risco infecioso e social de cada região.

As regiões Norte e Centro apresentam um índice de risco superior. Numa análise por municípios,
Vila Nova de Foz Côa, Castro Daire e Ovar lideram a lista. “Este é um indicador que pode ser
usado no apoio à tomada de decisão ao nível das políticas públicas municipais, abrindo a
possibilidade para que existam diferentes ritmos de retoma da normalidade de acordo com o
risco local”, explica Pedro Simões Coelho, acrescentando que “a sua análise deve ser
complementada com uma leitura da evolução das mobilidades a nível regional”.

Através dos dashboards desenvolvidos pela COTEC, em parceria com a NOVA IMS, é possível
ainda traçar uma imagem da situação nacional e internacional, comparando a realidade de
Portugal com qualquer outro país no mundo. Uma análise que pode ser feita em termos
absolutos ou relativos, ou seja, por população. Neste quadro, Portugal surge em 15o em número
de casos confirmados e número de óbitos por 100.000 habitantes, e ocupa a 59o posição
mundial em número de recuperados.

Este projeto insere-se na estratégia da COTEC de disponibilizar à comunidade empresarial, entre
outros stakeholders, informação de apoio à decisão e à análise prospetiva.

Pode consultar o COVID-19 Insights em http://insights.cotec.pt/

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