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Diario do Sul
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Alerta

Professores querem mais segurança nas escolas do Alentejo

02 Novembro 2015

A agressão da mãe de um aluno a uma professora de uma escola de Elvas, que obrigou a docente a recorrer ao hospital no mês de outubro, será apenas o mais recente caso de violência ocorrido contra professores no Alentejo. Enquanto se aguardam desenvolvimentos do caso, perante o silêncio da vítima e da própria escola, o Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS) garante que a escalada de violência no ensino não pode ser dissociada da falta de investimento do Ministério da Educação em segurança.

“Começamos pelo quase desaparecimento dos apoios de terapeutas e técnicos, por falta de verbas”, denuncia António Nobre, presidente do SPZS, para quem os profissionais que ainda existem “são em número reduzido” e o tempo que têm para trabalhar “é escasso e não dá para fazer muita coisa”, sublinha, alertando ainda para a ausência de pessoal auxiliar devidamente qualificado, bem mais habilitado a ajudar a dissuadir focos de conflito que possam surgir nas escolas.

“É um problema transversal ao país, porque o ministério entende que os rácios estão a ser cumpridos e as imposições que o governo pôs à contratação de pessoal não consente que se vá buscar mais pessoas. A verdade é que isto é tudo muito limitado”, lamenta o dirigente, dando como exemplo duas escolas em abstrato: uma com pavilhão coberto e balneário e outra sem ambos os equipamentos.

“A primeira tem direito a um auxiliar para aquele serviço, mas a escola que tenha um recinto descoberto para a prática desportiva, sem balneários, já não tem apoio de pessoal não docente”, explica António Nobre, acrescentando que “não há justificação para este critério, mas a verdade é que isto acontece”.

Para tentar minimizar o impacto de funcionários auxiliares nos estabelecimentos de ensino, algumas escolas e autarquias do Alentejo estão assumir, elas próprias, a contratação de pessoal junto dos centros de emprego e da segurança social. Porém, a solução também não estará a resolver o chamado “problema de fundo”, diz António Nobre.

“É que as pessoas que vão para lá trabalhar acabam por também não ter grande segurança ao nível do emprego. O trabalho é precário, porque se traduz em poucas horas semanais e depois a pessoa acaba por perde os apoios. É também preciso ter em linha de conta que estamos a falar de pessoal que, por muito boa vontade que tenha, não tem a qualificação necessária para aquela função”, insiste o representante do SPZS.

Eis o momento em que se chega ao ponto crítico do ensino. “O facto de não haver pessoas que garantam a segurança nas escolas leva a um trabalho feito na corda bamba que pode desencadear situações de maior conflito”, alerta, defendendo a necessidade urgente de se avançar com um “trabalho coerente, dirigido a programas de longo prazo”, pondo cobro ao alegado agravamento das condições precárias vividas pelos auxiliares de ação educativa. “Diria que está tudo nas mãos do próximo governo”, resume António Nobre.

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