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Diario do Sul
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Baixam em Évora e Portalegre

Mortes por acidente de trabalho triplicam em Beja

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

09 Novembro 2015

Os acidentes de trabalho mortais na região do Alentejo igualaram os valores do ano passado, com dez vítimas, na sequência do abrupto aumento de sinistros graves no distrito de Beja, que quase triplicou o registo de 2014, “disparando” de três mortes para um total de oito, segundo os dados da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), relativos ao período de 1 de janeiro e 19 de outubro.

Já nos distritos de Évora e Portalegre houve uma redução face ao ano passado. O Alentejo Central e o Norte Alentejano surgem mesmo entre as regiões do país com o menor número de mortos (um), depois de no ano passado Évora ter atingido as cinco vítimas mortais e Portalegre duas.

Números históricos, ainda nestes dois distritos, também face ao mesmo período de 2013, quando Évora registou quatro vítimas, depois de três em 2012, enquanto em 2013 Portalegre chegou às três vítimas e às duas em 2012. Beja foi onde se registaram mais vítimas mortais, com seis de 2013 e as cinco de 2012.

Já quanto a acidentes graves, é em Évora que surgem os valores mais preocupantes, com 17 pessoas feridas nos seus postos de trabalho, tendo sido contabilizadas cinco em Beja e duas em Portalegre. Comparando com 2014, Évora e Beja têm mais um ferido grave e Portalegre manteve o valor de há um ano, segundo as estatísticas da ACT, que mostram ainda que a maioria dos acidentes ocorreu no mês de janeiro, enquanto a quarta-feira é o dia da semana com mais acidentes fatais.

O documento agora revelado sublinha também que a maioria das vítimas são homens com idades entre os 45 e os 54 anos e que construção a para da indústria transformadora são os setores com mais vítimas mortais registadas.

Contudo, segundo o especialista em segurança no trabalho, João Vaz Amorim, continua a haver duas explicações plausíveis para a queda do número de acidentes de trabalho nos distritos alentejanos. É que, diz, “o volume de obras não tem recuperado na região, como sucede no resto do país. E com menos pessoas a trabalhar risco também baixa”, sublinha, admitindo, por outro lado, que de há uns anos a esta parte os trabalhadores e as entidades patronais têm dado mais prioridade à questão da segurança, “apostando fortemente na formação das pessoas que não incorram em comportamentos de risco. Na prática, a ideia é nunca facilitar, nem que seja para se apertar um simples parafuso”, refere ao “Diário do Sul”.

Recorde-se que é considerado pela ACT como acidente de trabalho “todo o acontecimento inesperado e imprevisto, incluindo os atos de violência, derivado do trabalho ou com ele relacionado, do qual resulta uma lesão corporal ou mental, de um ou vários trabalhadores”.

São também considerados nas estatísticas os acidentes de viagem, de transporte ou circulação, nos quais os trabalhadores ficam lesionados e que ocorrem por causa, ou no decurso, do trabalho, isto é, quando exercem uma atividade económica, ou estão a trabalhar, ou realizam tarefas para o empregador.

Os não declarados devido à crise

O número de trabalhadores não declarados aumentou 34% nos últimos dois anos, segundo revelou também a ACT. Os falsos prestadores de serviços registaram uma subida de 200% sendo que 34% dos casos foram entretanto regularizados. A ACT justifica o aumento das situações de trabalho não declarado, bem como dos falsos estágios remunerados, falsa prestação de serviços ou falsas situações de voluntariado, com «a situação de crise», salientando que estes fenómenos diminuem as receitas do Estado e representam «um grave fator de concorrência desleal para as empresas que cumprem as suas obrigações».

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