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Novos estudantes universitários já passaram de “bichos” a “caloiros”

Praxes na Universidade de Évora foram mais leves, mas ainda com excessos

Uma semana da passagem de “bichos” a “caloiros”, os estudantes que entraram este ano letivo para a Universidade de Évora finalizaram as praxes. Desde setembro até ao dia 31 de outubro, os alunos foram recebidos pelos estudantes mais velhos que fizeram aquilo que supostamente é entendido como a inclusão no estabelecimento de ensino superior e na cidade que os acolhe. Para o presidente da Associação Académica da Universidade de Évora (AAUE), Luís

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção D.S.

10 Novembro 2015

Alexandra Piteira, socióloga, licenciada pela Universidade de Évora, foi uma das pessoas que assistiu a este episódio de praxe. Contou que houve pessoas que, inclusivamente, tiraram fotografias. “É lamentável! Isso não tem nada a ver com a integração. Em nada contribui para a inclusão dos alunos na universidade, nem na própria cidade”, considerou, acrescentando encarar esta situação “como uma forma de humilhação, ou melhor, nem sei como descrever”.

A socióloga lembrou que foi praxada na Universidade do Algarve, tendo depois pedido transferência para Évora. “Em Faro, não me senti nada inferiorizada, nem me humilharam, nem me ofenderam, ninguém passou os limites”, frisou.

Perante o que viu, sobretudo em vésperas do ritual da passagem de “bichos” a “caloiros”, Alexandra Piteira disse: “Não sei se estas pessoas acham piada àquilo que lhes estão a fazer… O certo é que estão lá”. E questionou: “Terão medo de represálias? Terão medo que se não fizerem tudo o que lhes é exigido, os estudantes mais velhos ainda façam pior?”.

Luís Pardal, presidente da AAUE, afirmou não acreditar que seja isso, embora tenha afirmado ter conhecimento de exageros que continuam a ser cometidos em termos das praxes nesta universidade. “A praxe tem um fator sociológico inexplicável porque há determinados comportamentos que a comunidade em geral não vê com bons olhos, enquanto me parece que os alunos não se sentem chocados com o que fazem”, adiantou.

AAUE rejeita praxes abusivas
e humilhantes


O dirigente estudantil explicou que “uns vivem-na e se entenderem que não devem fazer algo têm liberdade para o não praticarem. Por outro lado, há quem não queira ser praxado e tal deve ser acatado”. E acrescentou: “A AAUE rejeita praxes abusivas, humilhantes, que forcem o estudante a fazer o que não quer fazer pois defendemos que a dignidade humana deve ser respeitada”.

Luís Pardal anuiu ao facto de continuarem a ser cometidos excessos por certas pessoas nas praxes. Os turistas e os habitantes dizem sentirem-se incomodados “quando há mais barulho nas ruas, sobretudo em alguns pontos da cidade que, a meu ver, deveriam ser mais prezados”, insistiu.

No entanto, salientou que, nos últimos aos, tem havido mais cuidado. “O que aconteceu no Meco continua a assombrar as praxes e, felizmente ou infelizmente, há mais preocupações para que nada aconteça aos novos alunos. Por isso, penso que o balanço deste ano é positivo, até porque não ocorreu nenhum incidente”, sustentou.

Há quem defenda menos tempo de prax
e mais em prol da sociedade

O mesmo responsável sublinhou que AAUE representa todos os estudantes, os que praxam e os que não praxam, como tal “sensibilizamos para que a praxe seja feita de uma forma correta e mais inclusiva”. E exemplificou: “Este ano, os estudantes foram fazer companhia a idosos num lar em São Manços, foram voluntários no canil municipal e houve momentos em que procederam à pintura de fachadas de edifícios. Fizeram aquilo a que designámos de ‘praxe ativa’”.

Luís Pardal, que vai terminar o seu mandato em janeiro de 2016, disse acreditar que “a semente já foi lançada, o projeto foi crescendo, cabendo agora dar-lhe continuidade e estabelecer protocolos com entidades da região, assegurando sempre o respeito pela cidade de Évora”.

Mudar mentalidades não é algo que aconteça de um momento para o outro, tal como as praxes que não terminam de um dia para o outro, mas há dirigentes estudantis que defendam, embora não publicamente, que as praxes na Universidade de Évora deveriam durar muito menos tempo.

Reitoria não registou quaisquer denúncias

Ana Costa Freitas, reitora da Universidade de Évora afirmou que não foram registadas pela reitoria quaisquer queixas de nenhum pai ou aluno, nem do Ministério da Educação e Ciência. “O ano passado recebemos três. No nosso website para denúncia de problemas relacionados com praxes também não tenho nota de queixas”, sublinhou. A reitora afirmou que a única ocorrência partiu da Polícia de Segurança Pública sobre um incidente num jardim relacionada com danos ao mesmo, “o que imediatamente comuniquei ao Conselho de Notáveis no sentido de o assunto ser colmatado”.

Ana Costa Freitas resumiu, afirmando que, à exceção do problema relacionado com o jardim, a reitoria da Universidade de Évora não recebeu quaisquer denúncias.

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