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Investigadores da UÉ desenvolvem projeto inovador com a Gulbenkian

Aliar educação formal e não formal visa melhorar aprendizagens em crianças do 1.º ciclo

Quando perguntamos a crianças entre os oito e os dez anos de idade o que gostariam de aprender na escola, as expressões plásticas, visuais, musicais, dramáticas, físico-motoras e as atividades lúdico-desportivas sobressaem com algum equilíbrio entre si. Por outro lado, as atividades associadas à exploração e uso de plataformas e ferramentas de tecnologia de informação e comunicação acompanham essas escolhas pre

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção D.S.

19 Novembro 2015

É esta a convicção da equipa de investigadores da Universidade de Évora que está a desenvolver o projeto “Promoção de Mudanças na Aprendizagem - Comunidades escolares de aprendizagem - Gulbenkian XXI” nos três distritos do Alentejo. José Verdasca, coordenador do projeto resultante de um protocolo estabelecido entre a Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora (CIEP-UE), explica que a finalidade é precisamente promover a melhoria das aprendizagens e dos resultados escolares nas novas gerações fazendo uma simbiose entre o currículo formal e o não formal.

José Verdasca, professor auxiliar no Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora, afirma que concretizar um modelo de organização e desenvolvimento curricular que estabeleça o compromisso de integrar no currículo escolar um novo conjunto de competências e de aprendizagens “remete-nos quanto ao conteúdo para uma conceção de ‘currículo aberto’ que garanta simultaneamente um núcleo comum para todos os alunos e uma parte complementar e diferenciadora que vá de encontro a motivações e preferências”.

O docente salienta a importância da escola ser entendida como um todo, não só a escola formal como também outros ambientes de aprendizagem. “Estes meninos têm que ser felizes e esta felicidade constrói-se com o que aprendem na escola e isso é mais fácil de alcançar se formos ao encontro dos seus interesses. Saindo do seu próprio território, abrindo-lhes oportunidades de desenvolvimento ético, artístico, tecnológico, com o intuito de que partam para a descoberta do indivíduo”, frisa.

Para atingir os objetivos propostos, avança José Verdasca, o projeto mobiliza intervenções orientadas no domínio das aprendizagens curriculares e das competências emocionais, sociais e criativas e tecnológicas.

O programa-piloto está a ser implementado em três agrupamentos de escolas de diferentes municípios (Ponte de Sor com três turmas do 4.ºano, Vendas Novas com duas turmas de 4.º ano e Vidigueira com duas turmas de 4.º ano), tendo sido iniciado no ano letivo de 2014/15, embora tenha a duração de quatro anos letivos.

Explorar a criatividade e o bom uso das novas tecnologias

Adelinda Candeias, professora no Departamento de Psicologia da Universidade de Évora e responsável pela componente de desenvolvimento pessoal, social e criatividade salienta a importância do projeto contribuir para o desenvolvimento do aluno numa perspetiva integrada. “As visitas que estas crianças fazem na região permitem fomentar uma ligação entre a comunidade onde vivem e onde estão inseridas com a cidade, espaço que visitam, proporcionando-lhes diferentes vivências e contacto com diversos aspetos culturais. “O objetivo é fazer uma network regional e levar os alunos a uma cultura de participação”, sustenta.

Uma ideia reiterada por José Luís Ramos, professor no Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora que entende que estes conhecimentos serão mais facilmente assimiláveis se houver algo que os desperte. “O meu papel neste projeto é rentabilizar o bom uso das tecnologias porque a sociedade exige-nos um conjunto de competências transversais com vista a um quadro de bem-estar da criança”, adianta.

As tecnologias são utilizadas na sala de aula quando o professor considera oportuno, desde a pesquisa na internet, à utilização de aplicações, exploração de drones, ensinamentos de programação que são apropriados às crianças, como um recurso educativo. “Tudo isto são estratégias que promovem o desenvolvimento integral da criança e que são as competências do século XXI”, atesta.



Projeto está a ser bem acolhido pela comunidade escolar

De acordo com Fátima Ralha, coordenadora do projeto no Agrupamento de Escolas da Vidigueira, este programa está a ser muito bem aceite pela comunidade educativa, principalmente pelas famílias e pelos meninos. “Poder levar os equipamentos tecnológicos para dentro da sala de aula foi uma mais-valia, uma vez que através do seu uso a motivação é maior”, avança, considerando este recurso como promotor de um acesso mais privilegiado para a educação. Quanto ao facto de poderem sair da escola para o terreno e fazer as suas pesquisas, vivenciando experiências enriquecedoras e depois aplicá-las num trabalho através das novas tecnologias “é sempre muito motivante e a aprendizagem corre muito melhor”, acrescenta.

O grupo de investigadores é unânime quanto ao balanço que pode ser feito do ano letivo de 2014/2015. “Foi o primeiro ano de desenvolvimento do projeto nas escolas, mas proporcionou contactos e relações de informalidade com professores, alunos, pais/encarregados de educação e comunidade escolar em geral. A introdução dos tablets na sala de aula, a familiarização com o ambiente Samsung Smart School e uma primeira abordagem à aprendizagem socio-emocional e criativa leva-nos a continuar a acreditar no projeto e nas vantagens que implica na construção das novas gerações”, assevera o coordenador, José Verdasca.

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