Diario do Sul
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Ao nível da Europa

Seca no Alentejo está entre os efeitos mais negativos das alterações climáticas

A falta de chuva que tem caracterizado o Alentejo desde 1960 é apontada como um dos exemplos mais negativos do impacto das alterações climáticas no sul da Europa, segundo o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa especialista em questões ambientais Filipe Duarte Santos. “Os impactos já são bastantes gravosos”, alerta.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

19 Novembro 2015

O especialista destaca mesmo que além dos problemas já sentidos entre Portugal e Espanha, é no sul do país que se tem observado, há mais de meio século, uma redução da precipitação média anual, por década, na ordem de 39 milímetros, considerando tratar-se de um “valor significativo tendo em atenção que a precipitação média anual em certas regiões do Alentejo é da ordem de 500 milímetros”.

Filipe Duarte Santos não hesita já em afirmar que se está a assistir a uma mudança climática significativa “que tem impactos ao nível dos recursos hídricos, da agricultura, aumenta o risco dos incêndios florestais, devido às ondas de calor e à precipitação mais baixa, e também na zona costeira”.

O professor junta ainda à lista dos impactos os efeitos das alterações climáticas ao nível da saúde, para acrescentar que o país precisa de tomar medidas, procurando encontrar condições para minimizar os seus efeitos adversos e aproveitar algumas oportunidades que esta possa trazer em alguns setores sócio económicos.

“Penso que há bastante a fazer no futuro neste setor no sentido de nos prepararmos para uma mudança climática que já está em curso e que se poderá, muito provavelmente, agravar”, destaca o especialista em questões ambientais, que deixa esta recado: “Apesar de Portugal ser um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, o tema não faz parte das preocupações dos responsáveis políticos”. Uma afirmação que tem por base a ausência do tema na recente campanha eleitoral para as eleições da Assembleia da República.

Não é de hoje que Filipe Duarte Santos traz o tema da falta de chuva no Alentejo para a lista das preocupações ambientais na Europa, tendo avançado ao “Diário do Sul” que um das consequências das alterações climáticas desafia o Alentejo a arranjar soluções para combater a, cada vez mais, frequente escassez de água, com consequentes aumentos dos períodos de seca. “O risco de incêndio também vai ser agravado. É inevitável”, diz, chamando ainda a atenção para o facto de, além do Interior da região ir ser afectado, também o Litoral Alentejano sentirá as consequências. É que a subida do nível do mar “é inexorável”, sustenta.

O especialista diz, ainda assim, que esta conclusão, com base nos estudos realizados, não é caso para alarmismos exacerbados, sendo antes uma ferramenta de trabalho para evitar surpresas desagradáveis no futuro. Isto é, explica, “vai ter que haver uma adaptação a novas situações, para que se consiga, por exemplo, garantir água na região do Alentejo”, sublinha, admitindo, que o maior receio recai sobre fenómenos meteorológicos extremos. Por exemplo, uma seca grave numa região que desempenha um papel importante no abastecimento de cereais é preocupante”, insiste, acrescentando ainda que as ondas de calor serão um dos principais impactos a sul, “tendo sido feito um trabalho bastante bom pela Direcção-Geral de Saúde e pelo Instituto Ricardo Jorge. Existe um sistema de alerta, o Ícaro, que é bastante bom”.

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