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Conferência promovida pela Fundação Inatel

Turismo acessível e inclusivo esteve em debate em Évora

O debate sobre turismo acessível e inclusivo esteve em destaque numa conferência realizada em Évora, na passada terça-feira, organizada pela Fundação Inatel. Esta entidade está a assinalar os seus 80 anos de existência, promovendo um vasto programa de comemorações pelas várias regiões do país.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção D.S.

23 Novembro 2015

De acordo com a Fundação Inatel, a discussão deste tema surge como “uma área intrínseca e crucial da responsabilidade social da organização, que importa reforçar e aliar a esta data especial para nós”.

Na delegação de Évora do Inatel, situada no Palácio do Barrocal, falou-se sobre “a importância de sensibilizar para a questão da acessibilidade e da responsabilidade social, com o objetivo de tentar que todos tenham iguais oportunidades no acesso aos produtos, infraestruturas e serviços turísticos”, destacou a organização.

Na sessão de abertura, o vice-presidente da Fundação Inatel, José da Costa Soares, salientou que “há franjas da população em que é preciso combater a discriminação, o que implica criar condições para receber com dignidade quem é diferente e quem tem necessidades especiais”.

Segundo o mesmo responsável, para isso “é necessário eliminar barreiras arquitetónicas e criar condições para oferecer a quem tem mobilidade condicionada a maior independência possível”, lembrando que “se por um lado, algumas infraestruturas permitem uma fácil adaptação às necessidades de cada pessoa, há casos em que isso não é possível e se torna um constrangimento”.

Acrescentou ainda que “não falamos apenas de hotéis, por exemplo, mas do próprio património arquitetónico e paisagístico, bem como o acesso a certas atividades”.

Por sua vez, o vereador da Câmara de Évora, Eduardo Luciano, defendeu que “o turismo, ou é acessível e inclusivo, ou é uma mera atividade económica segmentada por focos de possibilidade de obtenção de mais-valias”.

Frisou ainda que “nós vivemos numa cidade em que as barreiras arquitetónicas e a própria morfologia urbana tornam-na muito pouco inclusiva a quem tem outro tipo de necessidades”, garantindo que “isso tem-nos levado a pensar e a refletir sobre que intervenções promover de forma a tornar a cidade visitável e fruível por pessoas que têm necessidades diferentes”.

Eduardo Luciano referiu que “trouxemos, através da Divisão de Cultura e Património do município, uma intervenção que mostrou o que foi feito ao longo dos anos para tornar a cidade de Évora mais inclusiva do ponto de vista de quem a visita, bem como aquilo que se prevê alterar”.

Em representação da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo esteve Ricardo Leitão, que apresentou o projeto Alentejo e Ribatejo 4All (para todos), uma estratégia inovadora e um produto qualificado da ERT com o objetivo de tornar “o turismo acessível a todos os visitantes”.

De acordo com Ricardo Leitão, “o projeto compreende diferentes componentes de tradução material no território”, exemplificando que “no que diz respeito à acessibilidade, foi feito um importante trabalho de diagnóstico e temos um guia técnico da acessibilidade do destino Alentejo e Ribatejo”.

Esclareceu ainda que o projeto Alentejo e Ribatejo 4All foi assumido “de uma forma mais dinâmica”, apresentando-se como “uma solução de acessibilidade de indivíduos com limitações funcionais e/ou patologias crónicas a serviços de turismo devidamente capacitados para o seu acompanhamento”.

No primeiro painel, interveio também Ana Cristina Pais, da Direção Regional de Cultura do Alentejo, que abordou a temática da acessibilidade no contexto do património histórico e arquitetónico.

A técnica destacou que “na esfera de competência da área da cultura, nós temos como essencial a promoção do acesso físico a monumentos, palácios ou museus, mas não menos importante é considerarmos também o acesso intelectual, social, cultural e económico ao património cultural, que é pertença de todos”.

Frisou ainda que “nos últimos anos temos visto mudanças grandes ao nível, principalmente, da acessibilidade física”, apontando a existência de legislação nesse sentido.

Ana Cristina Pais constatou também que “há circunstâncias em que não é efetivamente possível dar acessibilidade plena a todos, mas há sempre formas alternativas de o fazer”, exemplificando que “quando não há acessibilidade física, é importante que quem trabalha nos locais tenha sensibilidade para ser colaborativo e ajudar”.

No encerramento da primeira parte da conferência, Maria Noémi Marujo, diretora do curso de licenciatura em Turismo da Universidade de Évora, evidenciou a presença de bastantes jovens, quer da academia alentejana, quer da EPRAL.

Na sua opinião, “são eles que irão dar continuidade a esta temática tão importante na nossa atualidade e é bom que eles tenham estado presentes para ficarem sensibilizados para este tipo de turismo e verem como é que podemos trabalhá-lo no futuro”, concluiu a docente.

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