Diario do Sul
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A ave que vai desaparecendo do Alentejo

Caçadores propõem acção consertada para salvar a rola

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

30 Novembro 2015

A Federação Nacional de Caçadores (Fencaça) reconhece a ameaça que paira sobre a rola-brava em Portugal, que acaba de entrar na Lista Vermelha das Espécies em risco de extinção no país, com a categoria de “vulnerável”, mas o presidente Jacinto Amaro assegura que os caçadores portugueses não são os maiores culpados, numa altura em que estão autorizados a caçar “apenas” seis rolas por dia. O dirigente diz que só com uma ação consertada no sul da Europa vai ser possível dar uma “espécie de segunda” vida a esta ave migradora.

“Em Espanha, Itália e Malta não há limite. Depois, é preciso perceber que as rolas que nascem em Portugal têm que atravessar Espanha, até Gibraltar, para chegarem a África no inverno”, alerta, garantindo que uma elevada percentagem acaba abatida em território espanhol.

Contudo, ainda segundo o dirigente, existem também outros fatores que explicam o desaparecimento desta ave. “A troco de subsídios, deixámos de produzir cereais, o que implica falta de comida. Hoje em dia a rola tem ótimas condições no norte de África e fica por lá”, sublinha, alertando para um fenómeno novo após a “invasão” da rola-turca, que está a conquistar terrenos à rola-brava.

“Andamos a pedir há muito tempo autorização para a caçar como correção de densidades. Alimenta-se nas capoeiras, suiniculturas e aterros sanitários e vai trazer problemas sanitários”, vaticina Jacinto Amaro, para quem “só uma ação consertada” entre, pelo menos, os países do sul da Europa, poderia ter algum sucesso. Caso contrário, questiona, “quem terá moral para pedir aos caçadores portugueses que não atirem às rolas, se as matam nos outros países?”.

É a primeira vez que é feita referência mundial para a conservação de espécies cinegéticas caçadas em território nacional, que passa também a integrar o zarro (pato selvagem). A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) lança um “alerta vermelho”, exigindo ao Governo “a urgente alteração à lei da caça”. Luís Costa sustenta que “se esperarmos por uma ação consertada vai deixar de haver rolas. Nós temos responsabilidade sobre o Portugal. Os outros que façam o mesmo”.

O abrupto desaparecimento da rola-brava no Alentejo atingiu uma quebra de 40% da população na última década. “Não há tempo a perder se ainda quisermos tentar salvar a espécie”, alerta o diretor executivo da SPEA, justificando que a quebra de 40% das aves apurada em Portugal teve por base um estudo de monitorização, feito na última década, através de indicadores de quadrados de amostra, o que não permite quantificar o número de casais que nidificam no país.

Daí que a inclusão de “rola portuguesa” – porque apesar de ser migradora, nasce por cá durante a primavera – na Lista Vermelha criada pela União Internacional de Conservação da Natureza em colaboração com a BirdLife International em 1963, não tenha surpreendido os ambientalistas.

Os principais grupos de aves que mostram agravamentos no risco de extinção são os abutres, as aves marinhas e as aves limícolas, algumas delas ocorrem em Portugal e requerem medidas de conservação urgentes. Em Portugal temos atualmente uma espécie em risco crítico, que partilhamos com Espanha: a pardela-balear, e três “Em Perigo”. Mas já tivemos mais, que, entretanto, já viram a categoria de ameaça diminuída graças a esforços de projetos de conservação, entre as quais o priolo e a freira-da-madeira e graças ao resultado de um melhor conhecimento sobre as populações individuais de aves. Contudo, existem ainda sete espécies com o estatuto de conservação urgentes: a águia-imperial, o painho-de-monteiro, a abetarda, a freira-do-bugio, a felosa-aquática, e as novas espécies que agora entraram na lista: a rola-brava e o zarro.

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