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Pessoas que vivem sozinhas no Alentejo triplicaram nos últimos 50 anos

O número de pessoas que vivem sozinhas tem vindo a aumentar na região desde 1960, mas com especial incidência ao longo das duas últimas décadas.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

03 Dezembro 2015

O Alentejo registava uma média de 23,7% famílias unipessoais em 2011, contra 8,8% em 1960, tratando-se de uma evolução que pode ser atribuída ao envelhecimento da população, “mas também a mudanças na vida privada de indivíduos em idades mais jovens, sobretudo solteiros e divorciados”, segundo avançam os especialistas do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Comparando 2011 com 1991 verifica-se que o número de famílias unipessoais nos três distritos alentejanos disparou, quase duplicando, com um aumento de 13,8 para 23,7, traduzindo um peso superior aos 8% no conjunto da população residente na região. Esta evolução é também evidente no peso crescente que as pessoas que vivem sós têm vindo a assumir no total das famílias.

Por sub-regiões e voltando a recuar até 1960 para alcançarmos a referência ao longo do último meio século, o Litoral Alentejano tinha 12 famílias clássicas unipessoais para cada cem famílias, passando a 26 em 2011. Já o Baixo Alentejo tinha 11% vindo a passar para 24%, enquanto o Alto Alentejo subiu de 9,5 para 24 e o Alentejo Central de 7,6 para 23,6.

Olhando para a evolução isolada das capitais de distrito nos últimos 50 anos, Évora conheceu um aumento de 8 para 24,7, Portalegre foi de 9,5 para 23,7 e Beja de 7,8 para 24,5.

Odemira, Mértola e Alvito (por esta ordem) são os municípios onde o fenómeno ultrapassa a média alentejana, fixada nos 23,7%. Assim sendo, Odemira assistiu a um aumento de 14,6 para 30,2, seguindo-se Mértola (de 9,6 para 30,1) e Alvito (de 7,5 para 29). No sentido oposto está Campo Maior, onde menos aumentaram as pessoas que vivem sós, subindo de 12,5% para 18,9. Mais atrás vêm Vendas Novas e Monforte, onde o aumento se estende dos 7,4 para 20,3.

Ainda segundo o INE, após a atualização de dados este ano, o sentido deste crescimento tem sido similar para mulheres e homens, mas a população do sexo feminino regista valores mais elevados de famílias unipessoais. Em 2011, 5,2% das mulheres e 3% dos homens viviam em famílias unipessoais, o que representa um acréscimo face aos valores registados em 2001 (4% e 2,1%, respetivamente) e 1991 (3,1% e 1,3%, respetivamente).

Esta evolução acompanha os principais padrões de distribuição das famílias unipessoais na Europa. A população portuguesa regista, no entanto, uma proporção de famílias unipessoais no total da população residente (8,2%) abaixo da média europeia (UE27), que se situa nos 14,5%, sendo que cerca de 8% são mulheres e 6% são homens (Eurostat, EU-SILC, 2011).

A distribuição das pessoas que vivem em famílias unipessoais em Portugal é variável consoante o sexo, mas também de acordo com a estrutura etária. Perto de metade das pessoas neste tipo de famílias tem 65 e mais anos de idade (46,9%), distribuindo-se em proporções similares nas diferentes faixas etárias até aos 84 anos.

Se a este valor for acrescida a proporção de quem tem idade compreendida entre os 50 e os 64 anos (21,6%), a percentagem de indivíduos em famílias unipessoais com 50 ou mais anos de idade aumenta para 68,5%. A proporção de pessoas com idade até aos 49 anos é substancialmente inferior: 7,4% têm entre 15-29 anos e 24% têm idades compreendidas entre30 e 49 anos. A análise comparativa desta distribuição face aos dados censitários de 1991 demonstra que a população adulta (com mais de 20 anos) a residir numa família unipessoal aumentou em todos os grupos etários.

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