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Iniciativa juntou investigadores e especialistas do sector

Portel promoveu jornadas ibéricas sobre o montado

Integradas na XVI Feira do Montado, realizada em Portel entre os dias 26 e 29 de novembro, decorreu a 12.ª edição das Jornadas Ibéricas do Montado.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção D.S.

03 Dezembro 2015

A iniciativa teve lugar no segundo dia do certame e o objetivo foi “dar relevância a muitas das ameaças ao ecossistema do montado, colocando em destaque a importância da sua defesa e valorização, bem como da necessidade de boas práticas e políticas adequadas para o setor”, segundo adiantou o Município de Portel, a entidade organizadora.

O programa incluiu intervenções cientificas de especialistas e investigadores de Portugal e Espanha, ligados ao ensino e investigação universitária, institutos públicos e associações privadas.

Segundo José Manuel Grilo, presidente da Câmara de Portel, “para além de toda a animação e da própria exposição da Feira do Montado, estas jornadas são uma das iniciativas que também diferenciam o certame”.

Referiu ainda que “foram apresentados estudos e reflexões sobre alguns problemas relacionados com o uso dos montados, a sua sustentabilidade ou a maneira de os defender”, evidenciando que “estes estudos são uma grande ajuda para os produtores florestais, para que usem os montados de uma melhor forma”.

O autarca recordou que “o sobreiro é uma árvore que demora muito tempo a dar rentabilidade e é importante não perdermos esta riqueza por um mau uso dos solos ou por utilizar uma pecuária que não é muito consistente com o montado, por exemplo”.

Garantiu ainda que “estas jornadas têm por hábito ser muito informais, nas quais todos podem intervir, havendo partilha de ideias e de experiências”.

Quanto a uma possível candidatura do montado a Património da Humanidade da UNESCO, José Grilo precisou que “esta é uma área complexa o que exige um estudo sobre todo o ecossistema do montado”, adiantando que “no próximo dia 16 deste mês vai decorrer em Portel uma reunião da comissão executiva para aferir em que ponto estamos”.

De acordo com o presidente do Município de Portel, “são várias autarquias e entidades envolvidas na candidatura, num conjunto de 50 parceiros”, assegurando que “queríamos, e é vontade da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, que a candidatura fosse apresentada no próximo ano, mas ainda está tudo em aberto”.

Mecanização
do descortiçamento

Na sessão de abertura destas jornadas interveio também Ramón Santiago Beltrán, em representação do Cicytex - Centro de Investigaciones Científicas y Tecnológicas de Extremadura, que falou sobre “o estado de arte das novas tecnologias na tiragem da cortiça, o que foi feito até agora e quais são os desafios para o futuro próximo”.

Revelou que “o desafio passa por mecanizar todo o descortiçamento que atualmente se faz, sobretudo, com o machado”, reforçando que “todo o processo até chegar à indústria preparadora da cortiça deve ser mais tecnológico”.

O investigador salientou que com este avanço, “em primeiro lugar, são os tiradores de cortiça que vão sair beneficiados porque os machados são perigosos e este é um trabalho que exige muito esforço”, esclarecendo que “as novas máquinas e ferramentas vão permitir que tenham um trabalho menos penoso”.

Além disso, Ramón Santiago Beltrán frisou que “com a mecanização vão poder trabalhar no montado durante seis meses ao longo do ano, enquanto que agora o período de descortiçamento ronda os três meses, o que poderá contribuir para a profissionalização dos operários”.
Em relação às próprias jornadas evidenciou a sua importância, pois é “uma maneira de transmitir os avanços respeitantes à silvicultura, produções do montado ou aspetos relacionados com a cortiça”, lembrando que “estão incluídas naquela que penso ser a única feira temática do montado da Península Ibérica”.

No ato inaugural participou ainda Guilherme Santos, em representação de Pedro Azenha Rocha, diretor do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo.

Relativamente a esta iniciativa, Guilherme Santos sublinhou que “como entidade responsável em termos da aplicação da legislação no âmbito do setor florestal, temos todo o interesse nestas jornadas e nas suas conclusões, até porque o montado está a atravessar algumas dificuldades, em termos sanitários, bem como alguns desafios em termos de gestão”.

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