Diario do Sul
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Capoulas Santos aposta numa nova visão

Regresso à ruralidade na agenda do ministro da Agricultura

O novo ministro da Agricultura, o alentejano Capoulas Santos, quer conciliar o chamado “desenvolvimento regional” com “desenvolvimento rural”, considerando ser chegada a hora do Governo olhar mais atentamente para a “ruralidade”.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

10 Dezembro 2015

Justifica ao “Diário do Sul” ser esta “uma nova visão que vai muito para além da agricultura e das atividades a ela conexas, que é necessário que estejam plasmadas nas políticas e nas prioridades dos governos”.

O governante alerta não ser por acaso que o seu ministério se chama da “Agricultura, da Floresta e do Desenvolvimento Rural”, justificando a designação com o facto de existir muita atividade em torno do meio rural que vai para lá da agricultura. “Há outras questões que é necessário proteger e estimular para garantir emprego e vida nas zonas rurais”, acrescenta Capoulas Santos.

O governante, que há vários anos já esteve à frente da pasta da Agricultura, no Executivo liderado por António Guterres, defende que “a ruralidade representa as nossas mais profundas raízes culturais”, acrescentando que, afinal, “todos nós temos ascendência rural, porque o fenómeno da urbanização é relativamente recente. Hoje há outros modos de olhar para a ruralidade”, reforça.

Aliás, insiste o ministro, “verificamos hoje que há um retorno ao meio rural de muitas pessoas urbanas, até com elevadas qualificações, que começam a encetar novas experiências”, exemplifica Capoulas Santos, para quem estas famílias procuram a qualidade de vida que está associada ao campo. “Quando é possível associar à ruralidade fibra ótica e boas acessibilidades há muitas atividades económicas que eram tradicionalmente urbanas, mas que agora podem se desempenhadas em qualquer ponto do território”.

A aposta de Capoulas Santos agora anunciada ao “Diário do Sul”, surge numa altura em que a desertificação dos meios rurais no Alentejo soma e segue. Em 2014 a região voltou a perder população face a 2013, baixando de 508092 habitantes para 503115, no total de menos 4977 pessoas, segundo dados compilados pelo Pordata. A emigração deverá explicar parte do fenómeno. Porém, nem tudo são más notícias. É que há dois municípios que escaparam à tendência e até têm mais moradores.

Ou seja, 2014 confirmou o Alentejo como uma das regiões mais castigadas pela desertificação, apesar de ter sido um ano peculiar em matéria de emigração. A crise empurrou para fora milhares de habitantes da região nos últimos cinco anos, sendo que a presidente da Associação Portuguesa de Demografia (APD), Filomena Mendes, já havia sublinhado o receio, segundo o qual, a partir do momento em que os portugueses começassem a escolher outros países poderiam nunca mais voltar.

Filomena Mendes admitia ainda que o cenário de evolução populacional sofreu um agravamento que superou largamente as previsões realizadas há uns anos, antes da crise em que o país mergulhou.

Outros números preocupantes mostravam que no final de 2012, 24,2% da população alentejana era idosa, segundo dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o que faz dos três distritos (Évora, Portalegre e Beja) a região (NUTS II) mais envelhecida entre Portugal e Espanha, de acordo com os Censos da População. Também no que diz respeito à taxa de natalidade, o Alentejo surge na cauda da Península Ibérica, engrossando o despovoamento desta terra.

A percentagem de idosos no Alentejo está bem acima da média nacional. Tendo por base os resultados definitivos dos Censos, a população com 65 ou mais anos de idade representa 19% da população portuguesa residente e, entre estes, cerca de 60% vive só ou com outras pessoas do mesmo grupo etário.

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