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PROPOSTA

Quando o turismo religioso pode ajudar a recuperar os nossos centros históricos

Fomentar o turismo religioso, tornando-o o mais atrativo possível à passagem de peregrinos, será uma saída para combater a desertificação dos centros históricos na região, segundo admite o diretor do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, José António Falcão

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

08 Janeiro 2016

Uma opinião que vai ao encontro de que tem defendido o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, António Ceia da Silva, para quem deve ser dada prioridade à diversificação da oferta junto dos turistas, hoje com um perfil “mais culto e exigente”.

De acordo com José António Falcão, o Alentejo tem aqui uma oportunidade sublime para ultrapassar o abandono que tem sido transversal aos centros das cidades, vilas e aldeias do Alentejo.

“Por onde andam, os peregrinos dormem, comem, adquirem produtos regionais, visitam monumentos. E isso obriga a ter os centros históricos e os equipamentos culturais em bom estado”, defende o mesmo responsável, para quem estão aqui reunidas as condições para assegurar “um grande impacto no que diz respeito ao mundo rural. Os nossos centros precisam de lutar contra a sua terciarização”, defende o dirigente, alertando que há muitos anos que as pessoas deixaram de viver nos centros que vão foram ocupados apenas serviços, hotelaria ou restauração. “Passou a ser tudo muito artificial. É urgente recuperar a autenticidade dos centros”, insiste, acrescentando que isso seria gerador de “dinamismo e revitalização dos territórios de baixa densidade”.

Um passo que se iria ainda traduzir numa mais-valia para efeitos da conservação patrimonial, depois deste fim de ano ter ficado marcado por mais notícias relativas à delapidação de igrejas, como foi o caso da ermida de Nossa Senhora da Assunção, próxima da vila de Messejana (Aljustrel). Encontra-se documentada desde o século XV, tendo sido, desde então, importante local de peregrinação, o que explica – como salientaram investigações recentes – as sucessivas campanhas de obras que recebeu, até à que lhe viria a dar, em etapa já posterior ao terramoto de 1755, a sua fisionomia atual.

Porém, este Monumento de Interesse Público já registou seis furtos, encontrando-se hoje em deficiente estado de conservação, face às investidas dos ladrões. Uma situação que o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja classifica como “preocupante”. É que além das perdas patrimoniais a lamentar, o assunto semeia a inquietação entre a população.

Esta igreja encontra-se nas imediações da falha geológica de Messejana e torna-a muito sensível aos abalos sísmicos. Em 1755, ficou completamente arruinada, mas em 1758 já estava a ser reconstruída, com a colaboração de Diogo Tavares de Brito, de Tavira, um dos mais importantes mestres pedreiros (hoje diríamos arquiteto) do vizinho Algarve, à época.

Esta ermida é uma das principais referências do Barroco no Alentejo, bem reconhecível à distância, pontuando uma das mais belas paisagens do Campo Branco, segundo os especialistas. Mas o isolamento deste santuário de peregrinação tem-se revelado adverso. “Desde 1984, a igreja já foi assaltada e vandalizada seis vezes, é escandalosa a situação a que chegou”, salienta José António Falcão, sublinhando que “houve preocupação em classificá-la, o que é louvável, mas depois nada foi feito; a classificação, só por si, de pouco adianta”.

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