Diario do Sul
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Efeitos do aquecimento global no Alentejo

Especialista em ambiente alerta agricultores para novos desafios

Está confirmado. 2015 foi o sétimo ano mais quente no Alentejo desde que existem registos no nosso país.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

08 Janeiro 2016

Com o início do inverno as temperaturas desceram a pique, mas até há uma semana atrás a média foi atípica para esta época do ano, tendo os termómetros rondado os 20 graus. Uma das consequências, dizem os especialistas, vai afetar a agricultura da região, obrigando os agricultores a mudarem os hábitos de cultivo. Afinal, o aquecimento global está marcha.

Após um ano em que houve menos 50% de chuva na região, face à média de épocas anteriores, o especialista em aquecimento global Filipe Duarte Santos alerta que os agricultores alentejanos deverão estar atentos ao fenómeno, começando a aceitar que é preciso pôr em prática novas regras que lhes permitam enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas.

“Vai ser preciso começar a programar as vinhas mais cedo, tal como as sementeiras”, garante em declarações ao “Diário do Sul”, alertando ainda que até a azeitona já começa a ficar madura mais cedo, obrigando a antecipar a apanha e a sua ida para o lagar.

Aliás, não é de hoje que Filipe Duarte Santos tem alertado que as gerações futuras vão sofrer com os impactos mais negativos do aquecimento global, com ondas de calor mais frequentes e uma temperatura média mais elevada, mas também com fenómenos meteorológicos extremos, como é o caso de chuvas muito intensas.

O professor junta ainda à lista dos impactos os efeitos das alterações climáticas ao nível da saúde, para acrescentar que o país precisa de tomar medidas, procurando encontrar condições para minimizar os seus efeitos adversos e aproveitar algumas oportunidades que esta possa trazer em alguns setores sócio económicos. “Penso que há bastante a fazer no futuro neste setor no sentido de nos prepararmos para uma mudança climática que já está em curso e que se poderá, muito provavelmente, agravar”, destaca o especialista em questões ambientais, que deixa esta recado: “Apesar de Portugal ser um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, o tema não faz parte das preocupações dos responsáveis políticos”.

A falta de chuva que tem caracterizado o Alentejo desde 1960 é mesmo apontada como um dos exemplos mais negativos do impacto das alterações climáticas no sul da Europa, segundo o especialista em questões ambientais. “Os impactos já são bastantes gravosos”, alerta Filipe Duarte Santos, para quem além dos problemas já sentidos entre Portugal e Espanha, é no sul do país que se tem observado, há mais de meio século, uma redução da precipitação média anual, por década, na ordem de 39 milímetros, considerando tratar-se de um “valor significativo tendo em atenção que a precipitação média anual em certas regiões do Alentejo é da ordem de 500 milímetros”.

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