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Diario do Sul
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Tendência de queda invertida ao fim de cinco anos

Nascerem mais 61 bebés no Alentejo e Outubro foi o mês da “cegonha”

O número de bebés que nasceram nos três distritos alentejanos aumentou pela primeira vez em cinco anos.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

26 Janeiro 2016

No ano passado analisaram-se 2893 testes do pezinho, mais 61 do que os 2832 relativos a 2014, segundo os dados do Instituto Ricardo Jorge. Outubro foi o mês com mais nascimentos na região (267), seguindo-se setembro (266)) e janeiro (248). Fevereiro foi o mês com menos nados (207).

Ainda assim, é preciso reter que, por exemplo, em 2012 tinham vindo ao mundo na região 3167 bebés o que já representava um dos piores registos de sempre. Só para que melhor se perceba o que está em causa, em 1981 nasceram 10735 crianças na região.

Mas a subida da natalidade registada em 2015 significa que a população do Alentejo poderá estar a encarar o presente e o futuro com mais confiança, mas será também o reflexo de que há muitas mulheres que não podem adiar mais a maternidade, segundo os especialistas que se dedicam a estudar o fenómeno.

O sociólogo e investigador Elísio Estanque sublinha que apesar de ligeiro este aumento traduz o “sinal é positivo”, por ser a primeira vez desde 2010 que a trajetória descendente é quebrada. “Quando um casal está desempregado, não tem um salário, não consegue manter uma casa, as famílias decidem não ter filhos. Pode ser que com o aparente atenuar da austeridade e dos níveis de desemprego, esta tendência venha a crescer”, admite.

Por distritos, Évora registou no ano passado 1170 testes do pezinho, o que traduz a maior subida na região depois dos 1080 de 2014, enquanto Portalegre também aumentou (de 694 para 700) ao passo que Beja continua a registar uma redução (1023 em 2015 contra 1058 em 2014).

Uma das curiosidades das estatísticas, agora divulgadas pelo Instituto Ricardo Jorge, mostra que janeiro foi o mês em que nasceram mais crianças em Évora (108), enquanto em Beja o mês da cegonha foi setembro (106) e Portalegre contou mais nascimentos em outubro (69). Ainda assim, no somando os nascimentos dos vários meses, é outubro que totaliza o maior número de testes do pezinho.

Recorde-se que o teste do pezinho não é obrigatório, embora seja um dos indicadores mais usado por dar dados quase em tempo real e pela proximidade com o número real de nascimentos, recordando a demógrafa Maria João Rosa Valente como a questão da eventual perda de fertilidade da população dominou as preocupações dos investigadores nos últimos anos.

A mesma responsável questiona a relação entre a baixa da natalidade e a mudança do conceito de criança que deixou de ter um «valor económico», admitindo que a experiência em outros países mostra que para se verificar um aumento do número de nascimentos é preciso melhorar as formas de compatibilizar os filhos com o trabalho. Rosa Valente admite ainda que em 2016 possa haver novo aumento da natalidade, justificando que o acréscimo pode ser explicado com o número de mulheres que chegaram à idade de ter filhos.

Segundo Instituto Ricardo Jorge, as mulheres com mais de 25 anos, e até ao limite da idade fértil, são as que mais têm contribuído para o aumento da natalidade na região.

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