Diario do Sul
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Parceria da SUÃO com o Diário do Sul promove a leitura

Quando um jornal ajuda a quebrar o isolamento

Informar é o principal objetivo de um jornal, mas a sua missão é mais alargada e passa também por aproximar as pessoas e quebrar o isolamento em que alguns locais vivem.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção D.S.

26 Fevereiro 2016

O jornalismo de proximidade prima por dar a conhecer aquilo que acontece “ao lado da nossa porta” e não apenas os acontecimentos mais mediáticos que enchem as primeiras páginas dos jornais de âmbito nacional.

É essa relação com o leitor que tem pautado a vida do Diário do Sul (DS), que comemora hoje o seu 47.º aniversário.

Neste dia, damos a conhecer uma parceria que o DS tem com uma instituição alentejana, a SUÃO - Associação para o Desenvolvimento Comunitário de São Miguel de Machede, cuja base foi precisamente promover a leitura como forma de quebrar o isolamento.

São Miguel de Machede é uma freguesia do concelho de Évora, com cerca de 700 habitantes. Em março de 1998 foi criada a SUÃO, pelas “mãos” de um grupo de habitantes desta vila. Nesse mesmo ano, foi fundada a Escola Comunitária de São Miguel de Machede, na qual a educação não formal tem um peso muito significativo.

Foi nesse âmbito que surgiu a parceria com o DS, explicando José Bravo Nico, presidente da Direção da SUÃO, que “esta foi a primeira entidade com a qual estabelecemos um protocolo de cooperação”.

Uma das primeiras iniciativas realizadas, logo em 1998, foi “desenvolver um projetoque permitisse às pessoas de São Miguel de Machede terem acesso à leitura, através do DS”, realçou o mesmo responsável.

Nesse sentido, “organizámos um circuito de distribuiçãodomiciliária, diária e gratuita do jornal”, referiu Bravo Nico, lembrando que “na altura tínhamos cerca de 170 habitações em São Miguel de Machede e como nos eram oferecidos 40 ou 50 exemplares diários do jornal, construímos um circuito dividido em quatro zonas”.

Esclareceu ainda que “nas primeiras 40 casas era recebido o DS do dia, nas 40 seguintes era recebido o de ontem, nas 40 seguintes o exemplar de anteontem e nas 40 seguintes o de antes de anteontem e ao quinto dia esse DS saía de circulação”.

Segundo Bravo Nico, “as pessoas que liam o DS tinham a responsabilidade do receber, do ler e do devolver porque ele depois tinha de ser entregue a outra família”.

O mesmo responsável especificou que “só de cinco em cinco dias é que as pessoas tinham o DS do dia, mas isso era pouco relevante, o importante é que as pessoas tivessem acesso ao DS”.

Na sua opinião, “isto criou uma rotina de leitura e uma relação muito direta com o DS, que é uma janela aberta para o ‘mundo’, com a particularidade de ser muito local e regional e de privilegiar uma matriz noticiosa pela positiva de valorização da nossa cultura e identidade”.

De acordo com o presidente da SUÃO, “este projeto decorreu durante cerca de dois anos e depois foi evoluindo”, frisando que “gradualmente deixámos de ir à casa das pessoas, pois o importante era que as pessoas saíssem das suas casas e viessem até à associação e à nossa biblioteca comunitária, onde encontraram diariamente o DS”.

Acrescentou ainda que “o jornal foi a chave para chegarmos às pessoas que estavam isoladas e dentro das suas casas, conseguindo assim motivá-las a sair”.

Para além disso, Bravo Nico evidenciou que “como nosso parceiro, o DS divulga as atividades que desenvolvemos e muitas notícias relacionadas com São Miguel de Machede”.

São as notícias da terra, mas também as de outros locais que motivam Mariana Pimentão, Conceição Bravo, Mónica Nico e Cesária Pencas a ler o DS. O peso da idade não as impede de frequentar a Escola Comunitária de São Miguel de Machede, onde têm possibilidade de ler este jornal.

“Gosto de ler tudo, em especial o suplemento D. Quixote”, conta Mariana Pimentão, considerando que “o DS ajuda a quebrar o isolamento e é uma forma de nos entretermos”.

Essa opinião é partilhada por Conceição Bravo, que garante ler “o DS todos os dias, pois tem muitas coisas do Alentejo e ajuda a distrairmo-nos”.

Diz ainda que “apesar de não ser assinante, a minha irmã é e, por isso, seja na casa dela ou na escola tenho sempre possibilidade de ler o jornal”.

A irmã, Mónica Nico, diz que “leio o DS todos os dias e gosto sobretudo das notícias da região”, salientando que “ajuda a quebrar o isolamento e a sabermos o que acontece por aqui, pois nem sempreencontramos essas notícias nos jornais ou televisões nacionais”.

Por sua vez, Cesária Pencas refere que “costumo ver o DS na SUÃO e embora tenha alguma dificuldade em ler, com a ajuda das pessoas da associação consigo fazê-lo”, confessando que “gosto de tudo”.

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