Diario do Sul
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Taxa caiu para quase metade em dez anos mas…

Ainda há 50 mil alentejanos analfabetos

Cerca de 50 mil habitantes no Alentejo não sabem ler nem escrever, segundo revelaram os resultados definitivos do Censos 2011. É verdade que a taxa de analfabetismo caiu na região de 17,45% para 10% na última década, mas, ainda assim, não é suficiente para tirar o Alentejo do fundo da tabela a nível nacional, onde a taxa de analfabetismo está fixada nos 5,2%, colocando Portugal no último lugar a nível europeu.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

26 Fevereiro 2016

É verdade que a taxa de analfabetismo caiu na região de 17,45% para 10% na última década, mas, ainda assim, não é suficiente para tirar o Alentejo do fundo da tabela a nível nacional, onde a taxa de analfabetismo está fixada nos 5,2%, colocando Portugal no último lugar a nível europeu.

Realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os resultados do Censos refletem o progresso registado ao nível das qualificações, mostrando como a região até evoluiu entre os 508.864 habitantes, mas continua distante das zonas do país com melhores resultados.

Se recuarmos até 1981 conseguimos perceber o crescimento. Na altura, 32% da população alentejana não sabia ler nem escrever. As mulheres representavam 36,6% da taxa de analfabetismo, enquanto os homens chegavam aos 28%. Em 2001, já com resultados mais otimistas, homens e mulheres registavam uma menor distância: 19,5% de analfabetos eram do sexo feminino, enquanto 14,25% eram homens.

Mas seria já em 2011 que as mulheres da região ganharam maior terreno, apesar de terem encurtando pouco as distâncias para os homens. A situação ainda está longe de poder ser considera satisfatória: 8,3% para eles e 12,95% para elas.

Por sub-regiões, é o Alentejo Central, impulsionado pelo concelho de Évora, que historicamente leva a dianteira, exibindo o melhor resultado da região, onde a taxa de analfabetismo está fixada nos 9,3%, depois dos 14,8 registados em 2001. Segue-se o Alto Alentejo (11%), enquanto o Baixo Alentejo vem logo atrás (11,1), ficando o Alentejo Litoral na derradeira posição (11,6%).

Registe-se que em apenas dez anos, o número de pessoas com mais de 23 anos com ensino superior quase duplicou, com a curiosidade de, entre os licenciados, 60% serem mulheres. Metade da população com 15 ou mais anos concluiu, pelo menos, o 9º ano de escolaridade, o que representa um aumento de 12 pontos percentuais em relação a 2001.

Apesar da evolução alcançada pelo Alentejo, que permitiu melhorar as habilitações literárias aos residentes da região, ao longo dos últimos 30 anos, ainda há 74,2% da população dos três distritos que não tem o ensino secundário. Em 1981 a realidade era bem pior. Gavião está em destaque pela negativa. Em 1981, 98,4% dos residentes não tinha o ensino secundário, enquanto em 2011 essa percentagem baixava para 87,6 pontos percentuais. Quer isto dizer, que é o concelho alentejano com menos habilitações e o segundo do país, apenas atrás da Pampilhosa da Serra, que chega aos 88,6.

Entre as principais cidades alentejanas, Évora já apresenta valores próximos da média nacional. Em 1981, 91% da população não tinha ensino secundário completo, mas em 2011, 61,7% da população garantia o 12º ano. Beja também regista claras melhorias, com 66,4% da população a acabar o secundário, contra os 93,4% de 1981, ao passo que Portalegre segue a tendência, baixando de 93,4 para 67,5%.

Sines e Elvas, onde uma média de 30% da população terminou o secundário, exibem ainda um registo assinalável face há 30 anos, enquanto Alandroal também continua mostrar valores preocupantes. 84,6% dos residentes não tem o secundário.

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