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Diario do Sul
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Alentejo de Excelência organizou conferência sobre o despovoamento

“É preciso investir no capital humano e em iniciativas reprodutivas para valorizar a região”

A sangria populacional resultante do despovoamento, bem como o facto das pessoas residentes serem extremamente envelhecidas leva a que seja preciso agir de imediato.

Maria Antónia Zacarias

01 Março 2016 | Fonte: Redacção D.S.

De acordo com o presidente da associação Alentejo de Excelência, Henrique Sim-Sim, o Alentejo perdeu, em média, oito pessoas por dia, na última década, avançando que este número vai além do que indicam os últimos Censos de 2011. Uma situação preocupante que esta associação entende ser preciso inverter, tendo por isso organizado esta conferência, que decorreu na passada quinta-feira, no auditório do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo. Refletir sobre esta questão e lançar o desafio para um concurso de ideias para premiar a melhor proposta para combater o despovoamento nesta região, obtendo o primeiro classificado um prémio de 2.500,00 euros e apoio de mentoria para o seu desenvolvimento foram os objetivos desta iniciativa.

O responsável da Alentejo de Excelência, promotora da conferência “Será o despovoamento no interior uma inevitabilidade?” explicou que a organização deste evento visou “reforçar a atenção da opinião pública para um tema altamente preocupante no interior do país e em particular no Alentejo”. Henrique Sim-Sim considerou que “este drama social, ambiental e económico, que é o processo de despovoamento que está em curso há mais 75 anos, resultou só no período 2001-2011 num decréscimo de mais de 26 mil pessoas na população residente do Alentejo, o que dava sete pessoas e tal por dia”.

Nos últimos dez anos, com “o aumento da emigração, a diminuição da imigração e o envelhecimento da população, esse número, pensamos nós que já anda nas oito pessoas/dia, atingindo cerca de 29 mil por ano”, frisou o mesmo dirigente.

Questionado sobre de há discrepâncias entre os vários distritos do Alentejo, Henrique Sim-Sim indicou que os distritos de Beja e de Portalegre são “os mais preocupantes”. E acrescentou: “Mértola é dos casos mais inquietantes em termos de perda de população, assim como muitas pequenas localidades do norte alentejano”. Por outro lado, referiu que as zonas de Évora e de Sines “têm estado a crescer”, exemplos da inversão do cenário.

O presidente da associação Alentejo de Excelência reiterou a convicção de que o despovoamento dos territórios do interior de Portugal é cada vez mais acentuado e parece ser, efetivamente, uma inevitabilidade, dando como exemplo, haver menos pessoas, cada vez mais envelhecimento e centros históricos ao abandono com evidentes casas devolutas.

Com a realização desta conferência, a associação quis “dar esse sinal de alerta para a sociedade civil e para as empresas”, defendendo que a situação tem de ser olhada com atenção e há que “encontrar soluções para a inverter”. De acordo com Henrique Sim-Sim, o caminho passa por mais investimento “no desenvolvimento do capital humano e em “iniciativas mais reprodutivas, que acrescentem valor à região, que valorizem os produtos endógenos e que façam com que as empresas sejam mais qualificadas para que os jovens não tenham de sair. E não podemos olhar só para o nosso território. Temos que trabalhar com pessoas e empresas de fora”.

Autarquias
são chamadas
à responsabilidade para
a atração de empresas capazes

de criar emprego

Luis Moreno, professor do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa afirmou que o despovoamento vai continuar, mas defendeu que o seu combate “não é inevitável”. Disse crer que, daqui a dez ou 15 anos vai haver alguma recuperação em alguns territórios. A tendência é haver uma perda disseminada de população, em que há aldeias que morrem mesmo, enquanto algumas das vilas vão crescer à custa disso e as cidades também crescem um pouco ou, pelo menos, “aguentam-se”. No que diz respeito ao Alentejo, o investigador sublinhou que o fenómeno não vai notar-se tanto porque já está a acontecer, mas que a região “tem que conseguir captar alguma população das áreas metropolitanas”, considerando ser indispensável “revitalizar o tecido económico e torná-lo mais funcional”.

O empreendedor social Frederico Lucas, um dos autores do projeto “Novos Povoadores” apontou o dedo às políticas públicas desenvolvidas nas últimas décadas que, a seu ver, contribuíram para que se mantivesse este cenário de despovoamento dos territórios do interior. Não obstante, esclareceu não estar a responsabilizar os governos, mas as autarquias. “Os projetos que são dinamizados para estes territórios não são capazes de criar valor e, assim, não criam emprego”, frisou. Frederico Lucas deu o exemplo de que através do projeto “Novos Povoadores” migraram para o Alentejo 17 famílias e destas “15 tiveram que desistir”.

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