acerca otoño 2
Diario do Sul
Twitter rectangular

Apenas 5 mil vão ao médico

Cerca de 50 mil alentejanos sofrem de enxaqueca

Serão cerca de 50 mil os habitantes do Alentejo afetados por enxaqueca, sabendo-se que cada doente com este diagnóstico faltará em média três a quatro dias por ano ao trabalho ou à escola.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

02 Março 2016

A enxaqueca é uma das doenças neurológicas com maior prevalência na região, mas que, segundo os especialistas é, simultaneamente, das mais subdiagnosticadas patologias entre os três distritos, tratando-se de uma doença onde prevalece a auto-medicação, com recurso a medicamentos de venda livre, nomeadamente na sua fase mais primária, onde a patologia se assemelha a uma “normal” dor de cabeça, segundo a Sociedade Portuguesa de Cefaleias.

De acordo com os médicos, o único estudo epidemiológico realizado em Portugal, mostra que apenas dez por cento da população que sofre de enxaqueca - ou seja, no caso do Alentejo são cerca de 5 mil pessoas - procura ajuda médica. Sabe-se, entretanto, que as mulheres são mais atingidas do que os homens.

Em alguns indivíduos a dor de cabeça motivada pela enxaqueca traduz-se em perturbações visuais conhecidas como aura, náuseas e vómitos, sendo a causa da doença ainda desconhecida, admitindo os especialistas que poderá envolver um funcionamento anormal dos componentes das células nervosas dentro do cérebro.

O neurologista Jorge Machado descreve que os principais sintomas são as dores intensas de apenas um dos lados da cabeça, podendo também haver náuseas e intolerância à luz e ao ruído. As crises podem durar entre quatro e 72 horas, alertando o especialista que a melhor forma de se distinguir uma enxaqueca de uma dor de cabeça simples, é o facto da enxaqueca provocar dores mais intensas.

“Quando as pessoas têm uma crise até costumam pedir para que não lhes toquem na cabeça e sentem agravamentos quando se baixam”, refere, sublinhando tratar-se a enxaqueca de uma “dor de cabeça primária”. Quer isto dizer, que, só por si, já é uma doença, pelo que as pessoas não devem ir à procura de alguma outra patologia que justifique essa mesma dor.

As investigações realizadas mostram ainda que são as mulheres quem mais sofre com a doença, à ordem de três mulheres para um homem, admitindo os especialistas que os fatores hormonais sejam determinantes. As enxaquecas aparecem, sobretudo, no período fértil da vida, entre a primeira e última menstruação, sendo curioso que nas gravidezes não há enxaquecas a partir dos três meses de gestação.

Os especialistas alertam que a forma como cada um faz o tratamento é também fundamental para analisar a sua eficácia. Por exemplo, um paciente que espere muito tempo para tomar a medicação corre o risco de a vomitar. Aconselha-se, por isso, iniciar o tratamento com antecipação (ou seja, logo que surjam os primeiros sinais) e na menor dose possível. Os médicos garantem que é impossível impedir as crises, mas a enxaqueca pode ser adiada, suavizada e o seu impacto pode até ser reduzido.

Para as enxaquecas moderadas ou ligeiras, os analgésicos comuns, como por exemplo, o paracetamol, o ácido acetilsalicílico e o ibuprofeno poderão ser suficientes. Outros medicamentos utilizados são os antieméticos, que evitam os vómitos e diminuem as náuseas. Quando os analgésicos tradicionais não são suficientes, deve encarar-se a possibilidade de tomar medicação específica para a enxaqueca.

Ainda segundo os neurologistas, tomar medicamentos regularmente contra a dor, sejam analgésicos simples ou medicamentos para as enxaquecas, pode causar o efeito contrário. Em vez de impedir as dores de cabeça, podem acabar por provocá-las. O organismo habitua-se à medicação e a dor de cabeça acaba por ser causada pelo próprio tratamento: é o chamado “efeito rebound”.

Dê-nos a sua opinião

Incorrecto
NOTA: As opiniões sobre as notícias não serão publicadas imediatamente, ficarão pendentes de validação por parte de um administrador.

NORMAS DE USO

1. Deverá manter uma linguagem respeitadora, evitando conteúdo malicioso, abusivo e obsceno.

2. www.diariodosul.com.pt reserva-se ao direito de eliminar e editar os comentários.

3. As opiniões publicadas neste espaço correspondem à opinião dos leitores e não ao www.diariodosul.com.pt

4. Ao enviar uma mensagem o utilizador aceita as normas de utilização.