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Escultor doou espólio à DRCA, CME e UÉ na presença do ministro da Cultura

Vai “nascer” uma Casa/Ateliê João Cutileiro em Évora

A doação ao Estado pelo escultor João Cutileiro de parte do seu património foi formalizada anteontem, em Évora, na presença do ministro da Cultura, João Soares. O ato vai permitir criar nesta cidade alentejana a Casa/Ateliê com o seu nome, numa parceria entre a Direção Regional de Cultura do Alentejo, a Universidade e Câmara de Évora.

Autor :Maria Antónia Zacarias

Fonte: Redacção D.S.

02 Março 2016

O artista pretende que o espaço seja utilizado para fins culturais/académicos relacionados com a sua produção artística, nomeadamente para o estudo e formação na área da escultura em pedra, onde se incluem atividades relacionadas com a realização de exposições, residências artísticas, visita e fruição pública.

João Cutileiro, de 78 anos, explicou que decidiu doar ao Estado o seu património e espólio, incluindo parte da sua casa, para “poupar os meus filhos de ficarem com isto”. E justificou: “Fui amigo do José Almada Negreiros, filho de Almada Negreiros, desde os 13 anos e até ele morrer e o desgraçado nunca se ‘levantou’ da morte do pai, porque recebeu todo o espólio. Por isso, não quero que os meus filhos recebam o espólio porque, senão, nunca mais fazem nada na vida por eles”.

A doação pelo mestre Cutileiro foi considerada pelo ministro da Cultura, João Soares, “um grande exemplo para o país”. O governante afirmou parecer-lhe “um gesto extremamente importante, antes de mais porque vai contra aquilo que tem sido dominante na Europa e na nossa terra, infelizmente, nos últimos anos, que é o egoísmo e o ‘salve-se quem puder’”.

O ministro sublinhou que com este gesto, João Cutileiro, que “é uma grande figura das artes em Portugal, dá prova de desapego dos interesses materiais e dá um grande exemplo ao país”.

Ana Paula Amendoeira, diretora regional de Cultura do Alentejo, disse entender que “o nosso querido mestre João Cutileiro, com esta sua doação, presta a maior homenagem à cidade e à região onde há décadas decidiu viver e trabalhar”. Em seu entender, esta realidade que Cutileiro transforma há décadas com a maestria dos grandes artistas,” vai ser por sua vontade ainda mais pública do que tem sido até agora, vai poder abrir-se aos jovens estudantes de artes na Universidade, à população do Alentejo e do país, aos visitantes que nos chegam de todo o mundo e aos artistas que querem, que ainda sabem a importância de fazer escultura em pedra”.

Património artístico
vai ser mostrado
ao público e contribuir

para o estudo científico
da escultura em Portugal

Para o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, o escultor “é um artista de renome internacional que tem marcado positivamente Évora, o Alentejo e Portugal”, reiterando a ideia de que a criação da Casa/Ateliê vai permitir dispor de um “espólio importante para ser mostrado ao público na cidade alentejana”. Olhando para João Cutileiro, o autarca salientou o facto de tratar-se de um artista que “teve a capacidade de romper fronteiras, de criar coisas novas e de, numa altura do fascismo, quando havia um cinzentismo muito grande à volta da cultura, mostrar que havia outros caminhos a seguir”.

A vantagem de possibilitar uma componente de formação com a universidade foi igualmente evidenciado pela reitora, Ana Costa Freitas. “A Universidade de Évora tem uma Escola de Artes, das mais recentes apostas em termos de oferta formativa. Num espaço natural de criação artística como é o Alentejo e concorrendo nós para o grande objetivo que é tornarmo-nos numa referência no contexto artístico português, este interesse apresenta-se como óbvio, pelas enormes vantagens que os nossos estudantes e investigadores podem ter nestes domínios”, sustentou.
A doação de João Cutileiro inclui o seu património pessoal, constituído pela casa onde vive e trabalha e o respetivo recheio, que compreende um conjunto muito significativo de obras de escultura, desenho e fotografia, assim como a sua biblioteca, documentação variada e os seus instrumentos de trabalho.

As entidades que vão acolher este espólio consideram que lhes compete, agora, pugnar pela vida deste património, salientando sempre “a obra da vida do homem e do escultor que escolheu Évora para fazer arte.

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