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Diario do Sul
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Via entre Sines e Santo André

Obras voltam a parar na estrada da gincana e condutores até já falam em “enguiço”

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

24 Março 2016

Carlos Duarte, um dos milhares de automobilistas que todos os dias circulam na estrada entre Sines e Santo André confessa: “Bati palmas quando em julho vi que as obras tinham regressado. Até havia máquinas e pensei que desta é que era, após cinco anos de paragem”. A estrada de que se fala é mesma onde os automobilistas fazem gincana em arriscadas ultrapassagens, mesmo desrespeitando frequentemente os pinos que separam as quatro faixas de rodagem – indicando que só podem ser utilizadas duas - e as dezenas de sinais cobertos de plásticos negros ao longo de 13 quilómetros. Afinal, o “pesadelo”, como lhe chama o automobilista, não estava a chegar o fim. Apesar do próprio presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Ramalho, ter garantido em agosto de 2015 que sim. Apontou o prazo de 6 de outubro para conclusão das obras, mas ainda não foi desta. Segundo as IP, agora foi a mudança de Governo que atrasou a aprovação do processo de renegociação que vai permitir ter acesso ao financiamento.

“Isto já parece enguiço, estava tudo bem encaminhado e até garantiram que desta vez é que a coisa se fazia. De repente, pararam tudo e não nos disseram mais nada até hoje”, lamenta o automobilistas que passa por aqui todos os dias e até já foi apanhado pela GNR a ultrapassar, numa tarde em que estava atrasado para o trabalho. “Escapei à multa, porque as autoridades também percebem que isto é ridículo”, confidencia Carlos Duarte.

O automobilista é apenas mais um entre os milhares de condutores que diariamente circulam na via de acesso ao complexo industrial de Sines e praias da costa alentejana (São Torpes, Porto Covo, por exemplo) nos três meses de verão, admitindo não ter paciência para viajar a 50 quilómetros por horas, acabando por ultrapassar outras viaturas ignorando os pinos e o limite de velocidade. “Se isto é uma autoestrada que está concluída, do que é que ainda estão à espera para retirarem os pinos?”, questiona, enquanto Álvaro Dias, que trabalha numa horta próxima da via, testemunha que nos últimos meses apenas tem visto “três ou quatro homens” a limparem a estrada. “Também nos disseram no verão passado que era só mais uns tempos para isto ficar impecável, mas parece que voltámos ao mesmo”, diz resignado.

Sé depois de devidamente habilitada, a Estrada Regional 261-5 - a mesma que tem perfil de autoestrada – poderá ser libertada dos famigerados pinos, abrindo o troço à via de quatro faixas. “Os pinos estão ali como medida de segurança e não podem ser retirados antes de estar tudo concluído”, explicou ainda em agosto o presidente das IP.

Mas confrontado com nova interrupção das obras, o presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, já reclamou a conclusão definitiva da estrada, lamentando que este processo se arraste há seis anos. O autarca recorda a “localização nevrálgica” que a via representa para a cidade de Santo André (freguesia do seu concelho) onde vivem mais de 10 mil pessoas que. “Na sua esmagadora maioria, utilizam esta via na deslocação para o seu posto de trabalho, que se situa no complexo industrial de Sines”, refere ainda Álvaro Beijinha , que alerta para a “segurança da via” e “graves constrangimentos para os milhares de utentes”.

À espera do Tribunal de Contas

Recorde-se que este tema já esteve à mesa de um encontro entre o autarca daquela Câmara do Litoral Alentejano e o presidente das Infraestruturas de Portugal (IP), tendo as IP assegurado ao que no âmbito do procedimento de renegociação promovido pela Comissão de Negociação, foi estabelecido, a 18 de junho de 2015, um acordo com a Sociedade Portuguesa para a Construção e Exploração Rodoviária (SPER).

Contudo, o acordo precisa de aprovação do Governo para que a empresa fique legalmente habilitada a proceder à assinatura dos instrumentos contratuais acordados e seu envio ao Instituto de Mobilidade Terrestre e ao Tribunal de Contas para efeitos de fiscalização prévia. Acrescenta que o relatório de negociação foi já, de facto, presente ao Governo pela unidade encarregue de renegociar este tipo de parcerias, “mas devido ao período de transição governativa, a respetiva aprovação ainda não ocorreu”, acrescenta, o que teve reflexo na libertação de financiamentos “para que os trabalhos decorressem ao seu ritmo normal”.

A empresa admite que, contrariando as espectativas e o planeamento existente no início de setembro de 2015, atualmente o empreendimento está a ser reprogramado, “sendo essencial para a definição da data de conclusão a obtenção da aprovação do novo contrato junto do Governo, do IMT e do Tribunal de Contas”.

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