Diario do Sul
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Acidentes provocados por animais continuam a ocorrer nas estradas do Alentejo

Cães são os maiores causadores, mas bovinos são os que mais preocupam

Évora tem características muito próprias, nomeadamente o misto de ruralidade e de urbanismo. São visíveis os animais que pastoreiam nas bermas da estrada, umas vezes com o pastor, outras presas ou soltas e sozinhas nas zonas verdes da cidade.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

06 Abril 2016

Este cenário é transponível para os campos que fazem as ligações entre Évora e outras cidades, tendo segundo o “Diário do Sul” apurado que o último acidente que ocorreu foi há 13 dias, de noite, na Estrada Nacional 118, em direção a Estremoz, mas logo à saída de Évora, perto do “Cantinho dos Animais”. Uma colisão com um bovino que estava no meio de uma faixa provocou uma forte ansiedade na condutora que foi transportada para o Hospital do Espírito Santo de Évora, graves danos na viatura e a morte do animal.

Os relatos de acidentes provocados por animais que se atravessam na estrada, sobretudo, durante o período da noite, está a provocar preocupação. Há até grupos nas redes sociais, onde os cidadãos vão avisando sobre este tipo de situações, como forma de prevenir mais sinistros.

Contactado o capitão Ricardo Samouqueiro, oficial de comunicação e relações públicas do Comando Territorial de Évora da Guarda Nacional Republicana, garantiu que este aspeto da sinistralidade com animais “é e continuará a ser uma preocupação constante do Comando Territorial de Évora e da Guarda Nacional Republicana”. O mesmo responsável adiantou que em 2014, 2015 e 2016 (tendo sido apuradas as ocorrências registadas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano), dos acidentes que envolveram animais, um total de 264, “registaram-se, ao nível dos ocupantes das viaturas, nove feridos leves, três feridos graves, não tendo sido registada qualquer vítima mortal”.

A região do Alentejo Central, bem conhecida pelas vastas extensões de planícies e respetivamente de propriedades, “não é propriamente uma região de fácil controlo e monitorização destas ocorrências, pelo que, não é apenas uma missão das Forças de Segurança garantir que elas não sucedam,”, evidenciou o capitão Samouqueiro. Mas alertou: “Acima de tudo é uma missão de todos, nomeadamente dos proprietários para que garantam o confinamento dos animais nas suas propriedades e os próprios condutores para que respeitem ao máximo as sinalizações de perigo de animais à solta em determinados locais”.

Neste ano de 2016
já se registaram 25
sinistros rodoviários

No que diz respeito à área de atuação do Comando Territorial da GNR de Évora, e das situações que envolvem quer a sua ação de prevenção e de fiscalização, quer de acidentes que envolvam animais, “as mesmas podem ser divididas em acidentes com animais domésticos e acidentes com animais selvagens.
O registo estatístico respeitantes a acidentes com animais, facultado pelo mesmo responsável, revela que o ano de 2015 foi mais problemático quando comparado com o ano de 2014. Assim, em 2014 foram registados 114 acidentes, dos quais os sinistros provocados com cães lideram, seguidos de javalis, ovelhas, cavalos e raposas. No ano passado, a GNR assegura que houve uma ligeira subida, mais 11 ocorrências, onde o cão volta a liderar o ranking, seguido dos javalis, das ovelhas, das raposas e dos cavalos.
No que respeita a este ano de 2016, os dados avançados dizem respeito aos meses de janeiro e fevereiro com um total de 25 acidentes. Os cães voltam a ser os principais causadores destas ocorrências, seguidos dos javalis, da raposa e dos bovinos.

Georreferenciação
permite conhecer
os locais mais perigosos

Apesar dos canídeos serem os principais animais envolvidos em sinistros, Ricardo Samouqueiro explicou que à semelhança de qualquer outra espécie de animais domésticos, “os bovinos são também uma preocupação constante, pelo que as ações de caráter preventivo, essencialmente junto dos criadores e proprietários têm sido levadas a cabo de uma forma mais incisiva nas áreas dos destacamentos onde temos tido conhecimento de maior número de casos deste género”.

O oficial de relações públicas salientou que, no ano de 2014, o Comando Territorial de Évora, “fruto de uma análise rigorosa que fez às causas da sinistralidade rodoviária”, detetou um número significativo de acidentes envolvendo animais. No seguimento dessa constatação, “foi trabalhado e previsto um protocolo com as Universidades de Aveiro, do Porto e de Évora, com o tema ‘Preservar a fauna, prevenir a sinistralidade’ e concebido como ponto de partida para um estudo científico sobre a matéria, cabendo à GNR monitorizar todos os acidentes rodoviários que envolvessem animais de espécies de fauna selvagem”, frisou.

Desta forma, foi possível passar a ter um tratamento estatístico deste tipo de ocorrência, ficando a saber-se não só o número de acidentes envolvendo animais, mas também o tipo de animais envolvidos, “visto que uma parte dos acidentes envolvem animais domésticos e as universidades estão mais interessadas nos animais da fauna selvagem, com vista à sua preservação”.

Já no início do ano de 2015, Ricardo Samouqueiro explicou que foi acrescentada uma importante informação a estas ocorrências, a georreferenciação de todos os acidentes envolvendo animais. “Na posse de mais este dado, está o Comando Territorial de Évora da GNR, a estudar os principais locais de incidência deste tipo de acidentes, para divulgação e alerta às populações e sensibilização dos proprietários, procurando assim prevenir e evitar estas situações”, sublinhou.


GNR sensibiliza
os proprietários dos animais
e os condutores

A Guarda Republicana asseverou que tem vindo a lançar alertas, chamando a atenção dos condutores para esta problemática e sensibilizando-os para a necessidade de redobrar a atenção e o cuidado. E exemplificou: “Foi inclusive criado em 2014, em parceria com diversas entidades, um cartaz de recomendações aos condutores”. Ao mesmo tempo, esta matéria foi incluída nas temáticas abordadas no âmbito do programa escola segura e envolvendo o Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente, “procurando assim começar a sensibilização junto dos mais jovens, dando início a uma mudança de mentalidades, que esperamos venham a dar frutos no futuro”, evidenciou Ricardo Samouqueiro.

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