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Diario do Sul
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Continua sem tréguas

Furto de pinha vai para lá da campanha

O furto de pinhas continua sem abrandar na região. Já esta semana, depois da apanha ter terminado, a GNR deteve mais suspeitos, ao intercetar um casal em flagrante delito na localidade de Cabrela (Montemor-o-Novo) quando roubava pinhas.

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

07 Abril 2016

O homem tem 37 anos e a mulher 18 tendo sido abordados pelas autoridades quando já tinham na sua posse cerca de 200 quilos daquele fruto seco. Ainda assim, nada comparado com os 35 mil quilos de pinhas apreendidos pela GNR de Elvas há menos de um mês, parceria com as autoridades espanholas.

Estes são apenas os dois casos mais recentes, mas recorde-se que o fenómeno tem crescido na região, explicando os produtores que a tentação pelo roubo de pinhas se justifica com o facto de o quilo deste fruto ascender aos 80 cêntimos, enquanto as sacas utilizadas na colheita têm capacidade de 40 quilos. Ou seja, ganhar 32 euros pode estar à distância de encher uma simples saca.

É por estes valores que o furto de pinhas continua a ser das maiores dores de cabeça dos proprietários dos pinhais no Alentejo, sobretudo na franja entre Vendas Novas e Alcácer do Sal. Esta prática - que aumentou nos últimos anos, quase de braço dado com a subida do desemprego - funciona como uma espécie de “trabalho sazonal”, levada a cabo por mão-de-obra “especializada”, com recurso a carrinhas, escadas e ferramentas adequadas.

Quem o faz, chega ao detalhe de roubar apenas as pinhas que estão nos ramos interiores das árvores, deixando os frutos que se encontram na parte de fora. Um esquema de conhecedores para iludir os proprietários, segundo as próprias autoridades.

Os furtos deixam marcas bem visíveis no terreno. Além de árvores despidas de frutos, também as cercas surgem cortadas amiúde. Há quem comece a furtar pinhas antes da época legalmente estipulada (16 de dezembro), quando o pinhão ainda não atingiu a seu nível ideal de maturação.

Segundo os produtores, as pinhas furtadas são vendidas sem qualquer documento aos intermediários que, por sua vez, as fazem chegar às fábricas, a quem cobram o IVA. “Essa taxa é o lucro dos intermediários”, garante o empresário Hélio Cecílio, reclamando maior fiscalização nas florestas e sensibilização das autoridades no sentido de terem mão pesada “cada vez que encontrarem carregamentos de pinhas antes de 15 de Dezembro.”

Não é de hoje que a indústria do pinhão reclama fiscalização apertada junto das autoridades no combate aos roubos e às colheitas fora de prazo, alertando para outros casos de comércio paralelo, pedindo à ASAE que vá às feiras à procura de vendedores de pinhão e que lhe solicite os documentos relativos ao produto.

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