Diario do Sul
PORTUGAL 2020 SET

Em dia de festa com entrega de diplomas

Governante elogiou Epral e anunciou mais dinheiro para as escolas no primeiro período

O alerta fora dado pela presidente da Fundação Alentejo, Fernanda Ramos, minutos antes da entrega dos diplomas aos alunos do Pólo de Évora e Estremoz da Escola Profissional da Região Alentejo (Epral):

Autor :Roberto Dores

Fonte: Redacção D.S.

29 Abril 2016

“Não podemos ter uma escola nova, uma escola a caminho do novo tempo, sujeitando-a a posturas, normativos e regulamentos que são condicionadores e inibidores dessas dinâmicas”. E o secretário de Estado da Educação, João Costa, também concorda, tendo garantido ao “Diário do Sul” que vêm por aí novos modelos de financiamento para que “não se repitam os problemas do passado recente”.

Foi perante um auditório da Universidade de Évora cheio que Fernanda Ramos lamentou que aos processos burocráticos se juntem “algumas interpretações e leituras maximalistas de normas e regulamentos que penalizam fortemente as instituições”, designadamente as do Interior. “Não têm em conta variáveis de contexto ou conjunturais que não dependem ou não podem ser contrariadas pelas escolas e pelas entidades proprietárias”, acrescentou.

Depois apelou ao diálogo e à reflexão partilhada, acreditando ser este o caminho mais óbvio para “ultrapassar essas situações e, em conjunto e de forma leal, concretizarmos as metas e objetivos em que convergimos e que são fundamentais para a região e para o país”, referiu, asseverando que “é o tempo de reapreciar e ajustar normas e regulamentos, considerando a experiência do passado e os desafios que se colocam”.

Ainda segundo Fernanda Ramos, “não podemos ter uma escola criativa e um projeto educativo vivo e dinâmico se sistematicamente se faz cair, à posteriori, sobre os ombros dos seus promotores e dos seus atores penalizações”, adiantou. A presidente da Fundação Alentejo reportava-se a penalizações financeiras, com alegada “base em critérios discutíveis e imprecisos, em algoritmos de difícil compreensão, que decorrem quase sempre de factos que emanam das dinâmicas da sociedade e que escapam à capacidade de intervenção, preventiva ou corretiva, das escolas e entidade proprietárias”.

Ao alerta deixado por Fernanda Ramos respondeu o secretário de Estado com a alegada herança deixada pelo Programa Operacional de Capital Humano (POCH) – cofinanciado pelo Fundo Social Europeu. “Verificamos que havia um atraso enorme em termos de pagamentos às escolas e de análises de candidaturas. São atrasos inaceitáveis que geraram situações de estrangulamento financeiro graves em algumas escolas, com atraso no pagamento aos formadores e professores”, reconheceu João Costa, revelando ter sido já criado um cronograma que permite às escolas ter uma previsão sobre os pagamentos.

“Este foi um ano em que tudo correu mal, porque as aulas já tinham começado e as candidaturas ainda não estavam feitas”, reconheceu o governante, adiantando que paralelamente está a ser programada uma rede para que estes erros não se repitam no próximo ano letivo.

Justificou João Costa que o cronograma já feito prevê que ainda no primeiro período “as escolas já estejam a receber os seus pagamentos”, enquanto há outra mudança em carteira, que contempla a alteração à taxa de adiantamento do primeiro reembolso que passa de 15 para 65%. “Isto vai permitir que as escolas tenham uma tesouraria para funcionar com a dignidade que merecem e precisam”.

Do sucesso escolar ao aplauso à dinâmica

O secretário de Estado deixaria ainda elogios à “dinâmica” que caracteriza a Epral. “É um exemplo claro de uma escola que cumpre a função principal do que deve ser uma escola, garantindo a mobilidade social e uma vida mais digna para todos. É esta a dinâmica que se deseja para o futuro dos jovens”, disse, sustentando que o desafio que agora se coloca “não é o de ter chegado ao fim, mas o de estar a começar. Este é o caminho da aprendizagem ao longo da vida”.

Também presente da cerimónia, o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, destacou o papel da Epral na educação da região, admitindo tratar-se de uma ferramenta essencial no combate à desertificação, quando diariamente há sete pessoas (em média) que abandonam esta terra. “É um problema de estratégia e de políticas económicas que importa inverter com recurso a políticas de favorecimento do Interior”, advogou, colocando a educação como um dos eixos essenciais.

“A Epral tem dado um contributo muito importante para cumprir esse objetivo da formação profissional. Tem feito esse caminho com grande qualidade e a minha presença também quis testemunhar esse papel”, sublinhou o autarca, recordando os primeiros anos da escola, onde viria a colaborar. “Foi anunciado agora pelo Governo uma particular atenção ao Interior e eu espero que isso se possa traduzir em políticas que travem o despovoamento e permitam desenvolver estas regiões, para que estes jovens possam ficar cá a trabalhar”, resumiu Carlos Pinto de Sá.

Além do secretário de Estado da Educação e do presidente da Câmara de Évora, marcaram presença o deputado Norberto Patinho, o diretor pedagógico da Epral, João Lázaro, o gestor do POCH, Pedro Taborda, Maria do Carmo Ricardo, em representação do presidente da CCDRA, o pró-reitor, José Godinho Calado, em representação da reitora da Universidade de Évora, entre outros.

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