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Diario do Sul
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Biodiversidade

Olivais intensivos podem ameaçar morcegos no Alentejo

Investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade de Évora (CIBIO-UE) acabam de publicar um estudo na revista Animal Conservation que relaciona a diminuição da atividade e do número de espécies de morcegos insetívoros em áreas de olivais. Esses morcegos têm um papel fundamental no controle de pragas, algo que já foi demonstrado em diversas plantações em todo o mundo.

08 Maio 2015

O principal objetivo do estudo foi determinar a composição das comunidades de morcegos insetívoros e a sua atividade em olivais do Alentejo. José Herrera, primeiro autor do artigo publicado, estima que existem cerca de 18 espécies de morcegos insetívoros no Alentejo. “No entanto, no interior dos olivais, observamos apenas 10 espécies. Algumas delas com abundâncias muito baixas”, conta Herrera. De acordo com o autor, esta informação indica que os olivais podem ser habitats com pouca qualidade para os morcegos.

Os morcegos insetívoros são uma peça fundamental no controle natural de pragas. Embora este estudo não tenha medido explicitamente a função dos morcegos enquanto controladores de pragas, José Herrera explica que “a diminuição da diversidade e dos níveis de atividade dos morcegos, que aparecem à medida que aumenta a intensificação do manejo dos olivais, indica que esta função pode estar profundamente comprometida”.

De acordo com António Mira, os olivais parecem servir mais como áreas de passagem do que áreas reais de alimentação de morcegos insetívoros. “A homogeneidade associada à intensificação dos olivais é a principal causa da diminuição do nível de atividade e da diversidade de espécies nestas culturas”, completa Herrera.

A intensificação agrícola é uma das principais causas de ameaça à biodiversidade do planeta. “Globalmente, 40% da superfície terrestre foi convertida para uso agrícola, transformando habitats naturais em áreas de cultivo e por essa razão um vasto número de espécies está ameaçado”, explica Mira.

Os olivais são uma das principais culturas agrícolas na região mediterrânea e têm vindo a expandir-se. Para José Herrera, gerir os olivais tendo em conta a conservação dos morcegos é fundamental e urgente, “tendo em conta a superfície cada vez maior deste cultivo não só em Portugal, mas em toda a Europa, particularmente nos países da bacia Mediterrânea”.

Este é o primeiro estudo que demonstra explicitamente o impacto dos olivais na composição das comunidades e níveis de atividade de morcegos insetívoros, um grupo de espécies que está no topo da lista de prioridades para a conservação na Europa. António Mira explica que o atual efeito das práticas agrícolas continua pouco compreendido. “Longe de ser trivial, esta lacuna no nosso conhecimento pode ter importantes implicações para a gestão da conservação”, diz o investigador. “Nós discutimos quais as medidas de gestão que melhor preservam a composição da comunidade e a funcionalidade ecológica dos morcegos insetívoros em olivais mediterrâneos”, completa.

Herrera explica que promover a heterogeneidade dos olivais através da presença de habitats naturais, como sebes e pequenas manchas florestais, bem como uma gestão integrada do controle de pragas, “é fundamental para garantir a presença e funcionalidade dos morcegos insetívoros em olivais”.

Para os autores, é urgente o desenvolvimento de políticas que garantam a continuidade da produção de alimentos sob práticas agrícolas mais amigas do ambiente.

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