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Diario do Sul
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24 HORAS DE LE MANS 2015

O regresso da Porsche

Duas edições, foi quanto a marca alemã, recordista de vitórias em Le Mans, necessitou para renovar com o sucesso na prova francesa. Afastada da categoria principal das provas de resistência desde 1998, ano da sua última vitória, a casa de Stuttgart necessitou de apenas duas tentativas para destronar a Audi, que desde o principio do século só tinha sido batida por duas vezes no circuito de La Sarthe.

Fernando Rei - Enviado Especial D.S.

30 Junho 2015 | Fonte: Redação D.S.

Duas edições, foi quanto a marca alemã, recordista de vitórias em Le Mans, necessitou para renovar com o sucesso na prova francesa.

Afastada da categoria principal das provas de resistência desde 1998, ano da sua última vitória, a casa de Stuttgart necessitou de apenas duas tentativas para destronar a Audi, que desde o principio do século só tinha sido batida por duas vezes no circuito de La Sarthe.

Numa edição que foi a segunda com maior distância percorrida pelo vencedor, e uma das mais disputadas de sempre, a Porsche saiu vencedora de um combate a três com a grande favorita Audi e os outsiders da Toyota. Estes, embora menos competitivos que no ano passado, contavam com eventuais problemas de fiabilidade dos seus rivais alemães, para alcançarem a tão ambicionada primeira vitória em Le Mans. Mas os problemas de fiabilidade não apareceram, pelo menos na Porsche, e assim os sete segundos por volta que os carros japoneses perdiam para a Porsche e os três para a Audi foram inultrapassáveis, traduzindo-se à chegada numa diferença de oito voltas do Toyota melhor classificado para o vencedor.

Mas se a marca japonesa, deu pouca ou nenhuma luta aos carros de Weissach, o mesmo não se pode dizer da outra marca do grupo Volkswagen, a Audi detentora do troféu desde 2011.

Com um carro que em qualificação não se conseguiu aproximar dos Porsche, o melhor Audi ficou a três segundos da pole-position, os homens do Dr. Wolfgang Ullrich contavam com a sua habitual eficiência em corrida e com eventuais problemas dos seus adversários, para compensarem o seu handicap em velocidade pura. No entanto, se isto se verificou nas duas primeiras provas do campeonato, Silverstone e Spa, desta vez isso não aconteceu. Os carros da Porsche aliaram a sua já reconhecida velocidade com uma fiabilidade que não se lhes conhecia. Só o carro nº 18 de Dumas/Jani/Lieb teve alguns problemas de travões, e acabou por ser a Audi a claudicar num capítulo em que normalmente é imbatível.

No principio da corrida, o plano dos homens de Ingolstadt até correu de acordo com o previsto. Um melhor aproveitamento dos pneus Michelin, permitia que os seus carros se mantivessem juntos com os Porsche, sendo o comando alternado de acordo com as entradas na boxe para reabastecimento e trocas de pneus e pilotos.
O primeiro dos carros da frente a ceder neste jogo foi o Audi nº 8 de Di Grassi/Duval/Jarvis, vitima de um incidente numa chamada “slow-zone” (zona de acidente em que os carros têm que andar a velocidade moderada). Loic Duval, então ao volante, não se apercebeu de uma destas zonas e embateu no rail para evitar os carros que à sua frente rodavam em velocidade moderada. Embora a reparação tenha sido rápida, o facto dos seus adversários não terem problemas, fez com que ficasse arredado desde logo da luta pelo primeiro lugar. Nesta luta pelo comando, quem se destacava era Filipe Albuquerque. Conduzindo o Audi nº 9, o piloto português juntamente com os seus colegas Bonanomi e Rast passou diversas vezes pelo comando, estabelecendo pelo caminho a volta mais rápida, que só viria a ser batida pelo seu colega da Audi, André Lotterer, já perto do final da corrida.

Mas os pequenos problemas devidos à luta intensa começaram a aparecer. Primeiro, foi o Porsche mais rápido de Webber/Hartley/Bernhard, a sofrer uma penalização de 30 segundos, que muito provávelmente lhe terá custado a vitória. Depois foi o Audi dos vencedores do ano passado, Lotterer/Fassler/Treluyer, a ter um furo e a sofrer também uma penalização que os atrasou ligeiramente, mas o suficiente para os obrigar a um ritmo ainda mais intenso para recuperar o tempo perdido. Tudo isto fez com que a quatro horas do final, fosse o Audi de Filipe Albuquerque o único a ainda poder lutar pela vitória, mas um problema num dos motores eléctricos do sistema hibrido, obrigou a uma paragem mais prolongada, que atirou o piloto português para o sétimo lugar final. E com todos estes incidentes quem beneficiou ?
Como normalmente acontece , o carro que conseguiu passar incólume a todos os precalços. Será a sorte de principiante? Provávelmente sim, pois foi o Porsche com a equipa menos experiente que acabou por ganhar a corrida. Aquele que era claramente o terceiro carro da marca de Stuttgart, impôs-se com a sua equipa improvável, composta por um piloto de fórmula 1 que nunca tinha corrido em Le Mans, Nico Hulkenberg, um jovem de 24 anos vindo das categorias de promoção da Porsche, Earl Bamber,que também nunca tinha corrida em La Sarthe, e outro piloto das fórmulas de promoção da Porsche, Nick Tandy, o único que já tinha corrido neste circuito, embora só por duas vezes e na categoria GT. Mas não será esta eventual sorte de principiantes a retirar mérito aos vencedores. Durante a noite impuseram um ritmo impressionante, que lhes permitou resistir aos assaltos dos Audi e os pôs ao abrigo do Porsche de Webber/Hartley/Bernhard que recuperou muito bem da penalização sofrida.

Le Mans 2015 saldou-se por uma vitória autoritária da Porsche, que ao regressar aos triunfos terminou também com o ciclo dominador da Audi. A expectativa para 2016 já é enorme. A Audi já afirmou que quer a desforra, a Toyota anunciou que está a trabalhar num novo carro que lhe permita recuperar a posição de destaque que tinha em 2014, e quem sabe, até pode ser que os exóticos Nissan com o seu motor dianteiro, que este ano passaram completamente ao lado da corrida, possam ter uma palavra a dizer.

Classificação final:

1º - Hulkenberg/Bamber/Tandy – Porsche 919 Hybrid - 395 voltas (1º LMP1)
2º - Bernhard/Webber/Hartley – Porsche 919 Hybrid a 1 volta
3º - Fassler/Lotterer/Treluyer – Audi R18 e-tron quattro a 2 voltas
4º - Di Grassi/Duval/Jarvis – Audi R18 e-tron quattro a 3 voltas
5º - Dumas/Jani/Lieb – Porsche 919 Hybrid a 4 voltas
6º - Wurz/Sarrazin/Conway – Toyota TS 040 Hybrid a 8 voltas
7º - Albuquerque/Bonanomi/Rast– Audi R18 e-tron quattro a 8 voltas
8º - Davidson/Buemi/Nakajima – Toyota TS 040 Hybrid a 9 voltas
9º - Howson/Bradley/Lapierre – Oreca 05-Nissan a 37 voltas (1º LMP2)
10º - Dolan/Evans/Turvey – Gibson 015S-Nissan a 37 voltas

17º - Gavin/Milner/Taylor – Chevrolet Corvette C7R a 58 voltas (1º GTE Pro)

20º - Shaytar/Bertolini/Basov – Ferrari 458 Italia a 63 voltas (1º GTE Am)


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