Diario do Sul
Alentejo 2020 Abril

Engenheiro agrónomo Marco Fernandes apresenta projeto que poderia solucionar o problema

Imigrantes que atravessam o Mediterrâneo poderiam trabalhar na limpeza e repovoamento da floresta

É do conhecimento geral o drama que é vivido diariamente no Mar Mediterrâneo pelos milhares de imigrantes que tentam alcançar a Europa em busca de melhores condições de vida.

Marina Pardal

26 Agosto 2015 | Fonte: Redação D.S.

O continente europeu está a viver um dos maiores afluxos de migrantes de sempre, na sua maioria sírios, mas também afegãos e africanos. As autoridades europeias têm-se reunido para discutir o problema, o Papa Francisco já pediu ideias, mas as soluções tardar em surgir.

Marco Fragoso Fernandes, engenheiro agrónomo e ex-presidente do Comité Consultivo da Cortiça junto da Comissão Europeia, apresenta, através do Grupo Diário do Sul, um projeto que poderia contribuir para solucionar este problema.

Os migrantes e refugiados que diariamente tentam chegar à Europa representam mão-de-obra importante para a limpeza das florestas e para a sua reflorestação. Esta é a ideia que Marco Fernandes defende, considerando que não se baseia numa visão meramente assistencialista.

“Não compreendo que a Europa continue ‘a empurrar’ este problema com a barriga, pois dá a impressão que nós vamos dar uma ‘esmolazinha’ a estas pessoas que estão a chegar aos milhares todos os dias à Europa, quando nós precisamos imenso deles”, argumenta.

A esse respeito, o engenheiro agrónomo salienta que “nós temos do Tejo para cima centenas de milhares de hectares ardidos por reflorestar e temos outras centenas de milhares de hectares de floresta por limpar, pois nem o Estado, nem os privados limpam esses terrenos”.

Nesse sentido, refere que “todos os dias morrem pessoas no Mediterrâneo, pessoas que nós podemos ajudar, sem fazer caridade e tornando-os úteis à floresta, ao país e à Europa, pois nós precisamos desta mão-de-obra”.

Reforçou ainda que “há este problema dos migrantes para resolver e a nossa floresta precisa do seu problema resolvido”, evidenciando que “vamos gastar 60 a 100 milhões de euros só com a despesa dos incêndios e temos aqui milhares de pessoas que precisam de trabalho, penso que seja evidente a solução”.

De acordo com Marco Fernandes, “a igreja portuguesa já pôs à disposição dos imigrantes alguns seminários e alguns conventos, além de que temos muitos quartéis abandonados, mas que estão operacionais a qualquer altura para receber pessoas, por isso, não há um problema de alojamento”.

No que diz respeito à forma de pagar esse trabalho, frisa que “há fundos comunitários, ainda esta semana a União Europeia aumentou a capacidade financeira de apoio aos refugiados, além de também existirem fundos a nível florestal das Nações Unidas”.

Recorda ainda que “na passada segunda-feira, o Presidente francês, François Hollande, pediu ideias, tal como o Papa Francisco já tinha feito quando foi a Lampedusa”. Na sua opinião, “esta era uma ideia que com certeza o Vaticano iria apoiar e para a qual também iria contribuir”.

Para além disso, “este projeto também poderia contribuir para suster as mudanças climatéricas que estão a ocorrer em toda a Europa”, lembrando que esta sua ideia “já está latente há alguns anos, desde que começámos a pensar na reflorestação dos sobreiros que iam morrendo”, adianta.

A esse respeito, Marco Fernandes destaca que, “neste momento, o problema do sobreiro já está em vias de ser resolvido, mas o problema é mais geral, até porque Portugal e Espanha têm milhares de hectares por repovoar e de floresta para limpar, nós temos a mão-de-obra que está a chegar à Europa sem saber o que fazer, porque não fazer um projeto europeu conjunto, pelo menos dos países do Mediterrâneo”, questiona.

Na sua perspetiva, “na altura dos Descobrimentos, Portugal andava à frente, depois temos andado sempre atrás das ideias dos outros, por isso era interessante numa altura destas ser Portugal a apresentar pela primeira vez projetos concretos de aproveitamento daquela mão-de-obra”.

Marco Fernandes assegura que “já enviei uma carta para o Ministério da Agricultura a explicar esta ideia, mas até ao momento não obtive resposta”, mantendo a esperança que “depois deste ponto de partida dado aqui pelo Grupo Diário do Sul, isto vá chegar aos ‘ouvidos’ do Vaticano”.

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