Diario do Sul
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Projeto está em consulta pública na câmara municipal e na CARMIM

Circuito Hidráulico de Reguengos de Monsaraz poderá estar em funcionamento em 2019

Os agricultores de Reguengos de Monsaraz poderão vir a beneficiar da água de Alqueva através do Circuito Hidráulico e respetivo Bloco de Rega que está a ser "desenhado" para este concelho, abrangendo uma área de cerca de dez mil hectares.

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redacção D.S.

30 Outubro 2015

O projeto está ser desenvolvido pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), estando agora no período de consulta pública. Depois das várias fases subjacentes a uma obra deste género, é previsível que o circuito esteja em funcionamento em 2019.

Na passada terça-feira, o auditório municipal de Reguengos de Monsaraz acolheu uma sessão de divulgação deste projeto, que contou com uma forte adesão, principalmente por parte dos agricultores.

Durante a iniciativa foi feita uma caracterização deste circuito e do bloco de rega, bem como dos respetivos estudos, tendo sido ainda apresentadas soluções de financiamento do regadio por parte do Crédito Agrícola.

No final da sessão, foi servido um almoço na CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, patrocinado pelo Crédito Agrícola do Alentejo Central, com oferta dos vinhos por parte da CARMIM.

À margem do evento, o presidente da EDIA, José Salema, explicou alguns dos principais pontos relacionados com esta obra. "Alqueva está a terminar o grande projeto de ter 120 mil hectares de regadio a funcionar", referiu, adiantando que "isso na campanha de 2016 já vai ser uma realidade".

Segundo José Salema, "ao longo destes anos em que o sistema tem vindo progressivamente a entrar em funcionamento, o que a EDIA observou é que as quantidades de água que o sistema tem capacidade para distribuir não são as quantidades que os proprietários estão a consumir, ou seja, sobra água".

Constatou ainda que "com a água que temos no rio e em Alqueva conseguimos chegar mais longe e assim regar mais área", considerando que "quando regamos mais área, criamos mais riqueza e essa é a missão da EDIA, pois pretendemos lutar pelo desenvolvimento regional e pela criação de riqueza no país".

O mesmo responsável realçou que "como temos mais água e como o sistema tem capacidade para distribuir mais água, fomos identificar as zonas que estão nas proximidades e esta zona de Reguengos é a primeira de dez zonas que vamos estudar", revelando que "há outras quatro que já estão em projeto de execução e que são Póvoa-Moura-Amareleja, Évora, Viana do Alentejo e Cuba-Odivelas".

Relativamente ao concelho de Reguengos de Monsaraz, o presidente da EDIA destacou que "esta é uma zona muito interessante, onde já há muitas culturas instaladas, já há uma tradição na vinha, no olival, tem bons solos agrícolas e portanto parece ser o terreno ideal para vir a ser servido também com a água de Alqueva".

Acrescentou ainda que "o projeto está a meio, estamos a desenvolvê-lo, os projetistas já analisaram a zona e já chegaram a uma solução e agora estão a confrontar os proprietários que vão servidos com esta solução, se concordam com ela ou não e que contributos é que existem da sociedade civil", esclarecendo que "depois de receber estes contributos, vão afinar a solução e desenhar em pormenor o circuito".

De acordo com José Salema, "o prazo de conclusão para o projeto em si é a meio do próximo ano e depois temos de contar sempre com mais meio ano de declaração de impacto ambiental", salientando que "na melhor das hipóteses poderíamos começar as obras no início de 2017 e depois demoraria cerca de 18 meses, que é um prazo típico das nossas empreitadas". Como tal, frisou ser "possível que este circuito esteja a funcionar na campanha de rega de 2019".

Garantiu ainda que "todas as contribuições que estamos a receber nesta fase de consulta pública, se o sistema tiver capacidade para lhes dar resposta e se não aumentar brutalmente o custo, iremos introduzi-las", revelando que "esta obra vai rondar um investimento de cerca de 40 milhões, mas estamos em crer que possa ser um pouco menos".

Para o presidente do Município de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, "esta é uma obra fundamental para o concelho, e não só, e para a agricultura desta região", especificando que "estamos a falar do bloco de rega de Reguengos que se estende por concelhos limítrofes, como o de Évora ou de Redondo".

Na sua perspetiva, "o projeto tem uma importância fundamental", frisando que "estamos a tratar da água para agricultores que já estão no terreno, têm os seus investimentos e já existe a capilaridade da rede, há apenas a necessidade da injeção do hidrante porque os lençóis freáticos estão cada vez com ciclos de carência mais prolongados".

O autarca considerou ainda que "é um momento muito importante para o nosso concelho e para os agricultores porque há situações dramáticas de transporte de água por meios rodoviários e isso tem custos elevadíssimos para os agricultores".

Segundo José Calixto, "esta obra traz mais-valias na vertente de otimização de culturas que são fundamentais neste concelho, como é o caso da vinha, mas, para além disso, representa todas as outras oportunidades em outras culturas que se podem implementar".

Alertou ainda que "o projeto encontra-se em consulta pública durante 15 dias (a contar da data de realização da sessão), quer na Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, quer na CARMIM", sustentando que "o município fez alguma pressão para que a consulta pública não fosse só durante as 36 horas que estavam previstas". Deixou também o apelo para que "todos possam dar o seu contributo para melhorar o projeto".


Crédito Agrícola apresentou soluções de financiamento do regadio

A sessão realizada em Reguengos de Monsaraz contou com uma apresentação por parte do Crédito Agrícola do Alentejo Central sobre as soluções de financiamento do regadio que esta entidade bancária disponibiliza.

De acordo com Francisco Ferro, vice-presidente da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Alentejo Central, explicou que "pretendemos associar-nos muito diretamente à EDIA neste projeto, celebrando um protocolo específico para este efeito para tudo o que tem a ver com o investimento no regadio neste bloco dos dez mil hectares".

Disse ainda que "consideramos que é da máxima importância este contributo para o desenvolvimento da economia regional e da agricultura, mais concretamente, e como não podia deixar de ser estamos sempre diretamente envolvidos com os agricultores, neste caso, financiando-os e com uma proximidade à EDIA que é a entidade que está a promover todo este projeto".

Francisco Ferro esclareceu também que "nós não temos envolvimento direto na EDIA, em termos de financiamento, mas sim no apoio aos projetos de investimento aos agricultores na transformação do sequeiro em regadio que vai ocorrer nesta área anunciada e noutras, sem prejuízo das outras atividades que temos para além da agricultura".

O mesmo responsável recordou que "temos agências colocadas em cada um dos pontos de referência que foram aqui objeto de apresentação como sendo polos de regadio, como é o caso de Reguengos, Corval, S. Manços, Montoito, entre outros".

Salientou ainda que "os agricultores podem fazer o contacto diretamente nas agências ou para uma abordagem um pouco mais específica, com os nossos serviços técnicos em Reguengos, o que permite aprofundar soluções técnicas e prestar aconselhamento".

Evidenciou também que "para além dos produtos standard que toda a banca tem, nós temos a particularidade de conseguir 'desenhar' uma solução financeira ajustada à natureza, dimensão e realidade que é cada exploração agrícola, definindo um plano e um tipo de financiamento que se enquadre nas necessidades dos agricultores".

CARMIM destaca o projeto como "fundamental" para os agricultores

A CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz foi uma das entidades que apoiou a sessão de divulgação sobre o Circuito Hidráulico e respetivo Bloco de Rega para este concelho alentejano.

Em declarações ao Grupo Diário do Sul, o presidente da CARMIM, Miguel Feijão, considerou que "para a CARMIM, este projeto é fundamental, é o sangue que vai correr nas veias dos associados da nossa cooperativa porque tem duas componentes fundamentais de interesse".

Especificou que "para os sócios da CARMIM, viticultores, olivicultores e agricultores em geral é fundamental ter água para poder programar as nossas produções", sustentando que "excluindo os problemas fitossanitários, desde que tenhamos água que possamos gerir com clareza, ficamos à vontade para planear as nossas produções".

Para além disso, Miguel Feijão realçou que "no setor da vinha, no caso dos nossos associados, um pouco mais de metade da nossa produção vitícola é regada e não regamos com chuva, mas sim com a água dos poços e dos furos artesianos, ou seja, estamos a degradar os lençóis freáticos", frisando que "quanto mais depressa vier a água do Alqueva, menos se degrada o ambiente".

Na sua opinião, "este projeto é tão importante para a região que a EDIA, ao tentar chegar até nós, deu a entender que está a trabalhar em prol do interesse da região e dos agricultores", considerando que "esta interação é muito importante para a relação de confiança entre nós que precisamos e a EDIA que promove".

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