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Teles de Araújo, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão

Cigarros electrónicos “não são seguros”

Há um “vasto conjunto de dúvidas não respondidas” sobre a segurança do uso do cigarro electrónico como instrumento na desabituação tabágica e o seu impacto negativo na saúde pública tem sido referido por pneumologistas e por estudos científicos.

Autor :Carlos Trigo

Fonte: Redação D.S.

06 Fevereiro 2015

O médico Teles de Araújo, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, assume que há dúvidas relacionadas com a composição do cigarro electrónico, que inclui produtos que podem ser prejudiciais à saúde. “Não são de modo algum seguros, nem podemos dizer que se trata de um produto inócuo”, disse, em declarações ao Diário do Sul.

O pneumologista recorda que tem passado a imagem que o cigarro electrónico não faz mal, por não conter alcatrão, mas, adverte, contém outros produtos que, segundo vários estudos, podem trazer problemas à saúde. E, como noutros casos, os malefícios podem surgir posteriormente: “Muitas vezes os problemas relacionados com o tabaco aparecem 20 ou 30 anos depois”.

Para este médico, deixar de fumar depende, em primeiro lugar, da vontade do fumador, mas também de acompanhamento médico, de medicamentos e de apoio ao fumador.


Mitos e realidades

A Fundação Portuguesa do Pulmão, na sua página web, descreve os cigarros electrónicos como “dispositivos que libertam um aerossol de nicotina, formado a partir do aquecimento duma solução contendo água, propileno de glicol ou glicerina, nicotina e agentes aromatizantes”.

Num artigo com o título “Cigarros electrónicos - mitos e realidades”, fica a dúvida sobre a utilização deste produto: “Têm sido publicitados como alternativa mais saudável para os fumadores e como instrumentos úteis para os que querem deixar de fumar. Debaixo deste manto de potenciais vantagens tem-se assistido a uma rápida expansão do seu uso. Todavia existe um vasto conjunto de dúvidas não respondidas sobre a segurança do seu uso, a sua eficácia como instrumento na desabituação tabágica e o seu impacto na saúde pública”.

Para a Fundação Portuguesa do Pulmão “é um mito considerar que o utilizador de cigarros electrónicos apenas está a inalar nicotina e que o seu uso não induz fumo passivo nos não fumadores”.

“Note-se que a nicotina é reconhecidamente um tóxico, com efeitos significativos na saúde dos que a ela estão expostos e que no tabaco é a droga que induz dependência! No aerossol dos cigarros electrónicos encontram-se quantidades variáveis de formaldeído, acetilaldeido, acroleina, tolueno, xileno, cadmio, níquel e chumbo, que são substâncias reconhecidamente tóxicas”, pode ler-se no mesmo artigo, que cita alguns estudos, um dos quais questiona as vantagens em termos de fumo passivo: “Schoeber mediu a poluição causada por três pessoas usando cigarros electrónicos durante duas horas num ambiente dum café e encontrou elevadas concentrações de nicotina, propanediol, glicerina, alumínio e hidrocarbonetos policíclicos comprovadamente cancerígenos”.


Defender restrições

Admitindo que há base científica para defender que a utilização dos cigarros electrónicos deva ser interdita nos mesmos locais em que o são os cigarros normais e que a sua comercialização deva obedecer às mesmas normas restritivas que os cigarros normais, os pneumologistas alertam ainda que não são conhecidos (nem há tempo para tal) os efeitos a longo prazo da sua utilização.

A Deco/Proteste, em Junho de 2014, citava um estudo realizado pela ‘60 Millions de Consommateurs’ para concluir sobre a perigosidade destes produtos: “mostra que os cigarros eletrónicos podem não ser tão inofensivos para a saúde quanto os fabricantes dão a entender. Para o estudo foi utilizada uma instalação que simula o funcionamento de um cigarro electrónico e recolhe todos os compostos emitidos. Os resultados indicaram que a maioria dos dispositivos, com ou sem nicotina, libertava substâncias potencialmente cancerígenas, como formaldeído. Outra substância nociva encontrada foi a acroleína, uma molécula tóxica por inalação e por ingestão”.


Cancro do pulmão

O Cancro do pulmão é a primeira causa de morte entre as doenças oncológicas. Anualmente, a nível mundial, segundo os dados da Fundação, são diagnosticados 1.350.000 novos casos, que representam 12,4% do total das doenças oncológicas.

Em Portugal, procurando cruzar dados de estimativas europeias e dos registos nacionais disponíveis, a incidência global será de 38 por 100.000 habitantes sendo 29 por 100.000 para os homens e 9 por 100.000 para a mulher. Na Europa, seremos dos países com uma das taxas globais mais baixas mas não esqueçamos, que diagnosticamos 3.800 novos casos por ano, ou seja, mais de 10 novos casos por dia.

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