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Programa “SAÚDE MENTAL SEM TABUS” na Rádio Telefonia do Alentejo

Doença bipolar afecta cerca de três por cento da população portuguesa

A doença bipolar foi o tema em destaque no último programa de “Saúde Mental sem Tabus”, a propósito do dia mundial desta doença, que se assinalou a 30 de Março. Feito em parceria com a associação MetAlentejo, este programa é emitido na terceira quarta-feira de cada mês pela Rádio Telefonia do Alentejo (RTA).

Autor :Marina Pardal

Fonte: Redação D.S.

08 Abril 2015

A edição de Março contou com a presença da vice-presidente da MetAlentejo, Teresa Reis, e do director do Departamento de Psiquiatria do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), José Palma Góis, que é também membro directivo da MetAlentejo.

Em início de conversa, Teresa Reis destacou a importância de dedicar um programa em exclusivo à doença bipolar. “Esta é uma doença mental grave, pouco compreendida pela sociedade”, salientou a responsável, adiantando que “muitas pessoas que não têm o diagnóstico dizem tê-lo, enquanto que os doentes que sofrem de doença bipolar têm dificuldade em compreendê-la”.

Por sua vez, José Palma Góis explicou que “a doença bipolar trata-se de uma das doenças do humor e caracteriza-se por períodos de depressão e períodos de euforia (ou mania)”, frisando que “existem grandes oscilações no estado de humor, energia e actividade e afecta de forma negativa a capacidade de manter um trabalho, relacionamentos e uma vida estável”.

De acordo com do director do Departamento de Psiquiatria do HESE, “esta doença afecta entre 2,5 e três por cento da população, incluindo a portuguesa”.

Explicitou ainda que “é uma das duas doenças do humor: a depressão major (ou depressão unipolar) e a doença bipolar”, asseverando que, “ao contrário da depressão major, afecta homens e mulheres igualmente”.

O mesmo especialista referiu que, “como todas as doenças mentais, não existe cura, mas é possível controlar com tratamento adequado e viver uma vida normal”.

No que diz respeito ao diagnóstico, José Palma Góis realçou que “não existem testes para diagnosticar a doença bipolar”, assegurando que “o diagnóstico é feito de acordo com o padrão de alterações no humor, actividade e pensamentos que oscilam entre fases de depressão e elevação / grandiosidade / hiperactividade”.

Já em relação às causas, evidenciou que “pensa-se ser uma combinação de factores genéticos que podem ser familiares e factores ambientais”, acrescentando que “certas actividades como o consumo de álcool e drogas podem precipitar a doença e agravar o seu curso, causando mais episódios e recaídas”.

Alertou também que “a doença bipolar não é causada por a falta de lítio no sangue ou no cérebro”.

Segundo o mesmo especialista, “a doença geralmente aparece no fim da adolescência ou no início da idade adulta, mas o primeiro episódio pode ser em qualquer idade”, sustentando que “é pouco frequente nas crianças ou após os 50 anos de idade”.

Episódios depressivos
versus episódios maníacos

José Palma Góis assegurou que “o doente tem episódios de alterações intensas no seu estado de humor ou estado de espírito”, salientando que “pode ficar profundamente triste, desmotivado e pessimista, sem vontade para nada (depressão) ou então sentir-se eléctrico, extremamente bem, cheio de energia e força, com pensamento acelerado (mania)”.

Constatou ainda que, “em geral, as pessoas têm mais episódios depressivos que episódios maníacos”, dizendo que “cerca de 90 por cento das pessoas que tiveram um episódio maníaco irão ter mais episódios da doença e em média têm oito a dez episódios durante a vida”.

Referiu também que “os episódios podem ser de mania ou depressão e podem ser muito variáveis em intensidade”, esclarecendo que “vários factores vão influenciar se alguém tem muitos episódios ou poucos, como a natureza da própria doença, se cumpre a mediação, se consome álcool drogas, entre outros”.

Para este especialista, “é muito importante identificar a doença cedo e começar o tratamento logo no inicio da doença e dos episódios, sendo fundamental que os doentes bipolares tomem sempre a medicação para evitar as crises, mesmo quando estão bem, como medida profilática”.

Quanto à medicação, “os estabilizadores de humor são fundamentais, pois vão evitar as oscilações de humor e as recaídas”, explicou José Palma Góis, sublinhando que “estes são o lítio e vários outros medicamentos que também são usados no tratamento da epilepsia, sendo o valproato de sódio o mais conhecido”.

Afirmou também que “depois podem ser usados medicamentos diferentes nas diferentes fases, já que na depressão usam-se antidepressivos e nas fases maníacas usam-se os chamados antipsicóticos”.

Garantiu ainda que “para além dos medicamentos, o apoio psicoterapêutico pode ser muito importante para ajudar o doente bipolar a lidar com as dificuldade que advêm da sua doença e dos efeitos que as crises possam ter na sua vida pessoal e profissional”.

No final da conversa, Teresa Reis lembrou que “a MetAlentejo tem dois projectos dedicados à doença mental grave nos quais apoia também doentes com doença bipolar”.

Especificou que “um deles é o voluntariado de proximidade, uma parceria que mantemos com a Fundação Eugénio de Almeida, que, após avaliação por uma equipa com membros das duas instituições, faz um acompanhamento personalizado ao domicilio de pessoas com doença mental”.

De acordo com a vice-presidente da associação, “temos um outro projecto, este mais para o acompanhamento dos familiares, amigos e cuidadores de pessoas com doença mental grave, que é o grupo de auto-ajuda SOS MetAcuidador”, salientando que “neste grupo, que se reúne mensalmente, os familiares e cuidadores têm o seu espaço para partilhar as experiências, assim como para expor as suas dúvidas e aprender mais sobre a doença que afecta a pessoa de quem cuidam”.

A próxima edição de “Saúde Mental sem Tabus” vai para o ar no dia 15 de Abril, entre as 16 e as 17 horas.

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